Grupo Volvo anuncia investimento de R$ 1 bilhão no Brasil e região

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Acostumado a temperaturas mais amenas — ou mesmo ao frio, já que mora no estado americano da Virgínia, onde fica a sede da Volvo Penta of the Americas —, o canadense Ron Huibers, presidente desta divisão do Grupo Volvo, chega ao estande da marca no Rio Boat Show 2017 reclamando do calor. Mas, logo em seguida, abre um sorriso: está feliz após visitar estaleiros que participam da histórica 20ª edição do salão náutico carioca e equipam seus barcos com motores da tradicional marca sueca, que, este ano, completa 40 anos de atividades no Brasil. Em seguida, narra uma experiência que vivenciou dias atrás, ao encontrar um velho D16 com nada menos que 34 mil horas de uso e, o melhor, impulsionando uma embarcação de trabalho nas águas do lendário Rio Mississippi, nos Estados Unidos. “Se você visita uma de nossas fábricas e vê os detalhes de produção, entende por que nossos produtos duram tanto tempo”, comenta ele, apontando para Marcio Dottori, diretor técnico de NÁUTICA que participa da conversa e, recentemente, visitou a sede mundial do grupo, em Gotemburgo, na Suécia.

Ron Huibers veio ao Rio Boat Show para promover os novos motores V8 380 e V8 430 a gasolina, agora com capacidade volumétrica de 6,2 litros, e D8 marítimo a diesel, que aporta na capital fluminense pela primeira vez. Mais do que isso, porém, sua ideia é reforçar o conceito que amarra toda a linha Volvo Penta globalmente, o Easy Boating (navegação fácil, em português), explicitado, entre outros produtos, no novo Joystick Inboard — criado para oferecer a melhor capacidade de manobra do mercado também em embarcações com configurações de centro “twin” (equipadas com dois motores de centro com linha de eixo) — e no Glass Cockpit — avançado sistema de monitoramento e controle para facilitar ainda mais a navegação. “Nós procuramos inovar para incrementar a experiência de navegação dos clientes”, explica ele, reforçando que o Joystick Inboard não pode ser comparado a nenhum outro joystick do mercado, justamente por oferecer uma capacidade de manobra superior, de acordo com as características de cada barco.

Indo mais fundo nesse conceito, Ron Huibers nos faz deparar com a inovação, algo que está na base da cultura do Grupo Volvo como um todo. “Nossos engenheiros criam e desenvolvem produtos com base em opiniões dos nossos clientes, mas de uma forma intuitiva. Sabemos que clientes não compram inovação, e sim um sistema que lhes permita ter uma boa experiência de navegação, de ter o controle do barco, e a tecnologia e os eletrônicos facilitam esse processo. Daí o guarda-chuva do Easy Boating, sob o qual colocamos todos esses produtos, que estão cada vez mais integrados”, argumenta o executivo. “A inovação é uma vantagem competitiva que nós temos e que faz parte da cultura da Volvo”, endossa.

O presidente da Volvo Penta para as Américas observa que isso só é possível graças ao investimento em R&D (em português, P&D, isto é, Pesquisa & Desenvolvimento) feito pelo Grupo Volvo como um todo — só no ano passado, a cifra atingiu US$ 1,6 bilhão, quantia alocada em 15 plantas ao redor do mundo, incluindo a de Curitiba. A propósito do Brasil, nestes cinco anos à frente desta divisão do Grupo Volvo, Ron Huibers afirma que um dos grandes desafios foi lidar com os altos e baixos da economia, não só no nosso país, mas também em nações como os Estados Unidos, que, em 2012, ainda tentava se recuperar da forte recessão iniciada anos antes. “Isso exigiu de todos nós, da Volvo, que é uma empresa centenária, uma boa dose de paciência”, admite. “Mas, acredito que o mercado, hoje, seja ainda mais desafiador, e por isso é que temos diversificado cada vez mais o nosso negócio”, afirma ele, referindo-se à produção não só de motores marítimos de lazer como, ainda, de motores marítimos comerciais e industriais.

Para Ron Huibers, embora outros mercados regionais, como Argentina, Colômbia, Peru e Chile, tenham apresentado bom desempenho nos últimos anos, o Brasil continua sendo a linha de frente para os negócios da empresa na América do Sul. Até porque, diz ele, a equipe que trabalha na rede tem conhecimento de todas as etapas que envolvem a operação, da produção de equipamentos e peças até a realização de serviços e suporte aos clientes, fornecendo, assim, um importante know-how para os colaboradores nos países vizinhos. Nos próximos anos, o Grupo Volvo vai investir R$ 1 bilhão no Brasil e na América Sul, englobando desenvolvimento de produtos, programas de manutenção de qualidade na fábrica, serviços e ampliação da rede de concessionários. “Reafirmamos nosso compromisso de continuar investindo aqui”, pontua.

Analisando o futuro e falando especificamente sobre motores marítimos, Ron Huibers entende que os propulsores estarão cada vez mais conectados com outros equipamentos, pois “é tudo parte de um mesmo sistema”. Antigamente, ele lembra, na construção de barcos, pensava-se nessas partes separadamente, como leme, transmissão e volante, para, depois, juntá-las. “Hoje, não!”, ele diz, “por causa dos eletrônicos e dos próprios motores, que estão mais eficientes, entre outras razões, pela questão ambiental (porque é preciso consumir menos combustível e diminuir a emissão de poluentes) e da eletrificação dos motores (que vem resultando também em propulsores híbridos)”. E arremata: “Esse novo desafio nos entusiasma e nos deixa otimistas acerca do futuro”.