Peculiaridades do vinho do Porto: confira detalhes sobre sua história e harmonização

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Muito apreciado ao redor do mundo, o vinho do Porto conquistou um lugar especial no coração e na mesa dos brasileiros. Mas, apesar de muito conhecido, será que todo mundo sabe a diferença entre seus estilos? Qual a melhor forma de consumi-lo? A Evino separou alguns detalhes importantes para quem quer entender mais sobre o vinho.

De forma muito resumida, pode-se dizer que o vinho do Porto é um vinho fortificado, ou seja, que teve a adição de aguardente vínica na sua composição. Também é chamado de vinho licoroso, por conta do alto teor de açúcar residual. As uvas utilizadas na produção do vinho do Porto são plantadas no Vale do Douro, no norte de Portugal.

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Uma vez que o vinho em fermentação tenha atingido um teor alcoólico entre 5% e 9%, restando ainda um alto nível de açúcar residual da própria uva, o produtor interrompe o processo com a adição de cerca de 20% da quantidade de vinho de aguardente vínica. A fortificação, então, mata as leveduras que fazem a fermentação, criando um vinho doce e de elevado teor alcoólico, entre 19% e 22%. O próximo passo é deixar o vinho envelhecer em barris de carvalho ou em tanques de inox.

Os vinhos do Porto podem ser produzidos como tinto, branco ou até mesmo rosé. Os tintos são os mais conhecidos no mercado; feitos com uvas tintas, são sempre doces, intensos e vibrantes, que enchem o paladar. Os brancos, por sua vez, são feitos com uvas exclusivamente brancas; devem passar por um período, mesmo que curto, em madeira e podem ser feitos como seco, meio seco ou doce. O rosé é uma categoria marcada por mais frescura e sabores frutados que os outros estilos.

A produção de brancos e rosés é muito pequena, sendo que a grande maioria da produção de vinho do Porto é de vinhos tintos. Esses são divididos em duas famílias: Porto Ruby e Porto Tawny.

O vinho do Porto Ruby é um vinho com intensa coloração rubi – e por isso esse nome. Esse é um estilo de vinho mais jovem, que tem em média 3 anos de idade – decorrente da mistura de diferentes safras, portanto, sem ano no rótulo. É intenso e conserva sua estrutura tânica, perceptível em boca. É subdividido em Porto Ruby Reserva (blend entre os melhores vinhos do Porto Ruby), Late Bottled Vintage (vinhos de um só ano, uma safra, que foram envelhecidos entre 4 e 6 anos), Porto Vintage (produzido apenas em safras excepcionais, 3 a cada 10 anos, e consumível ainda jovem) e Porto Crusted (blend entre diferentes Vintages envelhecidos em grandes barris de carvalho por um período de 3 a 4 anos. Não são filtrados e só saem para venda 3 anos depois de serem engarrafados).

Já o vinho do Porto Tawny, tinto, tem em média 3 anos e também é uma mistura de safras. A diferença reside no fato de que o Tawny passa por um período curto de envelhecimento em madeira, com oxidação controlada, tornando sua cor castanha. Os aromas são de frutas secas, figo, nozes, café e cedro. É subdivido entre Porto Towny Reserva, feito com os melhores vinhos de cada ano e com período mínimo de envelhecimento exigido por lei de 6 anos em barris de carvalho, e Porto Towny com indicação de idade. Esses podem ser rotulados como 10, 20, 30 ou 40 anos, de acordo com o período de envelhecimento oxidativo. Para finalizar, o último é o vinho do Porto Colheita, um Tawny feito de uma única safra.

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Este é um estilo de vinho muito mais alcoólico do que os vinhos comuns, portanto deve ser servido em quantidades menores. O ideal para o vinho do Porto é algo entre 50ml a 70ml, até mesmo porque a taça recomendada para o serviço é bem menor.

No que diz respeito ao momento ideal de consumo, existem algumas possibilidades: o vinho do Porto pode ser tomado antes das refeições, como um aperitivo; pode acompanhar um prato, apesar de não ser muito usual; pode ser servido para acompanhar queijos e sobremesas; pode ser o acompanhamento de charutos; e, por fim, pode ser apreciado sozinho.

A temperatura ideal para servir o vinho do Porto vai depender do estilo. O Branco e o Rosé, por serem mais leves e frescos, devem ser servidos entre 8 e 10ºC. No caso tanto do Ruby, como do Tawny, recomenda-se servi-los entre 13 e 15ºC. Já os estilos com maior tempo de barrica ou envelhecimento, como o LBV, Vintage, Tawny com indicação de idade, Colheita e Crusted, devem ser servidos entre 16 e 18ºC, porque são mais complexos e precisam de uma temperatura mais elevada para mostrar todas as suas nuances aromáticas.

O Porto Branco seco é ideal para acompanhar peixes defumados, frutos do mar e até mesmo sushis e sashimis. Por sua estrutura, também pode funcionar com queijos como o Gruyère, azeitonas e embutidos. No caso do Porto Branco doce, pode apostar em sobremesas mais leves, como pêssegos em calda com creme, bolo de frutas e sobremesas à base de chocolate branco. O Porto Rosé é indicado para ser consumido com frutas frescas e pode ser uma ótima opção para fazer drinks.

Passando para os tintos, existem duas harmonizações clássicas: com queijos azuis, como Gorgonzola e Roquefort e com chocolates. Em geral, as harmonizações de vinho e chocolate costumam não ficar muito boas, pois o chocolate é um alimento com alto teor de açúcar e gordura; portanto, para que a junção dê certo, é necessário que o vinho seja igualmente ou mais doce que o chocolate. Os vários estilos de Porto tinto cumprem bem esse papel.

Do lado dos Tawny, você vai se apaixonar ao harmonizá-los com torta de noz-pecã, biscotti de amêndoa ou com um cheesecake coberto de caramelo. Para as versões mais envelhecidas, experimente torta de maçã com canela, torta de creme de coco e o elegante crème brûlée.

Por ter um nível de álcool elevado, o vinho do Porto aguenta um tempo maior depois de aberto. Os brancos e rosés são menos resistentes, devendo ser mantidos entre 2 ou 3 dias na geladeira depois de abertos. O Ruby, Ruby Reserva e o LBV podem ser mantidos por até uma semana depois de abertos; o Vintage não deve passar de 2 dias. O Tawny e o Tawny Reserva podem ser mantidos tranquilamente por até 3 semanas e os Tawnys com indicação de idade podem ser mantidos por até 4 meses.

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Kapazi