Barcos brasileiros conquistam título e 3º lugares na Cape to Rio, maior regata do Hemisfério Sul

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Foto: Alec Smith

Os dois barcos brasileiros da ABVO (Associação Brasileira de Veleiros de Oceano) brilharam no Oceano Atlântico e terminaram com o título e o terceiro lugares na classe Monocascos da famosa regata Cape to Rio – Cidade do Cabo – Rio de Janeiro, a maior regata do Hemisfério Sul do mundo. A regata teve largada no dia 11 de janeiro, no Royal Cape Yacht Club, na Cidade do Cabo, e os barcos brasileiros ficaram por 18 e 19 dias no mar até a conclusão, na semana passada, no Iate Clube do Rio de Janeiro.

O barco vencedor foi o Mussulo – Angola Cables, comandado por José Guilherme Mendes, barco do  Yacht Club de Ilhabela, de Ilhabela (SP) em dupla com Leo Chicourel, natural de Angola. Eles navegaram por mais de 3 700 milhas náuticas e concluiu o percurso na terça-feira, dia 28. O segundo lugar ficou com o barco sul-africano Ballyhoo Too que concluiu nesta sexta-feira o percurso, mas ficou com o segundo lugar no tempo corrigido diante do barco carioca Saravah, comandado por Pierre Jullie, do Iate Clube do Rio de Janeiro, que fechou o pódio. O Saravah finalizou a regata na quarta-feira.

Foram 17 barcos na categoria monocasco onde disputaram os brasileiros e 22 no total. Além de Brasil e África do Sul, a compeptição contou com barcos da Alemanha, Argentina, Itália, Austrália e Angola.

“Fomos para Cape Town para participar deste importante evento. Ficamos muito supresos com o nosso bom desempenho e nossas boas escolhas na nossa trajetória. Estivemos disputando as primeiras colocações por muito tempo e isso aumenta a pressão no grupo. Mas estávamos muito entrosados e mantivemos o espirito elevado até o final, não desistindo nunca mesmo com as dificuldades do último dia. Sem desmerecer nossos adversários, quiseram os deuses que a vitória ficasse para outra oportunidade. Estamos muito orgulhosos com o nosso terceiro lugar,” disse Pierre Joullie, do Saravah, que contou na tripulação com o pernambucano Hanz Hutzler (navegador), Phil Wade, reconhecido e veterano velejador da Africa do Sul, Jorge Izquierdo, de Itajaí (SC), Fabio Mansur, de São Paulo, Luidi Fortunato, do Rio de Janeiro, Alain Joullié, do Rio de Janeiro e Grécia, Gustavo Peixoto, do Recife (PE).

Joullie detalhou as dificuldades enfrentadas no mar durante as quase três semanas à bordo. Cada tripulante dormiu apenas duas horas por dia revezando em três turnos, tudo em prol do melhor desempenho, dois deles, Hans (navegador) e Phill, não entraram no rodízio e ficavam ativos 24h por dia: “Tivemos duas tormentas na viagem. Uma de alta pressão ainda nas águas africanas que nos deixou em ritmo de sobrevivência por 24h e o Curumi, uma baixa que nasceu como ciclone sub tripical e embora tenha se dissipado rapidamente nos influenciou por quase dois dias. Aliás, entendo que a calmaria que pegamos no final ainda foi reflexo deste sistema. O barco realmente se comportou maravilhosamente. As quebras foram mínimas e rapidamente corrigidas pela engenharia de bordo. O Saravah, após 4 travessias oceânicas, se estabelece como como um barco extremamente seguro e veloz, perfeito para tais empreitadas”.

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Pierre já havia participado com o Saravah em 2017 da prova e na segunda participação ficou ainda mais feliz com o bom desempenho por conta do Centenário do Iate Clube do Rio de Janeiro que será comemorado no fim do ano: “O Iate Clube do Rio de Janeiro é co-organizador deste tradicional evento. Acompanho a Cape To Rio deste que era criança. Para mim, eventos desta envergadura inspiram os mais jovens e fortalecem a imagem do clube. Aliás representamos, além do ICRJ, a fundação Marine Inspirations que apoia jovens com poucos recursos e oportunidades a trilhar carreiras na área marítima. O embaixador da Marine Inspirations a bordo foi justamente o Phil Wade. Estou muito orgulhoso em representar meu clube nos seus 100 anos de fundação. Sou a terceira geração de velejadores de oceano da família, sempre no ICRJ”.

Na classe multicascos, o Love Water, da África do Sul, foi o campeão, concluindo o percurso em mais de sete dias, deixando o italiano Maserati em segundo lugar.

A Cape Town to Rio começou em 1971 e é disputada em média a cada três anos. A distância média é de 3 600 milhas náuticas, com largada do Royal Cape Yacht Club e chegada no Iate Clube do Rio de Janeiro, que completa seu centenário em 2020.

A cerimônia de premiação foi realizada no domingo (2), às 18h, no Iate Clube do Rio de Janeiro, com a presença das tripulações do Saravah e do Mussulo.

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