Teste Sessa C44: navegamos na nova lancha do estaleiro Intech Boating

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Uma das mais belas lanchas criadas pela italiana Sessa Marine — e produzida no Brasil pela Intech Boating, de Palhoça, Santa Catarina —, a Sessa C44 ganhou uma versão renovada e com visual ainda mais arrojado, chamada New Sessa C44, que foi apresentada no Brasil durante o São Paulo Boat Show 2019 e já está com alguns cascos em nossas águas. Como convém a uma lancha HT (hard-top), seu estilo é esportivo, bem moderno e tipicamente italiano, com um desenho longilíneo e grande teto solar na capota rígida. Veja no vídeo completo abaixo:

Repare nas janelas laterais, grandes e bem posicionadas, que (junto com o hard-top) favorecem a ventilação e a entrada de luz natural, tanto na cabine como no cockpit. Outro diferencial dessa lancha é que o proprietário pode decidir entre duas configurações de cockpit: a clássica, com amplo solário e garagem para um bote, ou a versão com duas mesas e dois grandes sofás na praça de popa, com acomodações bem amplas para até 12 pessoas.

Muito conhecida por construir no Brasil, sob licença, as luxuosas lanchas da italiana Sessa Marine, a Intech Boating foi criada em 2007 com foco no desenvolvimento e fabricação de embarcações de serviço. Sob o comando do empresário José Antonio Galizio Neto, o estaleiro logo se destacou no mercado por produzir embarcações de alto desempenho, que priorizam eficiência e baixo índice de manutenção.

A parceria com a Sessa Marine teve início em 2011, quando a Intech passou a produzir quatro modelos da famosa marca italiana. Atualmente, o estaleiro catarinense detém também a representação da Key Largo. De sua linha de produção saem cinco lanchas de lazer da Sessa Marine (C36, C40, C42, C44 e F42 — e vem aí a F5X), duas da Key Largo (KL 27 e KL 28). Além disso, mantém a sua própria marca, a Intech Professional Boats, de embarcações de uso profissional, como a IB360 Intech.

Repleta de bons atributos, a nova Sessa C44 — gerada pelo Centro Stile Design de Ímola, na Itália, com inovações desenvolvidas especialmente para atender ao consumidor brasileiro — é um de seus destaques. Contando a plataforma de popa, seu casco tem 13,85 m de comprimento total, o equivalente a 45,4 pés.

A New Sessa C44 é uma lancha realmente nova e não apenas uma versão maquiada de sua antecessora. Basta ver o desenho aerodinâmico das janelas — que confere esportividade ao casco —, o acabamento impecável e o design elegante e refinado do barco. “Fizemos muitas intervenções para ser consistente com um segmento de mercado mais sofisticado”, explicou Davide Cipriani, CEO do Centro de Estilo e Design de Ímola (Centrostiledesign) que desenvolveu o projeto para a Sessa Marine.

No cockpit, a bombordo, há um sofá em semicírculo, em torno de uma mesa retrátil, para quatro pessoas, sem apertos — com o acréscimo de pequenas cadeiras ou banquetas, dá para acomodar mais duas, mas aí, contando com a boa vontade de todos. Já o espaço atrás do posto de comando, a boreste, é ocupado por uma cozinha compacta de apoio (a principal fica no convés inferior), com freezer de duas portas e geladeira auxiliar.

A iluminação natural é generosa, garantida pelas janelas, pelo teto solar de acionamento elétrico e pelo uso de novos materiais, que, na definição dos projetistas, “dão a possibilidade de explorar a luminosidade vinda de fora para criar, mesmo por refração, contrastes claro-escuro, opaco-brilhante”.

O banco do comando é duplo, com regulagens e rebatimento para pilotagem em pé. Há apoio para os pés. O painel é bem completo, com espaço para um eletrônico de 9 a 12 polegadas, mas alguns mostradores ficam muito horizontais, o que pode dificultar a leitura, caso haja muita luminosidade. Entre os muitos opcionais, é possível instalar e monitorar até mesmo a casa de máquinas, através de uma câmera.

O sistema Glass Cockpit, da Volvo Penta, agrega muita informação. Basicamente, tudo que você precisa ter na sua frente quando está pilotando (carta náutica, sonda, dados do motor, piloto automático, controle de som etc.) que pode estar disponível em uma tela exclusiva, multifunção, sensível ao toque.

Por conta da motorização Volvo Penta IPS, todas as unidades já vêm com joystick, que permite manobrar com precisão, inclusive em áreas restritas. A lancha testada por NÁUTICA estava equipada com o Joystick Driving, também da Volvo Penta, que permite ao piloto comandar o barco em todas as velocidades, e com precisão, como se houvesse um timão, e não apenas nas manobras de atracação. É um opcional muito interessante, embora o timão permaneça sendo quase indispensável com o barco andando em velocidades mais esportivas.

Embora a ventilação natural seja abundante, a superestrutura pode ser 100% fechada, inclusive na popa, permitindo climatizar toda a área do convés superior, onde fica o posto de comando, o que se traduz em mais conforto para o piloto e 11 passageiros. Especialmente em pernoites na marina, esse recurso faz muita diferença. O barco testado por NÁUTICA contava com três equipamentos de ar-condicionado de 16 mil BTU cada um, sendo dois para climatizar a cabine e outro só para a área do cockpit.

Na popa, o proprietário pode decidir entre duas configurações: a padrão, com um solário e garagem de acionamento elétrico para um bote de 2,40 m (com motor desmontado), ou a versão opcional com cockpit duplo (ou sala estendida), que vem com uma segunda mesa e dobra o número de assentos para até 12 pessoas — ou seja, com muita área de convivência, como o brasileiro gosta. E tanto as mesas como todo convés são revestidos com a bela madeira teca.

A plataforma submersível, com 1,80 m de comprimento por 3,65 m de largura, tem capacidade para 400 kg, podendo suportar, por exemplo, um jet Sea-Doo GTI SE 170 com tanque cheio ou qualquer modelo mais leve. Ao descer, a parte submersível, com 1,10 m de comprimento, monta uma escada robô, também de teca. Porém, junto a ela, falta um pega-mão.

Na versão brasileira, como não poderia deixar de ser, há um gostoso espaço gourmet. A grande sacada do projeto é que todos os elementos desse espaço (churrasqueira elétrica, torneira com água quente e fria, porta-copos e área de apoio) fazem parte de um móvel retrátil, de acionamento elétrico que “some” quando não está sendo usado. Para isso, basta apertar um botão. Outro recurso da plataforma de popa é um bem-pensado paiol para cabos.

Já na proa, o projetista tirou bom proveito da boca máxima do barco, de 4 metros, à meia-nau. Bem larga, essa área permitiu a instalação de um solário de 1,78 m x 1,80 m, com encosto rebatível — outra tropicalização feita pelo estaleiro, necessária para atender o mercado brasileiro. E ainda há um bom número de porta-objetos e porta-copos, caixas de som com controle independente e um guarda-mancebo firme, com 65 cm de altura, de aço inox 316 L, material bem resistente à corrosão.

Ainda na área externa, os porta-defensas são de inox, os cunhos são bem dimensionados e os passadores de cabo têm aparadores no casco, para evitar riscos e deformações quando o barco estiver amarrado — detalhes que fazem a diferença.

Descendo para a cabine, entre as duas suítes há uma sala de estar com tv e espaço para quatro pessoas — sendo que o sofá pode ser usado como cama — e uma cozinha completa (com móveis de laca, fogão vitrocerâmico de quatro bocas, bancada e pia de aço inox com misturador de água quente e fria, porta-garrafas, gavetas, geladeira de 100 litros, micro-ondas e lixeira), formando um ambiente integrado, ventilado, claro e muito agradável. Na lancha testada por NÁUTICA, os paióis estão sendo usados para armazenar garrafas de bebida, solução inteligente.

Com 1,83 metros de altura, a suíte de proa tem uma cama de casal conversível em duas camas de solteiro (essas, medindo 1,70 m x 0,64 m), que se abrem em V. Seu banheiro, com pé-direito de 1,85 m, tem duas portas, servindo também às pessoas que estiverem no barco durante os passeios diurnos. Na suíte máster (sob o cockpit, com 4 m de boca), a cama de casal (com 1,96 m x 1,60 m) fica na posição diagonal, outra solução inteligente.

Embora tenha 2 m na entrada, a suíte à meia-nau não é tão alta quanta à da proa. Ainda assim, é diferenciada entre as lanchas desse segmento, justamente pelo espaço proporcionado pelo posicionamento na cama na diagonal. A sensação de amplitude é maximizada pela iluminação, abundante, por conta de janelas nos dois bordos. Chama atenção também o acabamento muito bem executado e o bom gosto da decoração. O banheiro dessa suíte tem vigias para ventilação natural. Dentro do box, a altura chega a 2 m. Os tanques de combustível têm capacidade para 980 litros de diesel. Os de água, 400 litros.

Na motorização, desde o projeto ficou definido que a lancha seria equipada com o sistema Volvo Penta D6-IPS 600 (2 x 440 hp), ou com o D6-IPS 650 (2 x 480 hp). Porém, o estaleiro oferece a opção de dois motores D6 com rabetas DPI e hélices contrarrotantes, que não recomendamos, por não seguir o projeto original deste ótimo casco.

Na casa de máquinas, o acesso aos motores para manutenção é muito bom, pelos dois lados, embora a altura seja um pouco baixa. O gerador, de 10,5 kVa de giro variável, controla suas RPM conforme a carga elétrica consumida a bordo.

Por sua vez, as baterias estão guardadas nas devidas caixa e estão bem protegidas. Ainda na casa de máquinas, na área de popa, encontram-se todas as conexões elétricas e hidráulicas, além das bombas de porão. E, por se tratar de um barco com certificação europeia e americana, toda instalação elétrica é muito bem-feita (com fios devidamente estanhados e sem pontos de aperto ou curva acentuada), padronizada e etiquetada, mais uma garantia de segurança e durabilidade.

Como navega

Testamos a nova Sessa C44, equipada com dois motores diesel Volvo Penta IPS 600 D6 de 440 hp cada, na região de mar aberto do Guarujá, em São Paulo, em um dia sem grandes vagas. A bordo, quatro pessoas, cerca de 490 litros de diesel e o tanque de água praticamente cheio. Para avaliar melhor a capacidade de amortecimento do casco, além de enfrentar algumas ondulações de mar aberto, cruzamos as nossas próprias marolas, bem como as geradas por outras embarcações.

Em todos os casos, a Sessa C44 navegou com suavidade, mesmo na velocidade de cruzeiro alta, que foi de ótimos 28,7 nós. Além disso, mostrou muita agilidade nas manobras, reagindo rápido aos comandos do joystick — sim, a lancha testada por NÁUTICA estava equipada com o Joystick Driving, que permite ao piloto comandar o barco em todas as velocidades, e com precisão, como se houvesse um timão, e não apenas nas manobras de atracação.

O sistema Volvo IPS ajuda muito. O tempo todo o barco se manteve estável e equilibrado, respondendo muito bem aos comandos. Em sua melhor passagem, a lancha Sessa C44 alcançou 36,1 nós de velocidade final, uma excelente performance. Na aceleração, foi da marcha lenta aos 20 nós em apenas 8,5 segundos, outra ótima marca e uma prova do feliz acerto do conjunto casco, motorização e propulsão.

A Sessa C44 é uma elegante cruiser hard-top com uma navegação muito macia, firme e absolutamente convincente, em especial pelo ângulo do V do casco na popa, de 16 graus, que fica entre o profundo e o mínimo, bem acertado neste caso.

Durante curvas mais fechadas, e mesmo navegando em linha reta, se a proa estiver mais levantada, as grandes janelas da Sessa C44 ajudam muito a visão nos dois bordos . Além disso, atento a questão da visibilidade durante a navegação, a Sessa Marine instalou um ótimo apoio estendido para os pés, que permite ao piloto navegar em pé sem esforço, com visão de 360 graus por fora do teto solar. Enfim, uma lancha de passeio com ótimos atributos.

Características técnicas

Comprimento total: 13,85 m (45,4 pés)
Comprimento do casco: 10,72 m (35,2 pés)
Boca: 4 m
Calado com propulsão: 1 m
Borda livre na proa: 1,87 m
Borda livre na popa: 1,39 m
Altura do salão na entrada: 2 m
Ângulo do V na popa: 16 graus
Combustível: 960 litros
Água: 400 litros
Águas negras: 97 litros
Capacidade dia: 16 pessoas
Capacidade pernoite: 4 pessoas
Peso com motores: 14 800 kg
Potência: 2 X Volvo Penta IPS 600 (D6 440 hp Diesel)

 

Planta New Sessa C44: versão clássica com grande solário na popa e garagem fechada

 

Planta New Sessa C44: versão opcional com duplo cockpit

 

Planta interna New Sessa C44: suite à meia-nau, sala de estar com cozinha e camarote na proa

PONTOS ALTOS

» Enorme espaço no cockpit
» Qualidade da construção
» Bem equipada de série
» Navegação firme e ágil
» Excelente acabamento interno
» Suíte master bem espaçosa

PONTOS BAIXOS

» Tela do comando reflete o sol quando o teto solar está aberto
» Falta corremão na escada da plataforma de popa submersível
» Acesso a casa de máquinas pela popa é estreito

Quanto custa?

A New Sessa C44 custa a partir de R$ 3,2 milhões, equipada com dois motores Volvo Penta IPS 600 (D6 440 hp Diesel). Preço pesquisado em outubro/2020. Para saber mais sobre o modelo testado por Náutica, acesse o site oficial do estaleiro.

Quem fabrica?

A Intech Boating foi criada em 2007 com o objetivo de atender às demandas do mercado náutico, com foco no desenvolvimento e fabricação de embarcações de serviços. Sob o comando de José Antonio Galizio Neto, logo destacou-se no mercado por produzir embarcações robustas e de alto desempenho, que priorizam eficiência e baixo índice de manutenção. A Intech usa a tecnologia de laminação por infusão em molde aberto e está sempre em busca de aprimoramento e melhores técnicas.

Em 2011 ampliou a sua área de atuação ao iniciar a produção de quatro modelos da famosa marca italiana Sessa Marine. Atualmente é detentora dos direitos de representação de três marcas no Brasil: a Sessa Marine, Key Largo e a marca própria Intech Professional Boats.

A experiência, tecnologia e o design inovador transferidos pela Sessa Marine, aliados à força de trabalho e ao conhecimento da Intech Boating do mercado do Brasil, resultaram no sucesso alcançado. Hoje já são mais de 300 embarcações produzidas e navegando em mares brasileiros.

A Sessa Marine também mantém no Brasil o Pit Stop Sessa, maior programa de pós-venda náutico do Brasil. Pelo menos uma vez ao ano, todos os clientes da marca têm seus barcos vistoriados gratuitamente em atendimentos pré-agendados, cumprindo um check-list geral do estado da embarcação, independente do período de garantia de fábrica do barco estar ou não em vigência e do proprietário ser ou não o primeiro proprietário. Veja como funciona na reportagem abaixo:

Reportagem: Guilherme Kodja
Edição de texto: Gilberto Ungaretti
Edição de vídeo: TakeBoom Produções
Fotos: Rogério Pallatta e Victor Oliveira/TakeBoom

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PUB Marine Express - 02/07/2020