Phantom 303: testamos a lancha queridinha do Brasil, agora com motores de popa

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Poucas lanchas têm uma trajetória tão rica como esta 30 pés da Schaefer Yachts, boa de mar e de mercado. Campeã de vendas em sua categoria, com mais de 1 600 unidades na água — somados os negócios com suas antecessoras, a Phantom 290, lançada em 2001, e a Phantom 300 (geração 2), que chegou ao mercado em 2009, usando o mesmo casco, mas com alterações na altura da cabine e acréscimo na plataforma de popa —, a Phantom 303 (o 3 é de terceira geração) segue sendo a rainha, a lancha de 30 pés com maior número de registro na Marinha.

Para ela não perder o reinado, o estaleiro catarinense investiu em sua modernização. Entre outras novidades, passou a vir preparada para receber ar e gerador e, recentemente, foi lançada com uma versão com motores de popa, que a deixou ainda mais esportiva. De resto, a “queridinha” do Brasil continua agradando por seu perfil elegante, bom aproveitamento do cockpit e por aceitar uma grande variedade de motores, de centro-rabeta e, agora, também de popa.

Hoje, qualquer lancha de passeio que se preze no Brasil tem um cockpit com configuração própria para um país de clima quente. Mas nem sempre foi assim. A fórmula mágica, que inclui banco duplo para o piloto, espreguiçadeira ou divã ao lado, assentos para uma dezena de pessoas e acesso direto ao cockpit através de uma passagem própria, nasceu com a Phantom 290.

A 303, sua admirável sucessora, lançada inicialmente para atender à demanda no mercado norte-americano, mantém essas mesmas características, junto com a silhueta do casco definida por grandes para-brisas laterais — que dão continuidade a uma curva desde a alheta, junto à plataforma de popa — e com a qualidade de construção acima da média nacional.

A receita inclui um barzinho, geleira, cristaleira, bons sofás, solário na popa, sistema de som com diversos alto-faltantes, bom espaço para a circulação, plataforma com um metro de comprimento, ferragens de inox 316 e quatro cunhos de tamanho adequado — embora o número seja insuficiente, considerando-se que faltam cunhos de meia-nau.

A nova versão com motores de popa deixou a phantom 303 ainda mais esportiva e equilibrada

O acesso à proa é bom, com apoio no próprio para-brisa, e o solário tem bom tamanho para duas pessoas. Além disso, na versão com motor de popa, a lancha ganhou uma série de espaços, típicos de barcos com esse tipo de motorização, a começar pelo ganho de espaço no porão.

A cabine, com 1,83 metro na entrada, tem acomodações para dois casais — em um sofá em U na proa, que vira cama para duas pessoas, e uma cama de casal sob o cockpit — e gostosas janelas quase no nível do mar, além de uma grande gaiuta na proa, o que é muito bem-vindo. Uma pia e um forno de micro-ondas podem aumentam o conforto a bordo. No ambiente de meia-nau, há ainda um móvel com armário e espaço para geladeira elétrica, além da cama com 1,14 m x 1,91 m, mas o número de vigias poderia ser maior, para aumentar a ventilação natural. Por sua vez, o banheiro, com 1,63 m de altura, é completinho, com vaso elétrico de série.

Para avaliar a versão com motores de popa da Phantom 303, navegamos pela Baía de Guanabara, no Rio, levando a bordo três pessoas. A lancha estava equipada com dois motores Mercury de 150 hp cada, com injeção eletrônica. Embora o mar estivesse calmo, foi possível encarar algumas boas marolas, geradas por lanchas maiores, como uma 60 pés, por exemplo. Cruzando sucessivamente essas ondulações, o casco da 30 pés da Schaefer Yachts amorteceu bem os impactos, mostrando bom equilíbrio.

A lancha também surpreendeu pela leveza no volante, mesmo em curvas bem fechadas. Nessas condições, o barco adernou muito pouco. O par de flapes permitiu manter o casco sempre na posição ideal e raramente o cockpit foi atingido por respingos. No teste de aceleração, a Phantom 303 precisou de 8,4 segundos para alcançar os 20 nós — contra pouco menos de 10 segundos da versão com motor de centro-rabeta (um Volvo V8 a gasolina de 430 hp), testada por NÁUTICA.

A velocidade máxima foi de 34,8 nós, contra 34,5 nós do modelo com motor centro-rabeta. São valores bem parecidos, gerados por potências diferentes. Com essa “cavalaria” (dois popa de 150 hp) é possível manter um bom desempenho com até cinco pessoas a bordo. Já com mais gente no cockpit, a pedida são dois motores de 200 hp cada, com os quais é possível navegar com maior folga — o que significa menos manutenção e maior vida útil.

Com os motores de popa, a velocidade de cruzeiro foi de 28,3 nós, a 4 000 rpm. Já o cruzeiro econômico de 22,9 nós, a 3 550 rpm, é possível cobrir 171 milhas, sem parar para reabastecer, com condição de mar calmo. Nessas alturas, você já deve estar se perguntando: qual é a melhor versão, com popa ou centro-rabeta? Bem, o motor de popa é mais fácil de manter, além de deixar permitir mais espaço (paióis) a bordo.

Na aceleração, a Phantom 303 com dois 150 hp de popa foi mais rápida do que a versão com um centro-rabeta V8 de 430 hp

Outra vantagem do motor externo ocorre na navegação em águas rasas: como ele pode ser levantado mais alto que a quilha da lancha, permite que se navegue em baixa profundidade. Por outro lado, o motor de centro-rabeta econômico, silencioso, facilita a atracação de popa. Sem contar que o espaço da plataforma de popa pode ser usado integralmente. A escolha entre um ou outro, realmente, é difícil.

Fotos Alberto Sodré

Características técnicas

Modelo: 2019
Fabricante: Schaefer Yachts
Comprimento total: 9,78 metros
Boca: 2,87 metros
Ângulo do V na popa: 20 graus
Combustível: 350 litros
Água: 100 litros
Capacidade dia: 10 pessoas
Capacidade pernoite: 4 pessoas
Peso com motor: 3295 kg
Motorização: popa ou centro-rabeta
Potência: de 300 a 600 hp


Quanto custa

A Phantom 303 é oferecida a partir de R$ 495 mil com dois motores de 175 hp (ou perto de R$ 450 mil, com um centro-rabeta gasolina de 300 hp). Quando equipada com os motores usados no teste (dois Mercury de 150 hp), o preço sobe para cerca de R$ 511 mil. Preços pesquisados em junho/2019.


Quem faz

A Schaefer Yachts, de Santa Catarina, é um dos maiores estaleiros brasileiros, com o início das atividades em 1992. Em 27 anos, passou a marca de 3 500 lanchas laminadas, com 11 modelos na atual linha de produção, de 26 a 83 pés. Para saber mais, ligue para tel. 48/2106-7451, acesse www.schaeferyachts.com.br ou por meio do escritório comercial da fábrica em São Paulo (saopaulo@schaeferyachts.com.br / 11 2657-7047).

 

 

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