Teste Onix 290: uma lancha de 29 pés cabinada diferente de tudo!

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O estaleiro catarinense Onix Yachts — de Palhoça, na Grande Florianópolis — tem apenas três anos de vida, mas vem se firmando por construir barcos com bom aproveitamento do espaço, cascos navegadores e ótima relação custo x benefício. Três atributos desejados por dez em cada dez donos de barcos.

Até o momento desta reportagem, 20 unidades da Onix 290 navegam em nossas águas, o que mostra a boa aceitação do mercado. Para estrear no concorrido segmento das 29 pés, o estaleiro caprichou na receita. A Onix 290 é uma cabinada de médio porte perfeita para quem procura uma lancha de passeio diurno com pernoites rápidos. Veja no vídeo abaixo:

A proposta da Onix 290 é a de ser uma lancha bonita e confortável para juntar a família inteira a bordo (seu cockpit acomoda até nove pessoas, com certa tranquilidade) ou fazer pequenas travessias nos fins de semana, já que tem duas camas de casal na cabine para pernoite.

A Onix 290 é uma 29 pés que agrada bastante com suas linhas esquias e bonitas. O conforto também chama a atenção. Seu cockpit, espaçoso e desimpedido (o que facilita a circulação, embora haja um pequeno degrau entre a praça de popa e a meia-nau), tem bons sofás e uma pequena, mas agradável, espreguiçadeira a bombordo, ladeando o posto de comando.

O acesso ao cockpit pela popa, a boreste, é largo. Chama atenção o bom acabamento dos estofados, com tecido encorpado (o cliente escolhe a cor), mais agradável ao sentar.

Na parte de trás do cockpit há um sofá em L, com mesinha de centro, seguido de outro sofá, a boreste, posição que ajuda no equilíbrio do barco, graças à boa distribuição de peso. Há também uma geleira bem funda — e, portanto, com grande capacidade de armazenamento —, além de uma peça de madeira teca que serve como porta-copos e porta-aperitivos.

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Na pia, destaque para a ótima pressão da água, o que se repete, aliás, em toda a parte hidráulica a bordo: do banheiro ao chuveirinho de popa. Por sua vez, no modelo testado, o sistema de som se distribuía por seis alto-falantes (acessórios opcionais).

Sob o piso no centro do cockpit da Onix 290 há um enorme paiol, em que cabem todos as defensas e cabos do barco, alguns dos coletes e até o material de limpeza. Já a targa, lançada para trás, tem uma capota móvel do tipo bímini, que protege do sol, tornando o passeio de barco mais agradável nos dias mais quentes.

Completando o pacote de itens de lazer, há ainda, na plataforma de popa, o sempre bem-vindo espaço gourmet, com pia, churrasqueira a carvão (item de série) e banquetas de madeira sobre a plataforma de popa, que, por sua vez, pode ser do tipo submersível, com revestimento eva opcional.

Nessa parte saliente do barco, casco afora, o projetista instalou a chave de entrada de cais e a chave de bateria, além de um chuveirinho de água doce e de uma excelente escada de quatro degraus para o acesso à água.

Tudo muito bem-vindo, porque é nessa área, afinal, que as pessoas gostam de ficar, e, em nenhuma outra parte a bordo é possível estar tão próximo da água.

O posto de comando da Onix 290 tem um painel com formato exclusivo, diferente, mas interessante, com boa inclinação, em que os relógios são distribuídos em um círculo e o eletrônico fica em uma área rebaixada, no centro, o que facilita a leitura.

Na unidade testada por NÁUTICA, foi instalada a tela de um eletrônico multifunção Raymarine Axiom 7, de sete polegadas, à venda na Marine Express (www.marineexpress.com.br). Tanto a bússola quanto o rádio vhf estão bem posicionados. Porém, o volante escamoteável, importante para pessoas de alta estatura, não é item de série, apenas opcional.

Além disso, faltam um nicho para guardar objetos, o famoso porta-trecos, e uma entrada usb para o carregamento do celular. Detalhes que podem facilmente ser aprimorados pelo estaleiro.

O acesso à proa — onde há um bom solário — é feito por uma passagem no centro do para-brisa. Embora a abertura seja grande, exige um pouco de esforço, já que os degraus da escada são altos e um pouco pequenos.

O solário na proa, sobre a cabine, está bem dimensionado para apenas uma pessoa, com folga, ou para duas, com certo aperto. Há ainda um pequeno banco no bico de proa, encaixado no guarda-mancebo, que por sua vez tem linhas esportivas, acompanhando o design do casco, e altura crescente no sentido da proa.

Os seis cunhos de inox (distribuídos entre a proa, a meia-nau e a popa) são adequados para o tamanho do barco. A caixa de âncora tem guincho elétrico, com duplo comando: no local e no painel do piloto.

Dentro da cabine da Onix 290, com 1,70 m de altura, o espaço é relativamente grande, considerando-se o porte do barco. Uma das suas novidades está no banheiro, muito grande, que fica na proa, fugindo da cartilha dos barcos de passeio desenhados no Brasil. Tem uma pequena gaiuta sobre o vaso, quase no bico de proa, além de pia, lixeira, porta-papel higiênico, porta-xampu e sabonete e chuveiro com, repita-se, ótima pressão de água.

Quatro pessoas dormem a bordo, distribuídas por um sofá-cama, a boreste, e por uma cama transversal, à meia-nau, iluminada pelas janelas do costado do barco. A cozinha, a bombordo, tem uma geladeira de 60 litros (ou, opcionalmente, de 80 litros), micro-ondas, armários, pia e frigobar. Enfim, uma cozinha compacta, mas completa. O acabamento não é luxuoso, mas muito esmerado.

Ainda na cabine, está instalado o quadro elétrico, que por sinal está muito bem montado e sinalizado, além da chave de tomada de cais, de tomadas 12 volts e de tomada 110/220 volts para uso com inversor.

Como não há um gerador a bordo, com o barco parado, o ar-condicionado, de até 9.000 BTUs, pode ser alimentado pela tomada de cais. Com isso, é possível passar a noite atracado em uma marina com o ar-condicionado o tempo todo ligado. No nosso teste, apenas com o uso do inversor o equipamento rodou por pouco mais de 40 minutos apenas alimentado pela única bateria de serviço de 150 Ah.

O acesso à casa de máquinas fica na posição tradicional, na praça de popa. As instalações são adequadas, mas faltam proteções para os chicotes elétricos. A possibilidade de usar um só motor de centro-rabeta — no caso da lancha testado, um 6.2 litros, a gasolina, de 300 hp — deixa esta lancha mais leve, econômica e muito ágil, como você confere no teste de navegação.

Como a Onix 290 navega

Para avaliar a performance da Onix 290, saímos para navegar no mar, com acesso pelas águas limpas do Rio Cubatão, já no litoral norte de São Paulo. Em meio à Mata Atlântica, esse rio desce até o encontro com o Rio Una, pouco antes de desembocar no mar, junto à linda Praia de Barra do Una, em São Sebastião.

Acionado o manete, o que se viu foi uma lancha muito solta, ágil e funcional, com um casco muito bem equilibrado. Mérito do casco om ângulo de V na popa de 19 graus, apropriado para um barco de passeio com 2,75 metros de boca. Com o uso dos flapes, entre 30% e 40%,  a proa fica numa posição muito boa.

O motor a gasolina, de 300 hp, centro-rabeta, tem potência de sobra para impulsionar esse casco, que mostrou ser seguro e estável. É bater manete e sair. Pode parecer exagero, mas a Onix 290 faz curvas dignas de um jet, guardadas as devidas proporções, é claro, com bastante facilidade. É impressionante como essa lancha é ágil!

No desempenho, a velocidade máxima foi de 35,7 nós (veja no gráfico abaixo), com 9,1 segundos para chegar aos 20 nós, o que revela o bom fôlego do motor, aliado à boa hidrodinâmica do casco e à eficiência dos hélices contrarrotantes. Tudo isso navegando sem pancadas duras e sem espirrar água no cockpit.

No posto de comando, a posição do encosto do banco é bastante confortável para o piloto, e a visão à proa, muito boa. Uma lancha, enfim, cheia de bons recursos, de uma marca que ainda está sendo desenvolvida, mas que veio para ficar.

Características técnicas

Comprimento total: 8,9 m (29 pés)
Comprimento do casco: 7,6 m (25 pés)
Boca: 2,75 m
Calado com propulsão: 0,6 m
Altura da cabine na entrada: 1,70 m
Ângulo do V na popa: 19 graus
Tanque de combustível: 220 litros
Tanque de água: 120 litros
Capacidade dia: 10 pessoas
Capacidade pernoite: 4 pessoas
Peso com motores: 3 400 kg
Potência: 1x 250 a 350 hp

Pontos altos

» Banheiro bem grande na proa
» Acabamento externo muito bom
» Ágil na navegação
» Posto de pilotagem com ótima visão
» Aceita plataforma submergível

Pontos baixos

» O acesso à proa é um pouco difícil
» Organização da fiação na casa de máquinas pode melhorar
» Faltam braçadeiras duplas em alguns pontos da hidráulica

Quanto custa?

A lancha Onix 290 custa, pronta para navegar, a partir de R$ 329 mil, com um motor de centro-rabeta de 250 hp a gasolina. Preço pesquisado em março/2021. Para saber mais sobre o modelo testado, acesse o site oficial da Onix Yachts, www.onixyachts.com.br ou envie uma mensagem.

Reportagem: Guilherme Kodja
Edição de texto:
 Gilberto Ungaretti
Edição de vídeo: TakeBoom Produções
Fotos: Rogério Pallatta e Victor Oliveira/TakeBoom

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