Teste Triton 52 Fly: revelamos todos os detalhes da maior lancha da Triton Yachts

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Estaleiro fundado em 1984 e que já colocou na água cerca de 2 000 lanchas, a paranaense Way Brasil, detentora da marca Triton Yachts, atualmente tem uma sua linha de produção 16 modelos de lanchas de passeio, de 23 a 52 pés, números que o colocam em destaque entre os fabricantes nacionais.

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A mais nova integrante da família é esta: a Triton 52 Fly — aquele tipo de barco à prova de engano, porque todo mundo ama, já que vem com um agradabilíssimo espaço extra na parte mais desejada pelos usuários, o flybridge.

Baseada na lancha Triton 52 HT, essa confortável cabinada com flybridge de 15,80 metros de comprimento preserva as melhores características da versão hard top — leia-se cabine muito boa na altura e no espaço interno. Tem três camarotes, dois banheiros, cozinha adequada e um salão com uma altura generosa, que acomoda todos os passageiros sentados.

Para testá-la, NÁUTICA viajou para Belém, a encantadora capital do Pará, que oferece diversas opções de navegação fluvial, a começar pela Baía de Guajará e pelo Rio Guamá.

Logo na entrada, percebe-se que Triton 52 Fly preparou-se bem para conquistar os brasileiros: vem com uma plataforma de popa com dimensões generosas. São 3,27 metros de largura por 2,07 m de comprimento (1,40 m na opção submersível), o que resulta em quase 6,80 m² de área útil. Uma escada de quatro degraus serve apoio para quem vai para a água, enquanto um chuveirinho com água quente e fria aguarda a quem volta do banho de mar.

Sem esquecer o indispensável espaço gourmet, que nesta 52 pés é bom, com churrasqueira a carvão ou elétrica, tábua de carne, pia com água e área de apoio. Para iluminar essa área, há a opção de instalar dois canhões de led na estrutura traseira do flybridge. Todo o espaço pode ser coberto por um toldo manual (ou, opcionalmente, elétrico). E para animar os passeios (ou a atividades de lazer na popa do barco) há espaço para instalar dois alto-falantes na estrutura do flybridge que protege a praça de popa.

O acesso ao convés principal pela popa é feito por uma única escada a boreste. A praça de popa, com bastante espaço livre e pé-direito de 2,05 m, tem uma mesa de madeira e um sofá em “L” para cinco pessoas (sem nenhum aperto), além de um paiol, uma lixeira exclusiva para latinhas de bebidas e — na amurada de boreste — um painel elétrico, com todas as chaves muito à mão, e a entrada da toma de cais.

Para o acesso ao fly, há uma escada (a boreste) bem segura, com seis degraus largos e ótimo apoio para as mãos nos dois lados. Um opcional interessante (que beneficia a praça de popa) é um terceiro aparelho de ar-condicionado exclusivo para a área, de 16 mil BTUs.

O acesso à proa é feito por duas largas passagens laterais idênticas, uma a boreste, outra a bombordo. Ambas com pega-mão bem posicionados e um guarda-mancebo bem firme, que começa com 45 cm, sobe para 75 cm à meia nau e chega a 95 cm na proa.

Em frente ao grande para-brisa, de folha única em curva, há um solário/poltrona, com encosto reclinável e regulagem do ângulo, para duas pessoas, além de porta-copos de inox e apoio para as mãos. O sistema de som, opcional, voltado para o solário, fica no bico-de-proa e cai muito bem para o uso mais animado do espaço com o barco parado. Os seis cunhos, de 30 cm cada, são muito bem dimensionados.

A proa sextavada, que otimiza e aumenta o espaço de convivência a bordo nessa parte do barco, foi uma inteligente e moderna aposta do estaleiro e funcionou muito bem, com o detalhe dos dois banquinhos de madeira no bico de proa.

Por sua vez, o flybridge, com espaço para 10 pessoas sem aperto, oferece uma área imensa de solários, ou de sofás, pois um se converte no outro, e vice-versa. O posto de comando, a boreste, está bem integrado à área social, pois o sofá, em “L”, fica bem avançado, a bombordo. O encosto da poltrona do piloto é alto e confortável, sendo o espaço para duas pessoas. Atrás dele, há um armário, com pia e geleira. A posição de pilotagem é confortável, com apoio para os braços, volante com regulagem e manetes bem à mão.

A inclinação do painel ajuda a reduzir o reflexo do sol nos instrumentos, e nossa sugestão seria a instalação de duas telas de pelo menos 9 polegadas com integração dos instrumentos, tipo touch screen, como o modelo Raymarine Axiom 9 — uma 52 pés como essa pede esse detalhe. Para as manobras de atracação, há o comando por joystick. Porém, para o piloto desfrutar de um passeio mais agradável, faltam um porta-copos, uma entrada USB para o celular e um bom porta-trecos.

Entre a praça de popa e o salão há uma porta de vidro de duas folhas que, quando aberta, integra os dois ambientes. No salão, a altura começa em 1,95 m na entrada e chega a 2,13 m próximo ao posto de comando, o que resulta em maior sensação de conforto. A cozinha (com pia, gaveteiro, geladeira, freezer de três gavetas, lixeira, micro-ondas e um fogão de indução com apenas uma boca, mas grande) fica na entrada do salão, a boreste e é escondida pela marcenaria dobrável.

Quando não está em uso, desaparece e deixa o salão com aspecto clean. Tem uma área de apoio bem à ré, que na unidade testada já estava sendo bem usada, com cafeteira, açucareiro, xícaras etc., sobre a qual fica uma tv, que faz frente para o sofá de bombordo.

A área é bem iluminada, mas falta uma abertura nos vidros para entrada de ar. A ventilação nessa área depende da janela que fica ao lado do posto de pilotagem. A poltrona do comandante tem assento alto, com encosto duplo e bem ergonômico. O painel tem espaço para duas telas de até 12 polegadas. O para-brisa inteiriço favorece a visão do piloto, mesmo com a proa um pouco levantada, na navegação de cruzeiro.

No convés inferior, há uma suíte vip na proa (cuja cama tem 2,00 m de comprimento x 1,45 m de largura), um camarote a boreste (também com cama de casal, em vez das duas camas de solteiro tradicionais) e a suíte máster à meia-nau. Nesta, a altura na entrada é de 2,13 m, com 1,80 m na área em torno da cama de casal.

A entrada de luz natural também é eficaz, por conta da distribuição das janelas, sem esquecer de vigias para a ventilação natural. O aproveitamento de espaço é outro ponto alto, com muitos gaveteiros e armários. Por sua vez, o banheiro dessa suíte tem 1,88 m de pé-direito, claraboia e vigia para ventilação natural, armários, prateleiras e um ótimo box fechado para banho com chuveiro móvel. Tudo em seu lugar e bem dimensionado.

O acabamento e a decoração a bordo da Triton 52 Fly podem ser feitos como o dono quiser. Trata-se do que os estaleiros chamam de “processo custom”. No caso da lancha testada por náutica, o proprietário optou por anteparas no corredor da entrada da cabine com a aparência de uma pedra rústica.

Para a manutenção, há dois acessos à casa de máquinas, um deles sob a mesa (num espaço já recortado), mas que depende de apoio para acessar, e outro no centro da praça de popa, para o acesso operacional. A aproximação dos motores é tranquila, com bastante espaço para as operações. Todas as instalações elétricas são de excelente qualidade, com fiação estanhada, como deve ser.

Destaque também o ótimo revestimento termoacústico em toda a área da casa de máquinas, inclusive nos costados, até a área de linha d’água. O gerador, de 7.5 Kw, cobre bem as necessidades do barco, embora um de 9 Kw fosse o mais indicado, até pelo número de máquinas de ar-condicionado. Os dois tanques de diesel (total de 1050 litros) estão bem posicionados, com transferência de combustível. E o boiler, de 80 litros, foi muito bem calculado.

Como navega

A Triton 52 Fly foi testada nas águas doces e calmas do Rio Guamá, em Belém. A lancha estava equipada com dois motores diesel de 400 hp cada Volvo Penta D6, de centro-rabeta, e levava a bordo quatro pessoas, 55% da capacidade dos tanques de combustível, 70% de água doce e ventos de 5 nós. Tudo em ordem, aceleramos firme até alcançar 3 590 rpm (o giro máximo).

Na melhor passagem, a lancha alcançou a casa dos 29 nós. Em seguida, reduzimos para 3 000 giros, alcançado a velocidade de cruzeiro econômico, e adicionamos um pouco de flapes, o que deixou a lancha “trimada”.

Nessas condições, a resposta foi excelente. Navegamos confortavelmente, sem pancadas ou solavancos, tanto em velocidade de cruzeiro econômico quanto em cruzeiro rápido, e mesmo enfrentando os “marolões” produzidos pela própria lancha, em 45 graus, de proa. A aceleração de 0 a 20 nós levou 14,6 segundos.

O barco é ágil e seguro, aderna o suficiente e responde rápido, fazendo curvas com excelente raio de giro. Uma das boas características dessa 52 pés é a capacidade do casco de cortar ondas de maneira macia. O ângulo do V na popa do casco, de 18 graus, faz uma enorme diferença. Em resumo, a Triton 52 Fly é um barco muito agradável, inclusive na hora de pilotar.

Características técnicas

Comprimento total: 15,6 m (51,18 pés)
Comprimento do casco: 11,8 m (38,7 pés)
Boca: 4 metros
Calado com propulsão: 1 metro
Altura do salão na entrada: 2 metros
Ângulo do V na popa: 18 graus
Combustível: 1050 litros
Água: 600 litros
Capacidade dia: 16 pessoas
Capacidade pernoite: 6 pessoas
Peso com motores: 18 200 kg
Potência: 2 x D6 370 hp a 2 x 440 hp (IPS 600)

Pontos Altos

» Espaço interno muito bom
» Navegação ágil e firme
» Construção bem-feita
» Opção de propulsão IPS ou centro-rabeta
» Interior pode ser customizado

Pontos Baixos

» Escada para cabine com degraus estreitos
» Tanque de combustível poderia ser maior
» Faltam porta-objetos no comando superior

Quanto custa?

Cerca de R$ 3,5 milhões, já equipada com dois motores de 400 hp cada Volvo Penta D6 centro-rabeta a diesel (a versão testada por NÁUTICA). Preço pesquisado em fevereiro/2021. Para saber mais sobre o modelo testado, acesse o site oficial da Triton Yachts, www.tritonyachts.com.br.

Quem fabrica?

Dá para acreditar que o engenheiro José Maria Cechelero Júnior começou montando bugues? Para a sorte do mercado náutico, há quase quatro décadas, ele direcionou os esforços para a produção de barcos de pesca do tipo bassboats e pequenas lanchas de passeio, fundando o estaleiro paranaense Triton Yachts, que mantém planta na cidade de São José dos Pinhais.

Em 2013, a empresa passou a se dedicar exclusivamente à construção de lanchas para cruzeiro (de 20 a 38 pés inicialmente). Com a Triton 52 Fly, a tradicional marca chega à faixa dos 50 pés, fabricando barcos de muito bom padrão de acabamento e conforto, além de ótimo custo-benefício. São características deste estaleiro, que hoje já soma mais de 2 000 lanchas produzidas. E não para de investir em novos produtos.

Reportagem: Guilherme Kodja
Edição de texto:
 Gilberto Ungaretti
Edição de vídeo: TakeBoom Produções
Fotos: Luciano Cavalcante/TakeBoom e Maickson Ribeiro

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