Teste Azimut 62: navegamos 134 milhas entre Santos e Angra na nova lancha da Azimut Yachts

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No coração de quem ama navegar, palpitam ansiedade e alegria quando a italiana Azimut Yachts — que tem uma fábrica em Itajaí, Santa Catarina, inaugurada em 2010 — anuncia o lançamento de uma nova embarcação no Brasil. No caso da Azimut 62, pertencente à linha Flybridge Collection da marca, lançada durante o São Paulo Boat Show 2019, as manifestações de alegria se justificam.

Os fãs da marca têm bons motivos para adorar essa 62 pés (18,75 metros de comprimento), que exibe traços que remetem a dois grandes sucessos do estaleiro italiano, a Azimut 27 Metri e a Azimut 30 Metri, da linha “Grande”, a começar pela pelas enormes e elegantes janelas panorâmicas, que deixam passar abundante iluminação natural para o salão. O objetivo, segundo o projetista Stefano Righini, é “permitir que você realmente contemple o mar, bem diante dos seus olhos”. Mas esta é apenas a virtude mais à vista dessa lancha, de estilo moderno e acabamento refinado, que eleva ainda mais o nível do mercado náutico brasileiro.

Na água, logo se percebe, também, as suas qualidades na navegação. Ainda que não seja feita para mares tempestuosos, e nenhum barco deste tipo é, em nosso teste, uma longa travessia entre Santos e Angra dos Reis, de 134 milhas, a Azimut 62 mostrou ser um barco muito macio e firme, mesmo em mar um pouco mais agitado, como na Ponta da Joatinga, em Paraty, conhecida como o nosso Cabo das Tormentas, devido às fortes ondulações e às correntes do local.

A Azimut 62 é uma lancha de passeio para até seis pessoas pernoitarem a bordo (mais dois tripulantes), cercados daquele acabamento requintado e de bom gosto típico das embarcações do estaleiro italiano. Para isso, tem duas suítes, um camarote de hóspedes com duas camas de solteiro e três banheiros — este, um diferencial interessante, uma vez que lanchas desse porte, salvo exceções, costumam ter uma suíte máster e dois camarotes de hóspedes que dividem o segundo banheiro.

Seu salão chama atenção logo na entrada, pois agrega à porta de correr uma segunda porta, do tipo residencial. Além disso, a cozinha (posicionada a ré e a bombordo do salão) tem um vidro (que a separa da praça de popa) que na verdade é uma janela, que pode ser aberta ao toque de um botão. Igual a ela, há outra janela de acionamento elétrico na lateral da cozinha, que garante ótima ventilação na hora de cozinhar.

Com dois metros de altura, o salão se divide em três ambientes: posto de comando na frente; sala de estar no centro (com um grande sofá, uma chaise, uma mesa e uma tv embutida de acionamento elétrico); e área de refeição com uma mesa dobrável com vista espetacular do mar. Mais à ré, de frente para a cozinha, há uma área de apoio da cozinha, com geladeira, freezer, armários e bancada. Com 1,98 m de altura, a cozinha tem pia com duas cubas (uma grande e uma pequena), fogão de quatro bocas, depurador de ar (coifa), paneleiras e armários.

O posto de comando interno traz, junto com o timão e os manetes do acelerador, aquelas modernidades felizmente já prosaicas em nossas embarcações: joystick, propulsores de manobra bow thruster, saídas de usb e duas telas de 12 polegadas cada (com opção de 15”) para os eletrônicos. O painel, na cor preta, tem acabamento brilhante, melhor se fosse fosco, para não refletir a luz do sol em nenhuma hipótese. Ainda assim, é muito bonito e não atrapalha a leitura dos instrumentos. E tudo está muito bem localizado, iluminado e sinalizado. A posição de pilotagem é muito boa, com ótima visão tanto da proa como das laterais, em razão da grande área envidraçada.

O design de interiores e a decoração exterior são da lavra do premiado arquiteto italiano Achille Salvagni, que assina outros projetos do estaleiro, como o iate 30 metros, impondo às embarcações um estilo sofisticado e uma atmosfera acolhedora. Mas nada no salão chama mais a atenção que a área envidraçada, tanto pelo formato como pelo tamanho, do chão ao teto, com 1,50 m de altura por 2,30 m comprimento, contornando as laterais da embarcação, arranjo que remete aos barcos de maior porte da marca, como os de 27 e 30 metros.

Descendo ao convés inferior, encontramos a suíte vip na proa; o camarote de hóspedes a boreste e o banheiro social a bombordo; por fim, a suíte máster, mais a popa, que ocupa toda a largura do casco. Com 1,95 m de altura, a suíte do proprietário oferece o conforto de uma casa, com guarda-roupas, uma cama de 1,90 m x 1,55 m, janelas simétricas, retangulares, com uma belíssima vista do mar, e uma grande vigia, para a ventilação natural. Há muita luz direta, além de iluminação indireta, que deixa o ambiente ainda mais aconchegante. No bordo oposto ao da cama, a penteadeira tem um nicho para uma tv embutida, de acionamento elétrico, que pode ser recolhida quando não estiver sendo usada.

O banheiro dessa suíte fica mais à popa (separando o quarto de dormir da casa de máquinas, o que se traduz em uma viagem ainda mais silenciosa) e ocupa quase toda a largura do casco, que é de 5,05 metros, um dos mais largos da categoria.
Na suíte vip, a cama é mais larga que a da suíte máster, com 1,90 m x 1,62 m, e o banheiro, completo, com box fechado e boa ventilação. Por sua vez, o camarote de convidados tem duas camas de solteiro, com 1,90 m x 0,68 m cada, que podem ser convertidas em uma de casal.

Na parte de fora do barco, um lounge ocupa a proa, podendo ser usado para relaxamento durante as ancoragens. Tem dois bons sofás, para seis pessoas, e uma mesa no centro. O sofá da frente pode ser convertido em um grande solário. Para isso, basta girar o seu encosto e dobrar uma das folhas da mesa. Essa área, tendência recente nos barcos acima de 55 pés, abre novas possibilidade para o uso social do barco, ampliando os espaços, digamos ficáveis: em vez de se concentrarem entre o cockpit de popa e o flybridge, as pessoas podem se distribuir por ali, uma área íntima, sossegada e totalmente aberta ao mar.

Por outro lado, a plataforma de popa tem 3,86 m de largura x 1,90 m de comprimento. A parte submersível permite embarcar um bote de apoio de 3,25 metros. Tem também aquele detalhe do qual os brasileiros não abrem mão: uma área gourmet, com churrasqueira elétrica e sombra por toldo retrátil elétrico. Ao lado do móvel gourmet fica a porta estanque de acesso ao camarote dos marinheiros, que tem duas camas de solteiro, armários, tv, ar-condicionado e banheiro. Caixas de som foram espalhadas por todo o ambiente. Para a atracação, há dois grandes cunhos de popa e passadores de cabos, além de portalós nos costados, que dão acesso direto ao píer pelos bordos.

O flybridge é espaçoso e versátil, com várias configurações possíveis, especialmente na área mais à popa, que pode ser ocupada por cadeiras espreguiçadeiras, todas móveis e configuráveis. O comando, ali, tem duas excelentes poltronas geminadas, para o piloto e um acompanhante, que pode ficar responsável pela consulta às cartas náuticas, por exemplo. A posição de pilotagem é muito boa, mas cabem algumas ressalvas.

As telas ficariam mais bem posicionadas se estivessem mais próximas do comandante, com a tela da motorização um pouco abaixo. Talvez, pudesse haver uma terceira tela, auxiliar, mas é apenas uma sugestão e não algo essencial. Também faltam saídas usb para o carregamento da bateria do celular. A cobertura (do tipo hard-top, de fibra de carbono) tem teto solar flexível e é complementada por um toldo de acionamento elétrico, que se estende até a popa do flybridge. Outra boa solução, em um barco repleto delas.

Como navega

Para testar a Azimut 62, optamos por fazer uma grande travessia no pedaço de litoral preferido dos brasileiros, entre Santos e Angra dos Reis, um trajeto de 134 milhas náuticas. A lancha estava equipada com todos os opcionais disponíveis, inclusive o sistema automático de flaps Zipwake. A bordo, seis pessoas e os tanques com a capacidade máxima de água (730 litros) e de combustível (3 200 litros).

Para as manobras de atracação, a 62 pés da Azimut Yachts conta com um sistema de joystick, que integra, em um único comando, motores e motor auxiliar de manobras. Os motores são dois Volvo D13-1000, os mais potentes da Volvo Penta, de 1 000 hp cada. Mas não espere um desempenho empolgante, pois esse não é o conceito do projeto deste belo barco. Apesar de ter acelerado muito bem, do repouso aos 20 nós, abaixo dos 12 segundos, sua velocidade máxima não passou dos 31,1 nós.

Na velocidade de cruzeiro econômico, que ficou entre 22,8 nós e 23 nós, na casa dos 1 900 giros, fizemos a travessia em uma jornada de sete horas. O barco se manteve extremamente firme durante todo o trajeto. O Zipwake impressionou. Fácil de configurar, conforme o mar que pegamos, ele funcionou mesmo, mantendo o barco bem alinhado em diferentes situações na derrota navegada.

De quebra, ainda ajudou a economizar combustível: o consumo ficou na casa dos 278 litros/h. O barco também se manteve extremamente macio ao cruzar ondulações, especialmente em Paraty, ao passar pela Ponta da Joatinga, o nosso Cabo das Tormentas, devido às costumeiras (e fortes) ondulações cruzadas e às intensas correntes.

A Azimut 62 não é uma lancha feita para enfrentar mares tempestuosos (nenhum barco de passeio é indicado para isso, diga-se), mas mesmo assim mostrou muita força e, ao mesmo tempo, maciez ao cruzar ondulações em vários ângulos, além de marolas de outros barcos grandes. A sensação em manobras na velocidade de cruzeiro foi a de navegar uma lancha menor, na faixa de 40 pés, tamanha sua obediência aos comandos. Ou seja, é um barco que impressiona, de forma positiva, também pela navegação.

O isolamento da casa de máquinas é adequado. Na rotação máxima, o ruído no posto de comando dentro do salão foi de apenas 80 decibéis, o que equivale a uma conversa mais exaltada, por exemplo. Já na suíte máster, por estar mais próxima da casa de máquinas, o ruído foi um pouco mais alto, mas nada além do normal. Em resumo, a Azimut 62 apresentou uma navegação convincente, com ótimo equilíbrio entre conforto e desempenho.

Características técnicas

Modelo: 2019
Comprimento total: 18,75 m
Comprimento do casco: 15,20 m
Boca: 5,05 m
Calado com propulsão: 1,43 m
Altura da cabine na entrada: 2,00 m
Ângulo do V na popa: 15,6 graus
Combustível: 3200 litros
Água: 730 litros
Capacidade dia: 16 pessoas
Capacidade pernoite: 6 passageiros + 2 tripulantes
Peso com motor: 33 600 kg
Potência sugerida: 2 x Volvo D13 (1000 hp cada)

Quanto custa

A Azimut 62 custa a partir de R$ 9,8 milhões (com 2 x Volvo D13 1000 hp cada). Preços pesquisados em janeiro/2020. Para saber mais sobre o modelo, acesse a ficha técnica do estaleiro.

Quem faz

A Azimut Yachts é uma marca do grupo italiano Azimut|Benetti com matriz na Itália. Com 50 anos de história, opera em 68 países com uma rede de vendas de 138 escritórios. Além das fábricas na Itália, em 2010, inaugurou unidade de produção em território brasileiro, na cidade de Itajaí, em Santa Catarina, com mais de 20.000 metros quadrados de área construída. Tem escritório na capital paulista e no Iate Clube de Santos, na sede náutica do Guarujá. Para mais informações, acesse azimutyachts.com.br., ligue para tel. 47/3405 0505 ou envie um e-mail para contato@azimutyachts.com.br.

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