Seguindo os passos do pai, velejadora Tamara Klink encara sua primeira travessia solitária

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Há um momento decisivo na vida de todo velejador ou velejadora, quando ele ou ela é obrigado a se lançar sozinho em uma travessia mais ousada. Tamara Klink, filha de Amyr Klink e Marina Bandeira, sabe do que se trata. Nascida em 1997 já com água salgada nas veias, ela tinha tarimba náutica. Afinal, cresceu vendo o pai famoso protagonizando expedições para alguns dos lugares mais inacessíveis do planeta. Além disso, ao lado dos pais, de sua irmã gêmea, Laura, e da caçula Marininha, participou de sete viagens à Antártica, e nos últimos anos vinha se aperfeiçoando na arte de navegar, como tripulante de diversos barcos. Mas nunca arriscara a se lançar sozinha no mar. Depois de muita preparação, esse momento chegou.

Em seu primeiro voo solo, Tamara encontra-se agora em algum lugar entre a Noruega e a França, e num barco próprio, como relatou a orgulhosa sua mãe, Marina Klink, em sua conta no Instagram:

Um dia a gente se dá conta de que os filhos cresceram e começam a voar seus próprios voos. Estudando na França, ela se manteve reclusa sob toda a restrição imposta pela pandemia, até que surgiu um convite para ir velejando com amigos até a Noruega. Não pensou duas vezes. Aceitou o convite! Ao chegar lá, reuniu todas as suas economias e, sem falar nada para ninguém, comprou um pequeno veleiro. Treinou manobras nos fiordes da Noruega. Conheceu o barco até se sentir preparada.

Esta manhã, se lançou no seu sonho: navegar sozinha.

Aos 23 anos de idade, Tamara faz o seu primeiro voo fora do ninho, sem a ajuda dos pais. E lá vai ela navegando da Noruega para a França!

A viagem, com escalas, deverá durar cerca de um mês. Muitos desafios e o melhor, muitos aprendizados. Entre uma lição e outra, a certeza de que está fazendo o que mais quer. Que Netuno permita que ela tenha um percurso tranquilo! Desejo sucesso no seu primeiro voo!”

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Para a travessia — a bordo de um veleiro Maxi Magic, de 26 pés, fabricado em 1984 pelo projetista sueco Pelle Petterson — é um ritual de transição de tripulante para comandante.

“Apesar de ser a primeira vez que estou navegando sozinha, eu venho me preparando para isso há muito tempo”, conta Tamara à reportagem de NÁUTICA durante uma escala na cidade de Bergen, na Noruega. “Essa velejada será importante para as experiências futuras, seja a travessia do Atlântico em solitário, que eu pretendo fazer em 2021, ou uma expedição à Antártica, que eu planejo mais para frente. É uma etapa do aprendizado que eu precisava viver. Só posso aprender a navegar sozinha navegando!”, diz, com notável maturidade.

Tamara escolheu a França como residência, um local para se preparar para o seu sonho. Ela está se especializando em Arquitetura Terrestre e Naval em uma das maiores escolas de arquitetura do país, a Escola Superior de Arquitetura de Nantes, cidade da região da Alta Bretanha onde divide o seu tempo entre os estudos, a navegação, a produção de conteúdo de seu canal no YouTube (que contabiliza 15 mil inscritos) e o projeto de um veleiro da classe Mini Transat, que ela chama de “um pequeno barco voador”, por ter apenas de 6,50 metros e ser muito rápido, com o qual pretende fazer a travessia do Atlântico.

Para dar vida ao veleiro, ela busca apoiadores que abracem a ideia. “Esse projeto me motiva muito! Uma hora encontro apoiadores animados em construir isso comigo”, avisa. Esperamos que encontre logo. A Mini Transat está prevista para setembro de 2021.

Sobre a travessia Noruega-França, quem quiser pode acompanhar o dia a dia da Tamara a bordo do veleiro Maxi Magic por meio de um mapa interativo ou no canal dela no YouTube. “Me impus o desafio de toda terça e toda quinta, às 19 horas, publicar um vídeo dizendo o que houve, onde estou, o que aprendi”, avisa a velejadora. Seu único medo é ficar longe do mar.

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