Schaefer 510: bom acabamento e versatilidade da cabine são os destaques desta lancha

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A Schaefer 510 chegou ao mercado com uma difícil missão: substituir a consagrada Phantom 500. Lançada em 2004 como Phantom 470, esta lancha veterana de 15 metros de comprimento (chamada ainda de Phantom 480 antes de ganhar sua sigla definitiva), vendeu, incluindo a versão com hardtop, mais de 200 unidades em quase 13 anos de produção — algo como uma unidade por mês!

Meia dúzia de pessoas podem aproveitar sentadas a mesa de refeições na praça de popa (Foto: Divulgação)

Com uma identidade própria, marcada pela série de quatro janelas pretas no costado, a Schaefer 510 tem, entre os pontos fortes, uma superestrutura aerodinâmica, flybridge grande e uma plataforma de popa igualmente generosa, com capacidade para içar até 1 000 kg. Mas é por dentro que ela promete arrebatar o coração dos clientes. Em uma das suas versões, oferece nada menos do que três camarotes fechados e três banheiros, sendo uma suíte máster à meia-nau — layout mais comum em lanchas maiores.

A Schaefer 510 tem três camarotes e três banheiros (Foto: One Drone Day)

Versátil, a Schaefer 510 também pode sair de fábrica com duas suítes, cozinha e sala íntima no convés inferior ou, se o cliente preferir, com três camarotes, dois banheiros e uma cozinha no mesmo piso dos camarotes — dificilmente uma dessas versões não irá atender quem busca uma boa lancha com flybridge na faixa dos 50 pés.

Tanto o posto de comando interno quanto o do flybridge são muito bem equipados e confortáveis
para pilotar (Foto: Alberto Sodré)

COMO ELA É

Uma das primeiras boas surpresas da Schaefer 510 fica logo na entrada. Além do tamanho generoso da plataforma de popa (uma tendência das lanchas cabinadas brasileiras), ela é submergível e tem capacidade para até 1 000 kg, incluindo o próprio peso — ou seja, dá para carregar, com folga, o jet mais robusto do mercado, ou servir como uma gostosa prainha particular. Outro detalhe de engenharia interessante (e eficiente) na popa desta lancha é a escada de acesso, que se abre automaticamente conforme a plataforma desce — e fecha à medida em que a plataforma sobe.

A cozinha gourmet na popa pode ser usada mesmo quando a plataforma estiver submersa (Foto: Alberto Sodré)

As sacadas não param por aí. A cozinha gourmet (uma das criações da própria Schaefer, no antigo modelo Phantom 470, lançado há mais de uma década), junto ao espelho de popa, fica na parte fixa da plataforma, o que possibilita ser usada mesmo quando a plataforma móvel estiver submersa.

O flybridge é amplo, com bons sofás, e cobre toda praça de popa (Foto: Divulgação)

Com a entrada feita por degraus largos, o cockpit da Schaefer 510 — totalmente protegido pelo convés do flybridge —, tem um sofá em L com mesa de centro (para seis pessoas, contando com duas cadeiras removíveis) de bom tamanho para o porte da lancha. Já o fly tem um sofá generoso em forma de C na parte traseira (com uma grande mesa de centro), além de um móvel-bar e dois bancos duplos, sendo que o do piloto fica a boreste. No total, até dez pessoas podem ficar confortavelmente sentadas no fly, a parte mais alta e desejada das lanchas.

O salão, assim como os outros ambientes da lancha, tem o típico acabamento de bom gosto dos barcos Schaefer Yachts. O móvel da cozinha, logo na entrada, fica escondido debaixo de uma tampa articulada (Foto: Alberto Sodré)

O salão, assim como todos os ambientes internos desta lancha, apresenta o típico acabamento de bom gosto da marca. Nele, há um sofá em U com mesa de centro a bombordo e uma cozinha no móvel a boreste, junto à entrada. Este sofá pode acomodar até seis pessoas, se for usado também o espaço no corredor, onde pode ser colocada uma banqueta. O posto de comando interno, com espaço no painel suficiente para acomodar dois monitores de 12 polegadas cada, completa o arranjo do salão, cuja visibilidade é boa em todas as direções, graças ao grande para-brisa e às janelas laterais.

A suíte principal, no centro do barco, aproveita bem a boca de 4,36 metros e tem até um sofá (Foto: Alberto Sodré)

O grande destaque no convés inferior é a suíte principal, no centro do barco, que aproveita bem a boca de 4,36 metros e ainda tem um sofá. O pé-direito varia entre 2,30 e 1,82 m, sendo que a cama de casal tem 1,60 m por 1,97 m. Um pouco mais à frente fica o camarote de hóspedes, a boreste, com duas camas de solteiro (0,60 m x 1,83 m e 0,66 m x 1,86 m). As camas deste quarto não são muito grandes, mas podem ser unidas para formar uma cama de casal. O banheiro deste camarote também não é muito generoso, mas é exclusivo para este ambiente — algo inédito entre as lanchas da categoria.

A proa abriga a terceira suíte, com banheiro completo, uma boa cama de casal e altura (1,97 m) bem agradável na entrada (Foto: Alberto Sodré)

A proa abriga o terceiro camarote, com uma boa cama de casal de 1,96 m de comprimento por 1,80 m na parte mais larga. O pé-direito na entrada deste camarote é alto, com 1,97 m. Por tudo isso, a Schaefer 510 é uma lancha que agrada quem busca um modelo de primeira linha e faz questão de conforto nos pernoites, com seis pessoas bem acomodadas.

O banheiro da suíte principal, como não poderia deixar de ser, é o maior a bordo (Foto: Alberto Sodré)

COMO NAVEGA

Em quase 30 anos de testes de barcos, raramente enfrentamos as águas no entorno da Baía da Guanabara, no Rio, tão calmas quanto no dia da avaliação da Schaefer 510. Praticamente não havia ondas junto à Fortaleza das Lages, bem na entrada da barra, lugar que tradicionalmente oferece condições adversas para colocar os barcos à prova. Os ventos também não apareceram no dia, o que deixou as águas ainda mais calmas. Por conta disso, repetimos várias manobras cortando a nossa própria esteira, além de enfrentar as ondas geradas por outras lanchas que navegavam por perto. Nesta etapa do teste, não detectamos nenhum problema com a estabilidade e menos ainda com o desempenho do casco, que navegou suavemente.

O desempenho abaixo do esperado na velocidade máxima deve-se à relação peso-potência do conjunto, ou seja, 18,3 toneladas para apenas 870 hp. Por outro lado, o uso de motores menores (e menos potentes) reflete positivamente no preço mais baixo da embarcação (Foto: Alberto Sodré)

Dias depois, desta vez navegando fora da barra da Baía da Guanabara, enfrentamos águas menos tranquilas, com ondas em torno de meio metro, mas pouco vento. Mesmo assim, o casco da Schaefer 510 não apresentou nenhum problema. Apenas a agilidade nas manobras, na faixa de velocidade de cruzeiro, não foi tão eficiente — o que pode ser facilmente melhorado ajustando o ângulo de curva das rabetas Volvo IPS. A propósito, a velocidade de cruzeiro, de 22 nós, com dois Volvo IPS 600, de 435 hp cada (única motorização oferecida pelo estaleiro), é compatível com o que se espera de uma lancha cabinada com flybridge deste porte. Já a velocidade máxima, de 28,3 nós, poderia ser um pouco melhor. O desempenho não tão satisfatório desta 51 pés na velocidade máxima deve-se, principalmente, à relação peso-potência do conjunto, que é de 18,3 toneladas para apenas 870 hp.

Tanto o posto de comando interno quanto o do flybridge são muito bem equipados e confortáveis para pilotar (Foto: Alberto Sodré)

A autonomia, de 176 milhas a 3 200 rpm, também ficou abaixo do que se espera de uma lancha de 50 pés, que é de cerca de 200 milhas. Na prática, contudo, menos autonomia na navegação significa redobrar a atenção em travessias mais longas. Por outro lado, usar motores menores (e menos potentes) reflete positivamente no preço mais baixo do conjunto e na vantagem de ocupar menos espaço na casa de máquinas, o que facilita a manutenção.

Obtivemos a maior autonomia tanto a 2 200 rpm quanto a 3 600 rpm. Mas recomendamos navegar a 3 200 rpm, com a velocidade de 22 nós em percursos maiores, no qual é possível navegar 176 milhas com os tanques cheios

Características técnicas

• Comprimento máximo:15,82 m
• Comprimento do casco:14,35 m
• Boca:4,36 m
• Calado com propulsão:1,26 m
• Borda-livre na proa: 1,70 m
• Borda-livre na popa: 1,70 m
• Ângulo do v na popa: 17 graus
• Altura da cabine na entrada:1,99 m
• Altura mínima dos banheiros:1,95 m
• Altura mínima nos camarotes:1,96 m
• Combustível:1 300 litros
• Água:580 litros
• Peso com motor:18 300 kg
• Capacidade (diurno/noturno):16/6 pessoas
• Motorização: Centro-rabeta ou linha de eixo
• Potência: 2x 435 hp com rabetas fixas ou linha de eixo e pé-de-galinha

 

Quem faz

Foto: Divulgação

A catarinense Schaefer Yachts, estaleiro fundado em 1992, é um dos maiores fabricantes nacionais de barcos de lazer. Desde o início das atividades até dezembro de 2015, a marca produziu 3 330 barcos. Sua linha tem, atualmente, sete modelos de lanchas, de 30 a 64 pés e um iate de 83 pés. Para saber mais, www.schaeferyachts.com.br.

Este teste foi publicado pela Revista Náutica na edição 347, em julho 2017. 

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