Samurai que sonha em velejar pelo mundo é um dos 33 competidores da Vendée Globe

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Entrando no clima da Vendée Globe, que começa no próximo domingo, dia 8, um dos competidores mais chamativos, entre os 33 velejadores, certamente é o japonês Kojiro Shiraishi. O capitão da DMG MORI Global One sonha em ser o primeiro asiático a dar a volta ao mundo nesta competição.

Em entrevista ao jornal italiano La Gazzetta dello Sport, Kojiro confidenciou que não sente medo de ter que, novamente, abandonar a prova. “O medo é algo que a mente cria. Desmaiei em meu último Vendée Globe, mas não tenho medo disso. Foi apenas má sorte. Agora tenho um barco sólido e tenho a certeza”, completa.

O Samurai de 53 anos de Kamakura, uma cidade costeira ao sul de Tóquio, está determinado a concluir a prova. “Completar o Vendée Globe seria um grande sucesso”, explica. “Tem sido meu sonho. Há 4 anos eu tive que desistir de correr e desviar para a África do Sul a bordo do Spirit of Yukoh (seu barco antigo)”, detalha.

“Se eu também puder me divertir e curtir a grandeza do mundo, será ainda mais bonito ainda”, pontua. “No entanto, o maior resultado será terminar e mostrar a todos que me seguem que posso ser o primeiro capitão asiático a terminar esta corrida”, complementa.

Apesar da vela não ser um esporte tão popular no Japão, Kojiro está atraindo o interesse de jovens marinheiros japoneses, alguns dos quais se juntaram a ele a bordo do DMG MORI, para ganhar experiência. O capitão também está investindo na divulgação do esporte em seu país de origem e sabe que a mídia japonesa vai cobrir a largada da regata.

O Samurai ainda conta que dois canais de TV japoneses irão transmitir a prova. “Farei muitas entrevistas ao vivo e tentarei mostrar aos japoneses como esta corrida é fantástica. Eu só quero deixar todos ao meu redor felizes com o que faço. Este é o objetivo da minha vida”, conta.

Kojiro conhece o oceano e diz que vem conhecendo ainda mais suas habilidades. “Aprendi que existem erros humanos que o oceano não consegue perdoar. O oceano é forte e poderoso, então nada está perdoado”, disse ele.

A pandemia afetou a preparação de Kojiro e de todos os outros. Uma particularidade no caso do Samurai é que se tudo estivesse normal, uma legião de japoneses o apoiaria antes de sua partida.

 

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Além disso, ele reconhece que não foi fácil para os organizadores manterem a corrida no caminho certo. “Gostaria de agradecer a todos os participantes da Vendée Globe, bem como a todos aqueles que tornaram esta regata possível”, disse ele. “Tenho certeza de que há algumas decisões difíceis a tomar e estou feliz que esta corrida esteja se desenrolando.”

Kojiro finalmente acrescenta que apreciou a recepção recebida na França durante a preparação. “São poucos os velejadores asiáticos que vêm fazer a Vendée, e se um dia chegar outro, peço a todos – capitão ou torcedor – que o recebam como fizeram comigo”, finaliza o Samurai sonhador dos mares.

Por Gustavo Baldassare sob supervisão da jornalista Maristella Pereira

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