Receita de Sucesso

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Modo de Preparo: Em um recipiente, adicione 3 xícaras de comunicação e 5 colheres de boa gestão. Em seguida, misture com 100 gramas de flexibilidade e mais 5 xícaras de tecnologia. Bata por alguns minutos até a mistura ficar homogênea. Acrescente organização e responsabilidade e bata novamente. Por último, adicione 8 xícaras de inovação e cooperação. Não deixe desandar. Despeje todo o conteúdo em uma forma untada com funcionários eficientes e leve ao forno pré-aquecido a 180ºC. Observe até perceber que está no ponto. Recheie com vantagens competitivas e 3 colheres de resiliência. Se quiser, faça a coberta utilizando liderança e agilidade. Por fim, sua empresa está pronta!

O café da manhã em Amsterdam na semana passada ao lado da CEO da Montecarlo Yachts, Carla Demaria, foi a confirmação de que a velocidade de adaptação as mudanças é a chave do sucesso na indústria náutica. A mudança no sentido de conquistar mercados e a constante pressão dos consumidores tem levado muitas empresas a expandirem e radicalizarem seu âmbito de ação. Durante os últimos anos tem sido possível observar exemplos de fracassos de empresas que não acompanharam a evolução da competitividade por novos modelos, maior industrialização e redução de custos internos, e com isso perderem competitividade.

Mas porque as indústrias perdem competitividade?  Não bastaria seguir uma receita de sucesso?

A resposta é não. Por mais que sua empresa esteja munida de adjetivos atrativos, ela precisa saber lidar com as situações de um mercado em constante evolução. Uma empresa que quer estar à frente precisa antever a volatilidade dos dias de hoje e estar apta a mudar o modo de encarar os desafios e a intensidade de todas as variáveis do processo de fabricação e comercialização.

Tomar decisões certas e rápidas pode resultar em liderança de mercado. O contrário pode implicar no futuro de toda uma organização.  O planejamento estratégico sustenta uma empresa na medida em que ele prevê o seu trajeto em longo prazo. Uma empresa não pode ter um pensamento otimista, é preciso ter certeza de que as coisas podem dar errado, e se der errado, ela deve ter “cartas na manga” para agir prontamente quando algo fugir do controle. Demaria prega que sua empresa não tem um plano de ação, mas um plano “para” ação.

Parafraseando um filosofo grego: “Não existe vento favorável para o marinheiro que não sabe aonde ir”. Desta forma se percebe que ter uma visão não é suficiente para que uma empresa vença. Ela precisa ser transformada em ações estratégicas e em táticas para alcançar um objetivo.  A diferença entre um construtor de barco bom e outro eficiente é o modo que ele age e a velocidade em que ele muda de rumo.

Demaria também ressalta a importância da integração entre fornecedores e fabricantes e a necessidade de desenvolver os melhores produtos da maneira mais rápida possível. É preciso trabalhar com a cadeira de fornecedores de uma forma estável de modo que ambos os lados se beneficiem de uma economia de escala, e desta forma deve-se ajudar o fornecedor a melhorar também sua eficiência em vez de caçar redução de custos trocando constantemente de fornecedores.

Por fim, não existe receita de bolo para o sucesso. Existe um conjunto de ações, táticas, ideias e estratégias que precisam acompanhar e se adaptar a realidade de todo o negócio.

 

Nota: Carla Demaria é CEO da Monte Carlo Yachts MCY, parte do grupo Beneteau que teve uma queda de faturamento de 60% em 2008 e hoje está a apenas 20% do faturamento original da mesma época. 

*participação especial Gabriella Ferreri e Thais Mota (Barracuda Composites)

Evino