Procura-se o vento

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O segundo dia de regatas para todas as classes na Ilhabela Sailing Week impôs dificuldades à Comissão de Regatas que teve de se esforçar para montar as raias no Canal de São Sebastião. A quarta-feira (8) foi marcada pelos ventos fracos e rondados, além da chuva. A ideia da CR era de posicionar a linha de largada em frente ao Yacht Club de Ilhabela (YCI), mas após duas horas de espera os barcos tiveram de seguir no rumo norte em busca do vento.

Com atraso de quatro horas a Comissão de Regatas, conseguiu organizar a largada para várias classes ao norte de Ilhabela. O leste finalmente entrou com 5 ou 6 nós permitindo uma prova de percurso médio. As classes HPE 25 e Star foram liberadas para retornar ao Yacht Club de Ilhabela. Predominou o céu nublado, com chuva esporádica e temperatura em torno de 21 graus.

O fita azul, primeiro barco a cruzar a linha de chegada, foi o Magia Energisa, com o comando de Lars Grael, em duelo casco a casco com o uruguaio Cristabella na aproximação da linha de chegada. “Eles têm 48 pés, contra 40 do Magia, por isso andam mais no contravento. Fizemos o melhor possível dentro das condições da regata. A CR acertou ao optar por uma regata curta mesmo no final da tarde. Salvou o dia”, observou o medalhista olímpico.

A tripulação do rival uruguaio também deixou a raia com a sensação do dever bem cumprido. “Foi uma regata muito bonita. Largamos bem e montamos a primeira bóia em primeiro lugar. O Magia só nos ultrapassou no final do popa. Nosso contravento está muito forte. Já havíamos velejado próximos ao vencedor Camiranga da Regata Alcatrazes. Estamos muito contentes com o desempenho do barco e por estarmos em Ilhabela”, enfatizou o timoneiro do Cristabella, Martin Meerhoff.

No tempo corrigido, a vitória foi do Santa Fé V, de Nelson Ávila Thomé. O Cristabella acabou em terceiro e o Magia em nono. Somadas as duas regatas, a liderança da ORC é do Seu Tatá, de Paulo Cesar Haddad, com 8,5 pontos perdidos.

A classe C30 também viveu uma chegada emocionante na única prova do dia. O Zeus Team, de Florianópolis, liderou quase todo o percurso. “Foi uma regata de recuperação. Em cima da hora conseguimos passá-los no popa. Uma vitória dramática”, definiu Alexandre Muller, trimmer (regulador de velas) do vencedor, Loyal CA Technologies, que lidera a classe com 3 pontos perdidos. O Zeus ainda foi ultrapassado pelo Caballo Loco e terminou em terceiro.

Várias ações desenvolvidas neste ano pela parceria entre o Yacht Club de Ilhabela (YCI) e a Prefeitura Municipal contribuem para aproximar o público da principal competição de oceano do País. No sábado (11), dia das regatas decisivas, os veleiros sairão às 10h30 do YCI em percurso de ida e volta até o Pindá Iate Clube, no Pequeá.

A passagem da flotilha pelo píer da Vila será narrada por locutor que levará ao público local e aos turistas as informações sobre a competição, barcos e tripulações. Quem estiver em terra poderá acompanhar e entender a movimentação dos veleiros no Canal de São Sebastião. O desfile de competidores é tradição em cidades do mundo todo que tenham vocação náutica, conforme a Capital Nacional da Vela.

O respeito pelo mar, sentimento inerente aos velejadores, foi observado no YCI após uma tartaruga debilitada ser encontrada perto do píer flutuante. Bem preparados para lidar com a situação, funcionários do YCI acionaram o Ibama, em Caraguatatuba. Um integrante do Instituto se dirigiu prontamente ao YCI e assim que chegou iniciou o processo de hidratação do animal marinho.

A tartaruga verde, ou oliva, como a espécie é conhecida popularmente, foi transportada ao Ibama, em Caraguá em caixa plástica. Depois dos primeiros socorros seria levada ao Projeto Tamar, na cidade vizinha Ubatuba. “É a espécie mais comum na costa brasileira. Ela realmente precisava ser hidratada com urgência e ser transportada sem água. O procedimento foi correto”, avaliou a velejadora Andrea Grael, especializada em biologia marinha pela Universidade Federal Fluminense.

A tripulante do Magia Energisa estima que o animal esteja na fase juvenil, com idade entre 8 e 12 anos. “As agressões às tartarugas sempre são provocadas por ações humanas. As três principais causas de morte e lesões são: ingestão de lixo indevidamente lançado à água, rede de pesca e espinhel, e atropelamento por lanchas quando estão flutuando para respirar”, relatou Andrea.

Líderes de cada classe até esta quarta-feira
ORC Geral e ORC A – Seu Tatá (Paulo Cesar Haddad.)
ORC B – Dourado (Escola Naval)
ORC C To Nessa (Renato Faria)
C30 – Loyal/CA Technologies (Marcelo Massa)
HPE 30 – Thaiti Nui (Juninho de Jesus)
Clássico – Cangrejo (Ricardo Carvalho)
Mini – Xavante 1 (Karina de Oliveira Santos)
Bico de Proa A – Viveree (Atanawe Boechat)
Bico de Proa B Cocoon (Luiz Caggiano)

Fotos Marcos Méndez/Sail Station e Fred Hoffmann

 

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