Artista e ativista ambiental britânico inaugura museu subaquático em Cannes, na França

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2003

O escultor e ativista ambiental britânico Jason deCaires Taylor é conhecido por suas obras em tamanho natural que repousam no fundo do mar, em museus subaquáticos que podem ser visitados pelo público em destinos turísticos como Cancún, no México, e Lanzarote, nas Ilhas Canárias.

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No último dia 1º de fevereiro, o artista inaugurou mais um endereço para visitantes dispostos a saírem molhados de um museu. O Underwater Museum of Cannes (“Museu Subaquático de Cannes”, em português) fica em uma marina desativada dessa cidade da Riviera Francesa e é considerado o primeiro do gênero em todo o país.

O ecomuseu fica em Sainte-Marguerite, ilha que ficou famosa pela fortaleza que abrigou o misterioso Homem da Máscara de Ferro, no século 17, um prisioneiro não identificado que passou 34 anos sob custódia do mesmo carcereiro.

As obras de Taylor não são apenas a forma encontrada de alertar sobre o colapso ambiental mundial e manifestar suas preocupações sobre o assunto, mas também uma integração harmoniosa com o entorno. Por isso, o novo atrativo francês contou com a participação de moradores da região que tiveram seus rostos usados como molde para as esculturas do artista, como o pequeno Anouk, de 9 anos, e Maurice, um pescador de 80 anos.

O trabalho levou quatro anos para ficar pronto e é a primeira instalação do artista no Mar Mediterrâneo. “A máscara é uma metáfora do oceano. Um lado representa força e resiliência; o outro, fragilidade e decadência”, explica Taylor. A uma profundidade de cerca de três metros, o museu é o mais acessível do portfólio de Taylor, já que é possível visitá-lo apenas fazendo snorkelling, e suas peças, assim como em todas as outras intervenções de Taylor, são fixadas no fundo do mar para evitar que o próprio mar desloque o museu.

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Formado pelo London Institute of Arts, esse artista de 47 anos é considerado pioneiro em levar para o mundo marinho os conceitos da Land Art, movimento de integração da arte com o meio ambiente. É também de sua autoria o Molinere Underwater Sculpture Park, primeiro parque de esculturas marinhas, inaugurado em 2006, em Grenada, no Caribe.

Seus projetos procuram chamar a atenção para a fragilidade da biosfera marinha e a urgente necessidade de proteção. Por isso, suas obras são feitas com materiais de Ph neutro e superfícies texturizadas são criadas para darem origem a espaços de proteção e áreas de reprodução, a fim de atraírem a fauna e a flora locais para a criação desses recifes artificiais. A cada temporada, o museu vai ganhando novas formas e texturas, de acordo com a proliferação de algas e outros seres marinhos.

Assim como avisa o artista, suas obras ficam em áreas afastadas de sistemas naturais de recifes e têm servido como um laboratório vivo para documentação e monitoramento do desenvolvimento de um recife desde o início, cuja biomassa marinha, em alguns casos, apresentou um aumento de mais de 200% em áreas desertas do mar. Em outras palavras, o conceito de arte transformadora foi atualizado com sucesso.

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