Navio polar da Marinha do Brasil inicia 39ª edição da Operação Antártica nesta quarta

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A Marinha do Brasil, em continuidade às ações que visam a dar suporte ao Programa Antártico Brasileiro (PROANTAR), envia ao continente antártico, o navio polar “Almirante Maximiano” — o “Tio Max”, como é conhecido por sua tripulação —, que desatrou do Arsenal de Marinha do Rio de Janeiro, às 10h desta quarta-feira, 28 de outubro.

A 39ª Operação Antártica (Operantar 39) acontecerá até abril de 2021 e contará, ainda, com a atuação do Navio de Apoio Oceanográfico “Ary Rongel”, cuja desatracação está prevista para 3 de novembro.

A decisão de criar um Programa Antártico partiu do almirante Maximiano da Fonseca, ministro da Marinha de 1979 a 1984. Hoje seu nome está no casco do maior e mais moderno navio polar do Brasil (93 m de comprimento). A primeira Operação Antártica (Operantar 1) foi montada em 1982, com a participação do Navio de Apoio Oceanográfico “Barão de Teffé” e do Navio Oceanográfico “Professor Besnard”, da Universidade de São Paulo (USP). O objetivo da missão era identificar um local para implantar uma estação brasileira permanente, condição para o país tornar-se membro do Tratado Antártico (1959). O local escolhido foi a baía do Almirantado, na altura do paralelo 620.

Destruída por um incêndio em 2012, a Estação Antártica Comandante Ferraz foi reinaugurada em janeiro de 2020 com o mesmo nome, ao custo de US$ 100 milhões de dólares, no mesmo endereço da antecessora — a ilha do Rei George, a 130 km da Península Antártica. O prédio principal, com 4.500 m² e 18 laboratórios, pode abrigar 64 pesquisadores.

Em 2020, Operação Antártica (Operantar 39) se reveste de ainda maior importância, ao garantir a continuidade do PROANTAR, mesmo nesse cenário desafiador imposto pela pandemia da Covid-19. Em face dessas restrições, este ano não haverá embarque de pesquisadores das diversas instituições de ensino e pesquisa do País, que desenvolvem projetos de pesquisa em áreas como oceanografia, biologia, geologia e meteorologia, utilizando como base o Navio, a Estação Antártica Comandante Ferraz e os acampamentos estabelecidos na região antártica.

O navio polar “Almirante Maximiano”, sob o comando do Capitão de Mar e Guerra Anderson Marcos Alves da Silva, terá como principais tarefas efetuar o apoio logístico à Estação Antártica Comandante Ferraz, desenvolver trabalhos de reparo e manutenção nos refúgios antárticos e recolher material remanescente de acampamentos realizados em operações anteriores. Serão realizados, também, levantamentos hidrográficos, visando à atualização de cartas náuticas sob responsabilidade do Brasil, como membro da Comissão Hidrográfica da Antártica, na Organização Hidrográfica Internacional (OHI).

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Para auxiliar no cumprimento da missão, serão utilizadas duas novíssimas aeronaves UH-17, do 1º Esquadrão de Helicópteros de Emprego Geral, que Marinha do Brasil recebeu em 2020.

Essas aeronaves embarcadas representam um importante vetor de apoio ao PROANTAR, por proverem apoio à ciência, em locais remotos e de difícil acesso, além de serem fundamentais no auxílio à navegação nas águas austrais, realizando esclarecimento de campos de gelo e indicando a melhor derrota a ser seguida em áreas com grande presença de cobertura glacial.

O porto de Rio Grande, no Rio Grande do Sul, será a primeira escala do “Almirante Maximiano”. No local, será concluído o embarque do material destinado ao reabastecimento da Estação Antártica Comandante Ferraz e serão fornecidas as vestimentas antárticas para a tripulação do navio.

A OPERANTAR é uma das mais complexas e extensas operações realizadas, regularmente, pela Marinha do Brasil, e envolve um planejamento minucioso, para garantir a presença brasileira no continente antártico. Cabe ressaltar a situação geográfica favorável do Brasil de relativa proximidade com a Antártica, tornando a presença naquele continente, também, uma questão geopolítica estratégica.

Sua relevância é ainda mais significativa em virtude do papel da Antártica nos sistemas naturais globais, agindo como principal regulador térmico do planeta, controlando as circulações atmosféricas e oceânicas e influenciando o clima e as condições de vida na Terra. Desse modo, torna-se cada vez mais importante compreender a Antártica, e estar presente na região proporciona maior relevância ao Brasil nos fóruns internacionais.

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