Posso ou não navegar? Autoridades apontam soluções durante NÁUTICA Live

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Foto: Shutterstock

Em qualquer conflito ou impasse, nada como um bom diálogo, em uma perspectiva reflexiva (em vez dos debates acalorados que acontecem nas redes sociais) para corrigir problemas. Foi o que fez o Grupo NÁUTICA, nesta quinta-feira, 07/05, ao promover uma live sobre o impacto do isolamento social no setor náutico. O encontro foi transmitido ao vivo no Youtube e no Facebook e teve mais de 1000 pessoas acompanhando simultaneamente.

O tema em debate, “Posso navegar? Sim ou não?”, é a grande pergunta que o setor náutico está se fazendo no momento. E o encontro permitiu exatamente isso: discutir os diversos cenários existentes e avaliar as oportunidades de um recomeço.

Com mediação da jornalista Millena Machado (ex-como apresentadora do programa Auto Esporte, da TV Globo), nossa live reuniu o Vice-Almirante Alexandre Cursinode Oliveira (Diretor de Portos e Costas da Marinha do Brasil); Ernani Paciornik (presidente do Grupo Náutica, um dos maiores empreendedores do setor no país); Roberto Justus (prefeito da cidade de Guaratuba/Paraná); Fernando Jordão (prefeito de Angra dos Reis); Bianca Colepicolo (Secretária de Desenvolvimento Econômico e do Turismo de Ilhabela); e Guilherme Westphal (navegador e prestador se serviços náuticos).

Qual o objetivo da live?

Ernani Paciornik abriu a NÁUTICA Live alertando que o grande objetivo da discussão seria encontrar uma saída, não só para a situação atual, mas também para o que pode vir pela frente. “Existem vários lados. Eu vejo o barco como uma solução, como um isolamento natural, assim como uma casa na fazenda, desde que organizada. Também é importante a sobrevivência do mercado, que é a sobrevivência das pessoas. Nosso objetivo é encontrar o equilíbrio”, afirmou o presidente do Grupo Náutica.

Ele defendeu o diálogo entre os setores público e privado para encontrar a melhor maneira de lidar com o que está acontecendo e trouxe exemplos de fora do país de como estão lidando com a situação. “A França permite acesso e controla a saída, no Canadá não tem restrições, nos Estados Unidos abriram alguns lugares, no Reino Unido, na Espanha e na Grécia estão fechadas. Se a gente encarar um barco para a família como um ônibus de turismo, a gente está errando. Tem muita gente que está fazendo a quarentena no barco, mas isso não quer dizer que vá descer na ilha ou em uma praia”, disse Ernani.

Luz no fim do túnel

Dá para resumir de modo preciso, conciso e rápido o resultado desse diálogo, que se estendeu por pouco mais de duas horas: há luz no fim do túnel. Sim, muito em breve, poderemos ter uma retomada da navegação em cidades que decretaram o fechamento de marinas e iates clubes.

A conclusão, otimista, pode ser extraída, por exemplo, da declaração da secretária de Turismo de Ilhabela, Bianca Colepicolo:

ILHABELA VAI DIALOGAR COM MARINAS E IATES CLUBES PARA REVER A ABERTURA PARA A NAVEGAÇÃO

Segundo a secretária, já há um entendimento de que o proprietário de barco deve ser tratado como proprietário de residência na ilha. “A prefeitura está preparando um procedimento para receber as pessoas de uma forma segura, que não coloque ninguém em risco, que é para evitar o colapso do sistema de saúde. A operacionalização das coisas está sendo preparada. Na hora que as equipes de saúde autorizarem, a gente dá mais um passinho”, disse.

“Mas os donos de marinas e comodoros de iates clubes devem ser co-responsáveis, quando a gente tiver essa proposta de navegação”, ressalta Bianca. “Porque as prefeituras não têm pernas para fiscalizar tudo ao mesmo tempo. Precisamos de parcerias para que as regras que venham a ser combinadas possam ser cumpridas”, completou a secretária, que ainda destacou que colocar medidas em prática é difícil porque sempre vai desagradar alguém. “Tem a pessoa que vai respeitar as regras e vai ter quem vai desrespeitar. No caso de agora, não adianta punir. Uma pessoa que desrespeita a regra leva o prejuízo para a sociedade inteira. Uma multa não paga isso”.

De acordo com a secretária, a atuação do arquipélago vai ao encontro das medidas tomadas pelo Governo do Estado de São Paulo, visando evitar a circulação de pessoas e a prefeitura comemora o resultado. “A gente tem que fazer as coisas com responsabilidade e diálogo. Ilhabela comemora os resultados que teve até hoje. Enquanto os casos crescem exponencialmente, a gente não tem tido esse resultado negativo”, enfatizou.

Angra dos Reis: marinas abertas

O prefeito de Angra dos Reis, Fernando Jordão, explicou que autorizou o funcionamento das marinas, impondo restrições apenas às embarcações de turismo. Apesar da flexibilização, o coronavírus não avançou de forma significativa sobre a população do município, de 204 mil habitantes. “Angra foi uma das primeiras cidades do Brasil a montar sua própria estrutura para enfrentar a pandemia. Montamos na Santa Casa 100 leitos, com 40 respiradores. Hoje, 28% desses leitos estão sendo ocupados. Além dessa estrutura, montamos oito tendas, inclusive uma em Abraão, na Ilha Grande, para receber todas as pessoas sintomáticas do coronavírus. Se nós chegarmos a 50% da curva de inflexão, não tenham dúvidas de que vamos tomar medidas mais restritivas. Já se a curva cair, teremos outras flexibilidades”, afirmou.

Por sua vez, o prefeito Roberto Justus, de Guaratuba — cidade que impôs restrições de navegação em suas baias e rios, para evitar a disseminação do coronavírus — afirmou que a conversa com outros gestores, como o prefeito de Angra dos Reis, trouxe novos elementos que permitem repensar a estratégia adotada até agora.

“O caminho para isso (a retirada das restrições de navegação) é o diálogo”, disse ele. Nesse sentido, ele fez um apelo para que as lideranças do setor — gestores de marinas, usuários de barcos, prestadores de serviço náutico — se organizem e levem uma proposta à prefeitura. “Aí, a prefeitura vai avaliar, vai discutir com o Ministério Público e com os responsáveis pelo Saúde, para ver até onde a gente consegue conciliar o combate à Covid-19 e os direitos individuais. Isso tudo num ambiente saudável, sem ofensas nem revanchismos. Nem um gestor tem prazer em impedir a navegação, ainda mais em uma cidade turística”.

E o que diz a Marinha?

Para o vice-almirante Alexandre Cursino de Oliveira, Diretor da Diretoria de Portos e Costas, segurança é a palavra chave para se encontrar uma solução eficiente. “Durante os Jogos Olímpicos do Rio, em 2016, nós conseguimos interditar a Baía de Guanabara, no fim da tarde, permitindo a entrada de navios mercantes, para abastecer a cidade, e, ao mesmo tempo, durante o dia, garantir a realização das regatas e a navegação dos barcos menores”, lembrou, dando um exemplo de coordenação bem sucedida. “Então, a minha sugestão é que utilizem as ferramentas que já existem, como o Conselho de Assessoramento, cuja principal mensagem é de educação. É com a participação de todos, tendo em mente em caráter educativo, é que teremos o equilíbrio necessário para usufruir o prazer de navegar”.

Por parte da autoridade marítima, não existe proibição à navegação

Vale lembrar que a imposição de medidas restritivas à circulação de barcos no ambiente marítimo é atribuição da Marinha, por meio de suas Capitanias, e da União. Mas, como explica o Diretor da Diretoria de Portos e Costas, a autoridade marítima não impôs nenhum tipo de restrição à navegação.

“Pelo ponto de vista da Autoridade Marítima, não há proibição para a navegação. Através das 67 capitanias, delegacias e agências que temos espalhadas pelo país, do Oiapoque ao Chuí, do Pantanal ao Oceano Atlântico, continuamos exercendo as nossas atribuições. Mas, se as embarcações atenderem as condições de segurança, não estamos proibindo a navegação nem aplicando multas por isso”, garante o vice-almirante. Mas, o contexto da navegação não abrande só a água. Também passa por terra. E aí esbarra no poder de prefeitos e governadores de impedir a aglomeração de pessoas.

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O impacto nos usuários

Guilherme Westphal é navegador e prestador de serviços náuticos. Proprietário de um veleiro clássico, de 1953, em Paraty, foi impedido de acessar seu barco tanto como cliente quanto como prestador de serviço, durante a pandemia. “Meu barco é um barco clássico de madeira, que sofre muito mais do que os barcos modernos. Então, eu queria ver se estava tudo em ordem, se não tinha nenhum risco, se as baterias estavam carregadas para as bombas de porão e tudo mais, e não pude acessar. Eram 7h da manhã, eu não ia ter contato com ninguém, mas quando eu estava dentro do barco fui solicitado a me retirar da marina”, relatou Guilherme.

Ele chegou a tentar explicar que seu barco não tem marinheiro e que ele apenas iria ver se estava tudo em ordem, funcionar os motores, mas não foi autorizado. “Eu entendo que é uma medida de restrição, mas aí bate um pouco com Marinha, prefeitura de Paraty, as marinas acabam se sentindo pressionadas a proibir porque sofrem algumas ameaças de perder seus alvarás. O poder público e o privado precisam dialogar para que se chegue em um equilíbrio”, afirmou.

Na próxima semana, acontecerá o segundo encontro NÁUTICA Live, no dia 12/05, às 19 horas, e irá debater: o que as medidas restritivas de acesso aos barcos vão impactar no setor náutico brasileiro? Para esse tema, convidamos donos de marinas, comodoros de tradicionais iates clubes e especialistas na área náutica.

Assista à primeira NÁUTICA Live na íntegra:

NÁUTICA Live tem o apoio de Assim Saúde, maior grupo empresarial de saúde verticalizado do Rio de Janeiro, excelência no atendimento médico. E Vaio, empresa que preza pela inovação e alta performance de notebooks com processadores de última geração. Acesse: vaio.com.br/nautica.

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