NÁUTICA Live analisa o mercado náutico brasileiro em tempos de pandemia. O diagnóstico é positivo

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Promovido pelo Grupo Náutica — em conjunto com a Acobar, Associação Brasileira dos Construtores de Barcos e Seus Implementos, que teve seu presidente, Eduardo Colunna, no centro dos debates — a 4ª NÁUTICA Live, realizada nesta terça-feira, 26 de maio, abordou o tema “As ações dos estaleiros do Brasil durante a Covid-19”.

Ao longo do encontro virtual, mediado pela jornalista Millena Machado, com coordenação do presidente do Grupo Náutica, Ernani Paciornik, os comandantes dos estaleiros Real Powerboats (Paulo Thadeu), NX Boats (Jonas Moura), Tethys Yachts (Alexsandro Ferreira), Triton Yachts (José Maria Cechelero Jr.) compartilharam suas estratégias para enfrentar a pandemia e a necessidade de isolamento social; contaram como o coranavírus afetou o ritmo da indústria (apesar da redução de volume, ninguém parou de produzir nem de vender); refletiram sobre o comportamento dos consumidores e do mercado; indicaram uma grande preocupação e responsabilidade pelo outro, ao adotar medidas de proteção a seus funcionários; e analisaram as perspectivas para os negócios nos próximos meses.

Todos eles estão otimistas, depois dos primeiros momentos de apreensão, e prometeram lançamentos para ainda este ano, provavelmente durante o São Paulo Boat Show. A conversa, que durou um pouco mais de 2 horas, foi extremamente produtiva e está disponível no YouTube, mas se quiser um resumo é só continuar lendo esse texto.

Barco não se faz com robô e sim com gente. Por isso, o setor náutico preserva empregos

Ernani Paciornik falou sobre o objetivo das lives promovidas pelo Grupo Náutica. “A ideia é destacar a importância do mercado náutico, um setor que gera renda, gera empregos, e ainda ajuda a preservar o isolamento social, uma vez que os barcos são um refúgio seguro”. Chamou também a atenção para os cuidados com os funcionários, que os estaleiros estão tomando. “Barco não se faz com robô e sim com gente. Por isso, enquanto os outros setores estão demitindo, o setor náutico está preservando empregos”. Defendeu a necessidade de uma linha de crédito para alavancar as vendas de barcos e atrair novos clientes.

E destacou o papel da mídia especializada, ajudando o leitor (e agora as pessoas que acompanham nossas lives) a escolher sua embarcação de maneira segura. “Os barcos nem sempre são como os estaleiros dizem que são. Aí cabe a nós mostrar que o peixe é diferente”. Por fim, anunciou que o São Paulo Boat Show está confirmado, com abertura no dia 25 de setembro, com a possibilidade de ser acompanhado por via digital até por quem estiver fora do país.

A gente sempre tem que se preparar para o pior e esperar o melhor

Para lidar com o momento de incertezas, Paulo Thadeu, que está à frente do estaleiro carioca Real Powerboats, criou um comitê de crise dividido em três setores: RH, para cuidar da saúde dos funcionários; financeiro e contábil, para ficar ativo nas MPs do governo e manter a saúde financeira da fábrica; e comercial, para ver como criar receita num momento de crise. “No começo foi um grande susto! Num primeiro momento, a Real fez um comitê de crise para se preparar para o pior, porque a gente sempre tem que se preparar para o pior e esperar o melhor”.

“Os funcionários do grupo de risco já estão de férias há mais de 70 dias e vão continuar. Vimos todas as exigências da OMS para que os funcionários que continuaram trabalhassem dentro dos padrões, colocamos uma parte do escritório em home office e procuramos criar estrutura e procedimentos para que esses funcionários pudessem trabalhar parcialmente de casa, mas de forma que a fábrica continuasse funcionando. Infelizmente, para fabricar os barcos a gente precisa estar presente, não dá para fabricar virtualmente”, conta Thadeu sobre as medidas tomadas durante a pandemia.

Com uma fábrica de 36 mil m², Thadeu conta que incentivou os clientes que não estavam utilizando suas embarcações a fazerem manutenção e criou o programa “reforma certificada”. “O cliente vê quanto que ele gasta por mês no barco e quer economizar com a embarcação ficando na fábrica por cinco meses, por exemplo. Ele diz quanto quer gastar na reforma e a gente passa o que consegue fazer por esse valor. Depois, damos um certificado confirmando que o barco foi reformado, com a descrição do que foi feito na fábrica, o que vai ajudar no pós-venda”. Também fortalecemos a parte de retrofit, que permite aos clientes modernizarem suas lanchas, como se estivessem trocando de embarcação, com uma despesa muito menor. Além disso, criamos na área comercial o “plano de investimento da Real”, que permite a alguns clientes fazer uma troca de barco programada com custo abaixo do que seria antes da crise.

Ele vê o barco, desde o início da quarentena, como lazer seguro, porque “a pessoa vai sair de barco somente em família, vai comer apenas o que ela vai levar, como se estivesse na terceira casa dela e com contato com sol, com a água do mar, coisas que não são propícias para o vírus”.

Não atrasamos nenhuma entrega nesse período. estamos até entregando um barco na itália

José Maria Cechelero Jr., do estaleiro Triton Yachts, começou sua narrativa ressaltando a importância de se se preocupar com o bem-estar dos funcionários. “A saúde dos colaboradores está em primeiro lugar. Por isso, nossa primeira medida foi vacinar todo mundo contra a gripe, seguindo orientação da Secretaria de Saúde. Além disso, demos férias coletivas distribuídas por setores da fábrica, mantendo apenas 50% do pessoal na ativa; adotamos medidas de distanciamento; afastamos as pessoas do grupo de risco e não demitimos ninguém”, garantiu o empresário. “Nossa mão de obra é muito específica, especializada. Não podemos perder ninguém”, reforçou.

Com isso, depois de uma breve paralisação, a produção foi logo retomada. “Não atrasamos nenhuma entrega. Estamos com duas decoradoras na fábrica, concluindo dois projetos. E vamos até entregar um barco no Itália”, revelou. O comandante da Triton Yachts anunciou a criação de um programa de parcelamento, o “compra programada”, para ajudar seus clientes a trocar de barco nesses tempos de crise, e se disse surpreso com o número de consultas que vem recebendo. “As pessoas estão em casa, isoladas, e aproveitam para pesquisar preços e modelos de barcos”. Por fim, ele convidou todo mundo a assistir um vídeo produzido pela Triton, “Você é incomparável”, em que defende o mercado náutico como um todo. Quem quiser ver, é só clicar aqui.

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Estamos bem confiantes e otimistas com o retorno do mercado

Alexsandro Ferreira, da Tethys Yachts, disse que o início foi assustador para todos. “Ninguém sabia o que ia acontecer nem como atuar. Logo que veio o caos, a gente parou a empresa por uns 10 dias, até que tivéssemos a informação de que forma podíamos trabalhar. Retornamos ao trabalho afastando todas as pessoas do grupo de risco, tomando os cuidados necessários e fizemos reuniões internas para saber de que forma poderíamos trabalhar. Como a gente tem uma estrutura de 13 500 m², a gente conseguiu separar bem os setores para as pessoas trabalharem afastadas”.

Alexsandro conta que voltou à ativa com novos projetos, entre eles a reestruturação da fábrica com uma nova planta, que estava planejada só para o ano que vem, mas deverá ser finalizada dentro de 90 dias. “Estamos investindo também em equipamentos e bem confiantes e otimistas para o retorno do marcado”. De acordo com Alexsandro, a Tethys está com a produção tomada, fechou vendas com barcos para entregar em setembro, e vem com negociações em andamento nos últimos 30 dias, o que se mostra um bom sinal na retomada do mercado.

“Já estamos trabalhando normalmente. Como a gente parou por uns dias, acabou atrasando um pouco, mas estamos colocando a produção em dia, inclusive para triplicar, quadruplicar a produção nos próximos 90 dias”.

em nenhum momento nós fechamos, continuamos a trabalhar desde o primeiro dia da pandemia, atendendo às recomendações da OMS

Jonas Moura, da NX Boats, relatou que vinha de um recorde histórico de produção de sua marca no primeiro trimestre deste ano quando foi pego de surpresa pela pandemia e teve que colocar em prática as medidas necessárias para a contenção do coronavírus, como dar férias para alguns funcionários e criar vários turnos de almoço e marcação de cadeiras no refeitório, para evitar aglomeração e manter o distanciamento.

“Nosso governador, acertadamente, entendeu que é uma atividade essencial, que emprega muita gente e muitas famílias dependem das indústrias. Aqui, no estado de Pernambuco, em nenhum momento nós fechamos, continuamos a trabalhar desde o primeiro dia da pandemia, atendendo às recomendações da OMS”, disse Jonas, que reforçou a fala de seus colegas de que barco demanda da mão de obra, não robôs.

Atualmente, a NX Boats está trabalhando com 75% de sua capacidade de produção, o que Jonas vê como muito bom para o momento. “A nossa expectativa para o futuro é bem positiva. Nos próximos meses, a gente tá bem vendido, com muitas reservas, e, a partir de junho, pretendemos intensificar esse percentual, que deve chegar a 80 ou 85% da capacidade produtiva da fábrica. Esperamos que em agosto voltemos a 100 % de nossa capacidade de produção, contratando e movimentando o setor, já que o estaleiro é o primeiro de toda uma cadeia produtiva”.

A marca, que anunciou um lançamento para o São Paulo Boat Show, está bem otimista com a retomada do setor e segue, inclusive, com o cronograma em dia, incluindo o programa de ampliação da fábrica. “Depois de 15 dias, tivemos uma retomada muito forte, tanto que tivemos que interromper as férias de alguns funcionários em virtude da alta procura”. Jonas comentou também sobre as mudanças às quais o mundo vem tendo que se adaptar e disse que passou a investir mais no digital. “A gente já investia muito em mídias sociais, em canais de comunicação com os clientes, porque o nosso público, normalmente, é bem jovem, a maioria dos nossos clientes tem até 50 anos e já é muito conectada. Mas, triplicamos o nosso investimento nessa parte”.

A certificação transmite segurança para o cliente. E nivela o mercado por cima

Eduardo Colunna, presidente da Acobar, avaliou que o setor está se mostrando bem preparado para enfrentar a crise. “Passado o primeiro impacto, passado o susto, cada estaleiro tomou medidas de preservação da fábrica, de preservação das pessoas. Não tem robô na produção de barcos. Nosso grande diferencial é construir produtos artesanalmente, mas sem deixar de empregar as mais modernas tecnologias. Para cada barco são necessários oito homens”.

Além disso, destacou a importância de os estaleiros estarem associados a Acobar, entidade que tem como missão tem como missão a busca constante do fortalecimento e da expansão do segmento náutico brasileiro. “Chamo a atenção para a Certificação ABNT/ ACOBAR, que considero um marco, um passo muito importante para a profissionalização do mercado”, disse, referindo-se ao programa que submete a construção de barcos pelos estaleiros associados à entidade a uma auditoria da Associação Brasileira de Normas Técnicas (ABNT ), que emiti um selo, uma espécie de chancela de que a empresa opera dentro de padrões estabelecidos de qualidade e segurança.

“Isso transmite segurança para o cliente. E nivela o mercado por cima”, defendeu Eduardo, que garantiu que cerca de 75% da produção nacional já está certificada. “Cada vez mais, nossos estaleiros estão exportando para os Estados Unidos e países da Europa, e sem certificação não sai nem do porto”, enfatizou.

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