Já pensou em largar tudo e morar em um barco? Veja a história da família Moon

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“Nossos amanheceres e entardeceres são tão deslumbrantes que tenho que me conter para não compartilhá-los novamente e novamente no mídia social. É como se gabar"- Imagem: Cayce Clifford para The New York Times

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Em 2014, Freda Moon e seu marido Tim tomaram uma decisão que mudou a vida do casal, que até então vivia no Brooklyn, em Nova Iorque. Freda estava grávida do seu primeiro filho e sentia saudade da família que vivia na costa Oeste dos Estados Unidos, em São Francisco. “Se eu fosse deixar Nova Iorque, teria que ser uma mudança drástica. Então, em vez de alugar um apartamento na caríssima São Francisco, compramos um barco e nos mudamos”, escreveu Freda na coluna “Boats and Boating” (Barcos e passeios de barco) no New York Times.

De um apartamento no Brooklyn para um Trawler clássico de 50 pés, que passou a navegar pela baía de Oakland, em meio a um mar recheado de grandes e modernas embarcações. “The Red Headed Stranger” (O Estranho Ruivo) foi o nome dado à nova casa da família Moon – família essa que cresceu nos cinco anos em que vivem no mar (Freda e Tim são pais da Roxie de cinco anos, e do Felix de dois anos). De todos os pontos e marinas espalhadas pela Baía de Oakland, eles escolheram ficar em Alameda, uma pequena ilha próxima a São Francisco.

“Quando digo a alguém que moro em um barco, a maioria das pessoas presume que moro em uma casa-barco”, diz Freda, pontuando, ainda, que existe uma grande diferença entre esses dois tipos de residência. “Embora uma casa-barco possa ser capaz de contornar um lago, ela está longe de ser navegável. ‘The Red Headed Stranger’ poderia nos levar a quase qualquer lugar onde haja um canal para o oceano”, completa.

“Poderíamos decidir amanhã ir para o norte, para Puget Sound, ou viajar para o sul, até o México. Poderíamos continuar indo – pelo Canal do Panamá até o Caribe ou, ainda mais, pelo Atlântico”, detalha Freda, mas faz questão de enfatizar que esse tipo de viagem exige um longo processo de preparação, tanto da parte técnica da embarcação quanto dos suprimentos e eventuais emergências a bordo.

Apesar de viver em um barco poder soar estranho, Freda diz que ele é como se fosse uma casa, sem tirar nem por. “Ele vive com plantas caseiras, prateleiras de pratos sobrecarregadas e estantes de livros desorganizadas. Nossas coisas o tornam nosso: as fotos emolduradas, minha garrafa de azeite de oliva favorita, a fruteira que ganhamos como presente de casamento, a lâmpada que o avô de Tim trouxe do Japão”, conta.

Mesmo sentido falta do dia a dia nova iorquino, Freda e Tim se sentiram gratos todos os dias de pandemia por estarem “distantes” dos grandes centros. “Estávamos isolados, mas rodeados por uma metrópole de oito milhões. Morando na Bay Area, podíamos pedir quase tudo que precisássemos online, de papel higiênico a sacos de farinha. Além do estresse ambiental de viver em uma pandemia, nossa vida era estranhamente pacífica”, além de pacifica, a vida no Pacífico da família Moon era um pouquinho mais salgada que as demais.

Imagem da Marina, com o Trawler ao fundo – Imagem: Cayce Clifford para The New York Times

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Mas, como vivem em um trawler de 15 metros, a vida não se diferencia em muitos aspectos do que viver em uma casa de 100 m², por exemplo. Esse é o grande diferencial dos trawlers, que contém estruturas rígidas, são muito espaçosos e estão preparados para qualquer contratempo náutico.

Embora romântica, a vida abordo não é idílica. “É como viver em uma fazenda ou em um canto remoto do Alasca, é magnífico e confuso”, diz Freda. Ela ainda complementa dizendo que a vida longe da terra firma é cheia de altos e baixos. Quando ela e sua família pensaram que nada além da pandemia poderia interferir, chegaram os incêndios que devastaram parte da costa oeste estadunidense.

“Os incêndios duraram meses, um após o outro. Cercados de água, tivemos a sorte de sermos poupados das chamas que tanto consumiram nossa região. Mas os incêndios criaram uma camada de fumaça que nos obrigou a ficar dentro de casa durante semanas”, explica.

Freda conta que a rotina foi bruscamente alterada, e com as crianças pequenas mudou-se um pouco a concepção que ela e o marido tinham de viver em um barco. Mas, que isso se deu por ficarem literalmente trancados, devido a fumaça tóxica dos incêndios. A família pensou em sair um tempo da baía e se distanciar desse cenário, mas acharam arriscado demais, sobretudo pelas crianças.

Imagem: Cayce Clifford para The New York Times

Com o passar do tempo, e com o baixar da poeira, eles puderam refletir muito sobre o local, e principalmente sobre a maneira que decidiram viver. Em meio a dúvida, Freda diz que se deu conta da qualidade de vida e da segurança que têm no barco. “Não vamos a lugar nenhum. É reconfortante saber que não temos que deixar nossa casa, porque podemos levá-la conosco. Ou melhor: ela pode nos levar”, finaliza.

Por Gustavo Baldassare sob supervisão da jornalista Maristella Pereira

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