Casal de mergulhadores passa três dias inteiros em uma cápsula no fundo do mar

0
370

Em matéria de isolamento, ninguém é páreo para o casal Emmanuelle Périé-Bardout e Ghislain Bardout, que mora em uma cápsula no fundo do mar. Sim, um “módulo” subaquático, mantido a uma profundidade de 20 metros, presos por cabos a dois outros tanques que funcionam como lastro. Parece incrível, mas eles passam três dias inteiros lá. E voltam depois de passar algumas horas a bordo de seu veleiro-escuna de dois mastros e 20 metros de comprimento, ao qual permanecem conectados por um sistema telefônico.

Famosos exploradores — entre outras ações, os dois submergiram nas águas sob a calota polar do Ártico, para onde foram a bordo de seu veleiro-escuna; além disso, mergulharam em algumas das águas mais remotas do planeta, a profundidades raramente alcançadas pelo ser humano —, Emmanuelle e Ghislain decidiram, ainda antes da pandemia, construir uma “cápsula” subaquática. O objetivo era apenas oferecer um lugar de apoio aos mergulhadores, onde poderiam permanecer submersos durante dias.

“Sabemos mais sobre a superfície da lua do que sobre o próprio fundo do oceano, mas uma cápsula subaquática que permite insights profundos sobre os complexos ecossistemas dos oceanos pode mudar tudo isso”, disse Ghislain, justificando a construção da cápsula caseira.

Mas aí veio a quarentena forçada pela pandemia e os dois decidiram usar a cápsula como abrigo anti-Covid-19. “Estamos ultrapassando os limites porque não contamos mais mergulhos em horas, mas em dias”, explica o mergulhador.

LEIA TAMBÉM
>>NÁUTICA Live revela: com a reabertura da economia, o setor náutico será um dos primeiros a reagir
>>O Zipper Ship é exatamente o que você está pensando: um barco em forma de zíper
>>Nova expedição ao Titanic procurará telégrafo que emitiu o pedido de socorro

A cápsula tem 3,2 metros de comprimento, 1,5 metros de altura e cerca de 83 cm de largura — espaço suficiente para acomodar três mergulhadores, sentados ou deitados. Suas paredes são de alumínio e as janelas, de termoplástico.

O pulo do gato é uma mistura de oxigênio, nitrogênio e hélio, que uma máquina especial bombeia para dentro da cápsula, na medida exata, para ser descomprimida posteriormente.

Mas, não seria tedioso viver isolado no mundo subaquático? Nada disso. “Podemos ver quando o peixe acorda, quem limpa a casa primeiro e quem está prestes a sair em busca de comida no grupo”, conta Emmanuelle, com entusiasmo. “E à noite”, acrescenta, “a cápsula vibra ao som das baleias”.

E o que eles que fazem a bordo desse abrigo subaquático durante a quarentena? Trabalham, comem e dormem dentro dele. Mas também podem deixar a cápsula com aparelhos de respiração e explorar o fundo do mar, a profundidades de até 150 metros, o que aliás fazem frequentemente, já que mantêm um projeto que coleta e divulga dados científicos em áreas como biologia marinha e fisiologia do mergulho.

A saída é feita através de uma escotilha na parte inferior da “nave”. Mesmo quando aberta, a água não entra. Isso é impedido pela pressão do ar na cápsula — é como mergulhar um copo em um balde de água de cabeça para baixo.

Eventualmente, seus filhos Tom, de três, Robin, de sete anos, fazem parte da aventura.

Gostou desse artigo? Clique aqui para assinar o nosso serviço de envio de notícias por WhatsApp e receba mais conteúdos.

Teste SecBoats CatFish 35