Meio século depois de se desintegrar e matar seu piloto, o mítico Bluebird retorna às águas

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Foto: Christopher Furlong

Detentor de diversos recordes de velocidade em terra e água, o inglês Donald Campbell, então com 45 anos, buscava mais uma marca histórica, em 1967, quando o mítico Bluebird II simplesmente se desintegrou ao cruzar e colidir (a 320 milhas por hora!) com as ondas geradas pelo próprio barco. Só sobrou um boneco de pelúcia — o ursinho Whoppit —, que o inglês voador adotara como mascote.

Filho de outra lenda do esporte (Malcolm Campbell, recordista de velocidade nos anos 1920 e 1930), Donald já havia estabelecido sucessivamente sete recordes mundiais (o último, de 445 km/h, em 1964) quando decidiu atacar a antiga marca. Para isso, equipou o Bluebird II com um motor com turbinas, retirado de um velho jato de combate — o que praticamente transformou o barco em um hidroavião. A expectativa era alcançar 302,5 mph de velocidade máxima em uma das pernas da corrida, de ida e volta de uma margem à outra do lago. Campbell foi além. Estava perto dos 320 mph (510 km/h) quando deu no que deu.

Cinquenta e um anos depois, olha o Bluebird aí novamente. Meticulosamente restaurada pelo engenheiro e mergulhador Bill Smith — que liderou a equipe que resgatou o Bluebird do fundo do lago — a nave foi levada a um lago na Ilha de Bute, na Escócia, para uma série de testes, tendo por testemunhas a filha de Donald e o velho ursinho de pelúcia, conservado por ela. O próximo passo é levar o novo barco (que recebeu um novo e ultrapotente motor a jato) de volta ao Lago Cumbria, onde se desintegrou. Mas a filha de Campbell deixou claro que não há planos para alcançar o tipo de velocidade perseguida por seu pai. Por uma simples razão: ela não quer que ninguém mais perca a vida.

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