Revolução náutica: conheça a lancha que une motor elétrico e hidrofólios para “voar” na água

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Diferente de tudo, a nova lancha sueca Candela flutua na água com a combinação de um motor elétrico e um par de hidrofólios. O futuro da náutica pode estar vindo de uma velha ideia

Dá para adaptar o slogan criado para o carro a álcool nos anos 1970: barco elétrico, você ainda vai ter um! Segundo os especialistas, os veículos elétricos dominarão o mercado até 2040, e isso inclui as lanchas nossas de cada dia. É só uma questão de tempo para que os motores alternativos se tornem usuais também nas águas. Para todo lado que se olhe surgem evidências dessa moderna (e bem-vinda) realidade.

Na corrida pela produção de embarcações cada vez mais “limpas”, ou seja, que não emitem monóxido de carbono, um dos gases responsáveis pelo aquecimento global, o estaleiro sueco surpreendeu ao apresentar uma lancha cujo sistema de propulsão combina um motor de popa 100% elétrico (um Torqeedo Deep Blue, de 50 kW, perto de 70 hp), a dois pares de hidrofólios, aumentando a autonomia de navegação. Com vocês, a Candela Speed ​​Boat, curiosa lancha de 25 pés (7,7 metros de comprimento e 2,40 m de boca) para seis pessoas que — com sua proposta de unir sustentabilidade e eficiência — pode apontar a tendência para as próximas décadas.

A fórmula inclui inspiração no design da aviação, um banco de baterias de 230 kg (fabricadas pela BMW e marinizadas em parceria com Torqeedo) que oferecem quase 50 milhas náuticas de alcance (ou 3 horas de autonomia, na velocidade de cruzeiro), além de um casco todo de carbono e, por isso, cerca de 30% mais leve do que uma lancha do mesmo tamanho feita de fibra de vidro e com motorização de popa convencional. O resultado é uma performance impressionante. A velocidade máxima, garante o fabricante, é de 30 nós, com 19 a 23 nós de cruzeiro.

O segredo para andar mais está na hidrodinâmica. Durante a aceleração até os 17 nós o casco é como o de qualquer embarcação comum, ou seja, permanece dentro d’água. Já quando a velocidade chega aos 17 nós, as “asas subaquáticas” são liberadas automaticamente e o barco “decola”. Ou seja, os hidrofólios passam a desenvolver uma força de sustentação capaz de elevar o casco para fora d’água, diminuindo o arrasto e, assim, melhorando a aceleração e a velocidade do barco, que flutua sobre a água.

“É o único barco elétrico do mundo com velocidade e autonomia comparáveis às de uma lancha com motor convencional, mas com o desempenho em águas agitadas bem melhor. Os hidrofólios em ação proporcionam uma redução de 50% no consumo de energia a bordo”, afirma Gustav Hasselskog, fundador da lancha Candela, que já está sendo feita em série na Europa.

100% elétrica, a lancha candela pode chegar a 30 nós! na velocidade de cruzeiro, tem autonomia de 50 milhas

Para carregar a bateria (que tem oito anos de garantia), outra surpresa: basta uma tomada doméstica tradicional — algo que qualquer marina simples tem para oferecer. A operação de recarga leva até 12 horas. Ou seja, praticamente a noite toda. “Até hoje, ninguém havia construído um barco elétrico que pudesse, de fato, substituir os barcos movidos por combustíveis fósseis. Até as tentativas mais recentes falharam. Ou são velozes ou oferecem boa autonomia. No caso da Candela, conseguimos unir as duas características”, afirma Gustav. “E mais: a combinação do hidrofólio com o motor elétrico faz uma navegação extremamente silenciosa. É como uma gostosa velejada”, completa.

Segundo o fabricante, a Candela pode navegar em águas com ondas de até meio metro, é insubmergível e se mantém sempre na posição horizontal, mesmo em curvas mais fechadas, por conta de sensores instalados no casco, que calculam todos os movimentos do conjunto e, automaticamente, controlam a posição dos hidrofólios — tecnologia que remonta a 1919, quando foi criada por um italiano chamado Enrico Forlanini.

Impulsionada pelo motor de popa elétrico, de cerca de 70 hp, ela tem autonomia de 50 milhas com uma carga de baterias

O conceito é bem simples: abaixo de um casco normal o barco tem um par de hidrofólios, que nada mais são do que asas aquáticas. Usando a boa e velha aerodinâmica molhada, ou hidrodinâmica, a água passa em velocidade e gera sustentação, empurrando o barco para cima. Em algum momento a gravidade equilibra a força ascensional, e o barco para de subir. Com isso o arrasto hidrodinâmico deixa de existir, o casco só enfrenta a resistência do ar.

No caso da Candela, os hidrofólios são retráteis e acionados eletronicamente. As decolagens e pousos acontecem ao toque de um botão no painel digital. O pulo do gato aqui está em associar os hidrofólios a um sistema inteligentíssimo de controle e a um motor elétrico, que quase não emite ruído nem polui a água. Uma velha ideia nova.

Diferentemente das pequenas lanchas convencionais atuais, toda a parte eletrônica da Candela foi criada do zero. O resultado é uma experiência totalmente integrada, gerenciada por meio de um aplicativo próprio para smartphone ou na tela de 12 polegadas no painel da lancha.

Mesmo distante da lancha, por exemplo, é possível saber, em tempo real, o status da carga das baterias, os dados do seu último passeio e muito mais. Mas, tudo tem um preço. E, por enquanto, bem alto. A partir de 245 mil euros (lá fora), ou pouco mais de 1 milhão de reais se for importada.

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