Conheça o Aquon One, barco movido apenas a hidrogênio e energia solar

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Já ouviu dizer que o futuro começa com H? Elemento gasoso que pode ser extraído da água a um custo irrisório e gerar energia, o hidrogênio abastece as naves que levam o homem ao espaço e promete mover carros, aviões e até os nossos barcos nos próximos 30 anos.

Pois na Swiss Sustainable Yachts (SSY) — empresa criada em 2018 pelo empresário e velejador apaixonado Adrian Beer — esse futuro já chegou. O hidrogênio é uma das fontes de energia catamarã de 68 pés Aquon One, junto com a energia solar, esta já prosaica nesses tempos de aquecimento global e substituição dos combustíveis fósseis.

Equipado com painéis solares no teto da capota e células a combustível (principal método de produzir eletricidade a partir do hidrogênio), o Aquon One é o primeiro catamarã de lazer com essa tecnologia.

Para chegar até ele, Adrian Beer — que fundou a corporação GrupoBeer, que assessora e auxilia empresas em recuperação de desastres naturais — reuniu uma “superequipe” de especialistas globais, não apenas em iates e design de interiores, mas também em dinâmica térmica e fluida, fotovoltaica, hidrogênio, compostos de fibra, tecnologia de casa inteligente e um improvável “arquiteto de energia” que ajudou a coordenar as várias disciplinas.

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A equipe mergulhou de cabeça nesse projeto. Vários materiais orgânicos foram testados e selecionados para serem usados no projeto,​ ​quando possível, levando em conta critérios como renovabilidade e reciclabilidade. A ideia era criar um barco que fosse bem-sucedido em um amplo aspecto, da geração de energia aos materiais de construção, passando pela reciclagem de águas residuais.

O catamarã, de 30 toneladas, é movido por dois motores elétricos de 100 kW cada. Tudo, incluindo os aposentos, é alimentado pelos 64 metros quadrados de painéis solares. A velocidade máxima projetada é de 16 nós, com cruzeiro de 8 nós. A eletricidade pode ser colocada em uso imediato, armazenada em bateria no curto prazo ou em tanques de hidrogênio comprimido no longo prazo.

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Produção de energia

A produção de energia funciona da seguinte forma: primeiro, os painéis fotovoltaicos do telhado convertem a luz solar em eletricidade, com uma produção de mais de 75 kWh/dia no verão.

Em seguida, parte dessa eletricidade pode ser usada na eletrólise para separar a água do mar (já dessalinizada) em oxigênio (O) e hidrogênio (H2). O H2 é comprimido e armazenado em tanques de bordo.

O próximo passo é a recombinação das células de combustível de hidrogênio com o oxigênio atmosférico, para criar eletricidade e acionar os motores. O único resíduo dessa emissão é H2O. Sim, água. Há também um calor gerado, que é capturado e usado para cobrir o abastecimento de água quente e o aquecimento a bordo.

Com o resultado, é possível armazenar a eletricidade de curto prazo para propulsão e para o uso a bordo. Esta combinação de energias (solar e combustível de hidrogênio) confere ao Aquon One o pode ser verdadeiramente independente de outras fontes de energia.

Há quem se pergunte “por que hidrogênio e uma bateria em vez de apenas uma bateria?”. Aa resposta é simples: o hidrogênio tem uma densidade de energia muito maior — ele embala mais energia por unidade de peso, e menos peso é sempre bom em um barco. Além disso, pode armazenar energia por longos períodos de tempo, mesmo durante as estações mais frias do ano.

Como ele é
O convés principal tem grandes salas de jantar e estar, uma cozinha totalmente equipada e dois terraços ao ar livre. Os pontões dos catamarãs abrigam quartos com banheiros privativos e até quatro cabines de hóspedes. O flybridge é um autêntico terraço, com bar, churrasqueira, cozinha ao ar livre e área para refeições para 12 pessoas. Segundo os designers, “uma casa inteligente no mar”.

O projeto e a pesquisa teve participação  de uma variedade de parceiros, como Swiss Cleantech, Swiss Hydrogen Association (Hydropole), Gstaad Yacht Club, Swiss OST University of Applied Sciences, Centro ZSW para pesquisa de energia solar e hidrogênio, Baden-Württemberg, serviço de certificação de segurança marítima DNV-GL e CSEM, uma organização privada suíça sem fins lucrativos de pesquisa e tecnologia.

Por Naíza Ximenes, sob supervisão do jornalista Otto Aquino.

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