O triste fim do velho trampolim de concreto do mar de Niterói

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Construída nos anos 1930 e demolida em 1965, a curiosa estrutura era ponto de encontro dos ‘corajosos’ em Niterói, no Rio de Janeiro

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Niterói, 18 de maio de 1965. Com cinco cargas de dinamite, detonadas em duas horas, técnicos em explosivos da Marinha do Brasil derrubaram o velho trampolim de 12 metros de altura, na Praia de Icaraí. A curiosa estrutura foi pelos ares por oferecer perigo aos banhistas, comprometida que estava por fortes ressacas. O episódio foi lembrado no Facebook por um ilustre niteroiense: o engenheiro florestal Axel Grael, primo de Torben e de Lars Grael e filho do saudoso Axel Schmidt, outra lenda da vela brasileira.

Trampolim de Niterói
Arquivo Público

Segundo Axel Grael, que na época em que o trampolim foi demolido tinha 7 anos de idade, a velha estrutura — que atingia mais de 20 metros de altura, somada a parte submersa — atraia banhistas de toda a região e teria sido construída em 1936 pela prefeitura de Niterói.

Na verdade, o projeto só ganhou forma um ano depois. Mas, isso é uma velha história. O grande sonho dos sócios do Icarahy Praia Clube era a construção de um trampolim dentro do mar. Havia tempo que eles tentavam construí-lo, porém a prefeitura de Niterói nem chegava a discutir o assunto. Até que o prefeito Francisco Brandão Júnior, que tomou posse em 4 de dezembro de 1935, decidiu ouvir a proposta dos sócios do Icaraí, na qual a prefeitura não gastaria um tostão sequer com a obra, que seria bancada pelos moradores do bairro.

Trampolim de Niteroi

Assim, dois anos mais tarde, o trampolim — projetado pelo arquiteto italiano Luiz Fossati — estava pronto. Ficava na altura da Rua Lopes Trovão, a cerca de 30 metros da areia, e foi um dos cartões-postais de Niterói. No entanto, nem sempre pode ser usado com tranquilidade pelos banhistas, pois o tempo destruiu o concreto armado, expondo pontas de ferros. Além disso, durante aquela que os jornais classificaram como a maior ressaca da história da cidade, em 1963, a violência das ondas cavou a areia por baixo do trampolim, inclinando-o para um lado em 10 graus. Ficou parecendo a Torre de Pisa.

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O que deixou o trampolim vulnerável foi o fato de ele ter sido construído fora — em Ponta d’Areia, 90 m³ de pedras foram colocados dentro de um tanque de seis metros quadrados e 5 m de altura — e depois levado para o mar. Apenas as plataformas de mergulho foram construídas no local. Ou seja, não teve fundação escavada, o que acabou sendo um erro fatal.

Quando o trabalho estava terminando, muitas críticas foram feitas ao encarregado de obras, que se recusou a reforçar a base do trampolim. Mas o engenheiro argumentou que o aumento da estrutura poderia provocar mortes de banhistas, caso mergulhassem muito próximo da base.

Em concreto armado, a estrutura foi idealizada para ter o formato de um pássaro com asas abertas e possuía plataformas de saltos em três diferentes alturas, além de tobogãs voltados para o lado da areia. Durante 28 anos (entre 1937 e 1965), divertiu muitos banhistas

Trampolim Niteroi

Além disso, tornou-se referência para os moradores da cidade e um ponto de encontro de várias gerações. Então, vieram os homens da Marinha com as dinamites. A prefeitura mandou derrubar.

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