Histórias do mar: Bernard Moitessier, o velejador francês que virou mito

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Por Jorge de Souza, do site www.historiasdomar.com

Quando estava prestes a vencer a primeira regata de volta ao mundo em solitário, Bernard Moitessier deu meia-volta e foi viver outra vida

A princípio, ninguém compreendeu o motivo. Em março de 1969, o velejador francês Bernard Moitessier já havia dobrado o Cabo Horn e seguia folgado na liderança da Golden Globe Race, a primeira regata de volta ao mundo em solitário, quando decidiu dar meia-volta e navegar meio mundo no sentido contrário, de volta ao Taití, de onde ele havia partido semanas antes, na última escala da competição que fizera. Desistia, assim, da vitória, da fama e do dinheiro que estas duas coisas lhe trariam. “Salvei minha vida”, diria ele depois, feliz com a decisão que tomou no trecho final daquela longa e histórica regata, que ele não venceu por não quis.

O que fez Moitessier mudar de ideia, de rumo e de vida foi o fascínio que as ilhas da Polinésia Francesa costumam exercer em todos os que as conhecem. Nele, este sentimento foi ainda mais forte.

Moitessier foi uma espécie de hippie dos mares, totalmente avesso à sociedade competitiva, como deixaria claro nos quatro livros que escreveu – um deles, de nome emblemático, viraria referência para toda uma geração de navegadores amadores. Chamava-se Um Vagabundo nos Mares do Sul. E foi exatamente isso o que ele se tornou.

O francês mandou tudo às favas (a vitória, a fama e o dinheiro) e foi viver no Taití. Lá, casou-se com uma nativa e foi morar em uma primitiva ilha, onde passou a praticar um estilo de vida totalmente integrado à natureza. Moitissier foi, também, um ecologista, bem antes que o próprio termo fosse criado. Com isso, seus livros se tornaram sucessos também fora do meio náutico, e ele passou a ser convidado para dar palestras, mundo afora.

De tanto viajar, acabou voltando a velejar. Mas nunca mais com o intuito de competir contra o tempo. E seguiu velejando até sua morte, de câncer, em 1994. “No mar, me sinto tão em casa quanto na minha ilha”, costumava dizer o homem que teve a coragem de trocar a fama por uma vida simples e banal, no seu paraíso particular. Virou mito.

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