Navegantes europeus se alarmam com o crescimento de interações entre barcos e orcas

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O grupo de proteção às baleias assassinas Atlantic Orca Working Group emitiu um novo conselho para capitães após mais de 45 interações entre os barcos e orcas, na costa da Espanha e de Portugal, em 2020.

As interações aconteceram entre julho e novembro do ano passado, entre o Estreito de Gibraltar e a Galiza, mais especificamente. Devido ao aumento nesse número, o grupo julgou necessário publicar um novo conselho para os comandantes, sobre como lidar com as interações das “baleias assassinas”.

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Os relatos são, na maioria, de orcas juvenis, tocando, empurrando e girando esses barcos. Em alguns casos, esse comportamento resultou em danos à popa, principalmente no leme das embarcações.

Os incidentes aconteceram entre 2 e 8 milhas da costa e envolveram, principalmente, barcos até 50 pés, que estavam navegando ou velejando. Houve um caso em que uma equipe precisou até de resgate, devido aos danos causados pelos animais.

Os atingidos navegavam em um Hallberg Rassy 36, da Hallberg Yachts. No dia, a tripulação estava navegando a motor, e a orca mirou no leme, antes de girar o barco em 360°.

Quando eles achavam que estavam a salvo, desligaram o motor e a baleia desapareceu. No entanto, ela voltou a aterrorizar os marinheiros enquanto o barco estava sendo rebocado, atingindo-o até o cabo de reboque se partir.

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Graeme e Moira Walker foram outras vítimas desse acontecimento. Eles velejavam em seu Beneteau First 47.7, batizado de Promise 3, quando se depararam com os mamíferos, no mês de setembro.

Eles acreditam que ela estava usando suas costas para forçar uma mudança repentina de direção do Promise 3, se concentrando no leme e na quilha da embarcação. A orca só parou quando o motor foi desligado.

A direção do veleiro não foi danificada e eles conseguiram navegar para A Coruña, onde uma inspeção do barco encontrou danos no leme. E os casos seguem se repetindo até janeiro de 2021.

O Atlantic Orca Working Group disse que estes novos incidentes confirmaram “a necessidade urgente de ações específicas na coordenação internacional entre administrações, marinheiros e cientistas, para evitar qualquer dano futuro a pessoas, orcas e barcos”.

Por enquanto, como medida protetiva, o grupo traçou um mapa das interações das orcas e publicou uma lista de protocolos de segurança para os comandantes que se aproximarem dos locais.

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Caso uma orca seja avistada e comece a interagir com o iate, os marinheiros são aconselhados a seguir um protocolo. De início, o recomendado é parar o barco. Desça as velas, deixe a roda solta — tudo o que as condições do mar e pilotagem permitirem.

Em seguida, deve-se contatar as autoridades tirar as mãos do timão, se afastando de qualquer parte do barco que possa cair ou virar bruscamente. Não é indicado gritar, tocar ou ser visto desnecessariamente pelos animais.

Se possível, grave os mamíferos (principalmente as nadadeiras dorsais), para identificar os anais posteriormente. Todas as informações devem ser enviadas para gt.orcas.ibericas@gmail.com.

Só depois de um tempo, quando não sentir pressão ou empurrões no leme, verifique se ele gira e funciona. Se necessário, entre em contato com as autoridades no caso de precisar de um reboque, sempre com anotações da data, horário e posição em que a interação aconteceu.

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Lembrem-se que as orcas são protegidas em águas espanholas, mas as aproximações dos cetáceos não são proibidas — contanto que sob a velocidade máxima de 4 nós, por trás e a um ângulo de 30º. Os capitães devem manter uma trajetória paralela durante o encontro, sem mudar abruptamente de velocidade ou direção.

As orcas são catalogadas como vulneráveis ​​pelo Ministério do Meio Ambiente da Espanha e foram avaliadas como Criticamente Ameaçados pela Lista Vermelha da IUCN em 2019. Elas são mais frequentemente avistadas durante a caça ao atum rabilho do Atlântico, ameaçado de extinção.

Por Naíza Ximenes, sob supervisão da jornalista Maristella Pereira.

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NHD