100 anos de história: estaleiro português constrói tradicionais barcos rabelos à mão

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"Vila Nova de Gaia" as margens do Douro, em Porto - Imagem: Reprodução

Conhecida como a nação que se lançou ao mar, Portugal é um dos países com mais tradições náuticas do mundo. Mas, na margem do rio Douro, beirando a cidade do Porto, há uma história especial. Lá, encontra-se um estaleiro que é o último sobrevivente dos treze que ali já existiram. O “Vila Nova de Gaia” é, também, o único estaleiro do país que se dedica à construção de barcos rabelos.

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Mas, o que são barcos rabelos?  

Durante séculos, essas embarcações foram o principal meio de transporte do famoso vinho do Porto, que vinha da Região Demarcada do Douro. Essa região produz vinho há mais de dois mil anos e é considerada Patrimônio da Humanidade pela UNESCO.

Alguns exemplos de Barcos Rabelos. Eles podem ser um pouco maiores, a depender da demanda. – Imagem: Reprodução

Sendo assim, os barcos rabelos vinham através do leito do Douro até a cidade do Porto. De lá, o vinho era transportado para todo continente europeu. Logo, tais barcos tem uma importância socioeconomia histórica para o país. E é papel do Vila Nova de Gaia a construção contemporânea dessas embarcações, no entanto, ela é feita a moda antiga: sem máquinas, apenas com as mãos.

“Temos um papel de extrema importância que é a preservação do patrimônio marítimo regional, neste caso, no rio Douro. Nossa atividade está mais concentrada nos barcos rabelos, ao representar 90%”, disse Antonio Sousa, administrador da empresa que detém o estaleiro, ao site português ECO.

Mesmo com todas as dificuldades que tem enfrentado ao longo dos tempos, o estaleiro continua a trabalhar por Portugal desde 1920. À época, a carpintaria naval era uma profissão com maior liquidez no mercado, hoje, porém, está em vias de extinção. “É a paixão que move o negócio e mantém viva toda a tradição”, explica o administrador.

Imagem: Reprodução

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Além disso, apesar de toda dedicação, a pandemia de Covid-19 provocou perdas de 35% em relação a 2019. Para o administrador, a principal causa foi a falta de turismo. Afinal, segundo o Banco de Portugal, as atividades turísticas caíram 57% em 2020 em comparação ao ano anterior.

“A pandemia afetou todas as atividades de uma forma transversal. Na nossa área da construção e reparação naval, sofremos. Temos clientes com embarcações marítimo-turísticas totalmente paradas, o que acaba atrasando os processos de reparação, nossa especialidade”, contou Antonio Sousa.

De todo modo, o ano de 2020, apesar de trágico, por um lado, foi de festa para o estaleiro que completou 100 anos de existência. “Ainda somos o único estaleiro do país que constrói barcos rabelos tradicionais, como os que transportavam as pipas de vinho do Porto, com mastro e vela”, finaliza, orgulhoso, o administrador do estaleiro centenário que, mesmo remando contra maré, resiste.

Por Gustavo Baldassare sob supervisão da jornalista Maristella Pereira

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