Entrevista: Ricardo Rinaldi revela os segredos para desenhar um barco perfeito

Por: Redação -
29/03/2019

Formado em engenharia naval pela Universidade de Buenos Aires e pela Universidade de São Paulo, o projetista Ricardo Rinaldi iniciou a carreira, ainda como estagiário, trabalhando em dois centros de excelência: o tanque de provas da primeira universidade e o escritório de Nestor Völker, um dos grandes projetistas de veleiros, que assina dezenas de barcos no Brasil e no exterior. Velejador e amante do mar, ele decidiu mudar-se para o Brasil, onde começou a carreira profissional, como projetista independente. Desde 2004 — quando deu vida a seu primeiro barco, sob encomenda da Kalmar — assinou dezenas de projetos. Para se ter uma ideia, no último São Paulo Boat Show havia dez projetos seus em exposição, com a marca dos estaleiros NX Boats e FS Yachts. O segredo? Ele conta a seguir.

1 — O que se exige de uma lancha hoje?
Cada estaleiro procura se diferenciar de alguma maneira, e a tarefa mais difícil de um projetista é descobrir o seu nicho, e assim oferecer o que o cliente procura. Pode ser uma área mais ampla de convivência no cockpit, ou uma cabine mais bem distribuída. Cada projeto tem um estilo particular e uma finalidade especial. Por isso, não existem projetos idênticos. Também existe aquele velho ditado: “o melhor barco é o próximo”. Estamos sempre procurando superar os projetos anteriores.

2 — Como você avalia a atual geração de barcos produzidos no Brasil?
Nos últimos dez anos, as embarcações vendidas no país deram um salto em conforto, acabamento e tecnologia. Muitos estaleiros conseguiram a Certificação CE, habilitando-se a exportar para diversos mercados. Para isso a profissionalização dos projetos foi fundamental. Não existe mais lugar para a improvisação. É claro que ainda existem falhas na cadeia de fornecedores, o que impede a qualidade de chegar a um nível internacional. Mas as lanchas estão sendo produzidas com maior qualidade, mais carga de tecnologia e engenharia e melhor design.

Cada projeto tem um estilo e uma finalidade especial. Não existem barcos idênticos

3 — É possível notar uma evolução de estilo, e de design, ao longo dos anos?
O que hoje parece novidade, ou “a tendência”, às vezes não passa de uma moda que logo desaparece. Um projeto tem que agradar e ser diferente, mas deve resistir ao tempo para virar clássico. Eu acredito em estilo elegante e harmônico, acima de tudo. Sem dúvida, os avanços tecnológicos, como a usinagem CNC dos protótipos, e a chegada de novos materiais estão dando maior liberdade aos projetistas para alcançar grandes obras modernas, esportivas e com beleza, principalmente, além de custos moderados.

4 — O que mudou nos últimos anos, o perfil dos cascos ou o aproveitamento de espaços?
Tudo. Os cascos mudaram, ficaram mais resistentes e leves, para alcançar maiores velocidades e economizar combustível. Por sua vez, o convés virou uma área de convívio muito espaçosa, com diversas possibilidades, especialmente nos barcos de passeio, que são a grande maioria. Antes, os cockpits eram atravancados, carentes de áreas livres ao sol. Sem contar a iluminação e a ventilação naturais. A tecnologia de hoje permite a instalação de grandes janelas, para dar maior amplitude aos seus passageiros. Isso deixa os ambientes mais agradáveis.

5 — Projeto de qualidade envelhece?
Um projeto tem que agradar e ser diferente, mas deve resistir ao passar do tempo para se converter num clássico. Um barco que hoje é moda pode cair no esquecimento em pouco tempo. É perigoso fazer um projeto apenas para seguir as tendências do mercado. O barco deve ter a sua personalidade e no caso de linhas de barco de estaleiros, manter uma linguagem que diferencie essa marca das outras.

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