Encontro de gerações marca a Semana de Vela de Ilhabela

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Encontro de gerações
Francisco Matos, de 93 anos, e velejadoras mirins Dora e Nina, gêmeas, de 7 anos (Aline Bassi | Balaio de Ideias)

O mar sempre foi a paixão de Francisco Matos, que convive com a vela há 77 de seus 93 anos de idade. Sim, 93!, o que faz dele (a bordo do catamarã Pick Nick) o mais velho velejador presente nesta edição da Semana Internacional de Vela de Ilhabela, entre 900 competidores.

No outro extremo estão as gêmeas Dora e Nina Lundgren, de apenas 7 anos, que, a bordo do Bacanas IV, comandado pelo pai delas, Christian Lundgren, disputam o mais importante evento da vela sul-americana desde quando tinham quatro anos de idade! “Elas integram a nossa tripulação desde 2016”, conta a mãe das meninas, Fernanda Lundgren, dona de um currículo invejável como velejadora amadora, em que se incluem nada menos que 20 participações na Semana de Vela de Ilhabela, com diversas vitórias na classe Bico de Proa.

A mais competitiva, segundo ela, é a Nina. “Ela se importa muito com a nossa colocação. Se não ganhamos, fica brava”, revela Fernanda. “Felizmente, já conseguimos três primeiros lugares em três regatas”, vibra. Já a Dora é mais de boa. “Adoro andar de barco”, responde, quando perguntada sobre Ilhabela. Para passear ou competir? “Eu corro só pra brincar!”, diz, rindo.

Por sua vez, o maranhense Francisco Matos fica no meio termo entre as meninas: veio a Ilhabela para competir, mas também por diversão. Nascido em São Luís no dia 23 de abril de 1926, e radicado no Rio de Janeiro desde 1942, quando ingressou na Escola Naval, ele aprendeu a velejar com 16 anos. Depois, passou a vida servindo à Marinha.

Seu veleiro catamarã de 46 pés, feito sob encomenda em um estaleiro sergipano, fica baseado em Angra dos Reis, onde tem casa. Esta é a apenas a segunda vez que seu Francisco disputa a Semana de Vela de Ilhabela (a primeira foi há dez anos), desta vez dividindo do comando do barco com o amigo Jadir Serra. “O ambiente aqui é maravilhoso. Não existe em nenhum outro lugar uma regata em que os velejadores consigam unir competição de alto nível com diversão, também, para suas mulheres e filhos, como aqui. São sete dias de regatas, intercaladas com muita confraternização”, comemora o “vovô da vela”, que é cumprimentado e abraçado a todo momento pelos velejadores mais novos, enquanto rola a tradicional Canoa de Cerveja, no Iate Clube.

A despeito de ser uma competição altamente seletiva do ponto de vista técnico, a Semana de Ilhabela não deixa de ser uma competição familiar. E aí resiste um dos segredos de seu sucesso. Se reunir os filhos para um almoço de domingo já é difícil — por conta do conflito de gerações e de interesses —, imagina juntar toda a família para uma semana de velejada. Parece impossível, né? Não em Ilhabela. Um lugar com esse nome não tem como decepcionar ninguém.

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