Conheça o “Velejando pela Cidadania”, projeto que ensina crianças a velejar

0
621
velejando pela cidadania

Desde 2016, o advogado Paulo Vanzetto (56) tem liderado um projeto inovador: o Velejando pela Cidadania. Depois de 40 anos velejando Brasil a fora, o brasiliense encontrou uma forma de unir a paixão pelo mundo náutico e a democratização do esporte. Ele ensina crianças de 7 a 14 anos a velejar, começando na categoria Optimist, e aplica esses conceitos nas piscinas dos centros olímpicos espalhados pelas cidades satélites de Brasília.

O objetivo é ensinar as crianças a velejarem e, assim que possível, testar os conhecimentos adquiridos pelos pequenos, no Lago Paranoá. Os barcos adequados para a categoria Optimist são pequenos, de fabricação antiga, mas muito seguros e fortes. Assim, Paulo comanda as aulas semanais nas piscinas com maior segurança.

Inscreva-se no canal de NÁUTICA no YouTube e ATIVE as notificações

Além de não contar com as ondas e o perigo iminente de um espaço aberto, Paulo ainda explica que aplicar esse projeto em cidades satélites cumpre exatamente com o propósito inicial — o de democratizar um esporte que é visto como de elite.

Ele conta que tudo começou ao participar de dois eventos próximos à orla do Lago Paranoá, em que algumas pessoas aproveitavam uma tarde ensolarada a bordo de várias lanchas e, de outro lado, outras pessoas se acumulavam nos espaços públicos, sentadas ao chão.

Leia também

» Morre Erling Lorentzen, patrono da Vela de Oceano do Brasil

» A história de mulheres que têm uma paixão em comum: o mar

» Com 1.500 dólares, músico brasileiro compra veleiro para morar e viajar pela Austrália

Paulo explica que, nesse momento, o primeiro pensamento foi “por que essas pessoas não tem o mesmo acesso?”, e decidiu agir. Como o foco era crianças, ele chegou à conclusão de que, já que era difícil levar a população das cidades satélites ao lago, ele faria o caminho inverso.

“Um projeto social é feito para alcançar um objetivo. Eu vi um problema na região, que é a falta de lazer, E pensei que tenho que levar lazer para eles, Tenho que levar esse mínimo”

Durante os próximos 4 anos, Paulo exerceu essa trabalho com esmero. Ensinava aos alunos a lidar com o vento, a manter o barco estabilizado, a utilizar o vocabulário náutico e o que mais fosse preciso para velejar com segurança. As duas primeiras cidades em que a iniciativa foi aplicada foram as cidades de Riacho Fundo e a Cidade Estrutural, mas o objetivo sempre foi expandir.

Com a chegada da pandemia de Covid-19, não houve escolha senão suspender as aulas presenciais. Desde então, a equipe do Velejando pela Cidadania tem apostado na versão digital do projeto e publicado uma série de aulas de velejo em seu canal no YouTube. Ao todo, já foram postadas 24 aulas.

Além das dificuldades em relação aos aparelhos necessários para a prática do esporte (desde o barco às cordas, ferramentas e vestimentas), Paulo enfrentou algumas adversidades até encontrar professores qualificados para ajudá-lo nas aulas. Depois de driblar todos esses contratempos, o projeto ganhou não só visibilidade, mas o apoio e o patrocínio de várias empresas que acreditam no potencial da iniciativa.

Hoje, o Velejando pela Cidadania conta com cerca de 200 alunos, mas já possui planos para expandir seu alcance e ministrar aulas para 800 crianças. Se os professores puderem utilizar de 3 a 4 barcos em cada piscina ao invés de somente 1, é possível ensinar a pelo menos 100 crianças em cada centro olímpico. A previsão é de que outras regiões também recebam as aulas, como é o caso de Samambaia, de Ceilândia e do Recanto das Emas.

O crescimento não parou com a interrupção devido à pandemia. A própria Marinha do Brasil demonstrou interesse e propôs uma parceria ao idealizador, que continuou nos Fuzileiros Navais de Brasília.

E, se de um lado o interesse é institucional, por outro, os alunos são só elogios. João Matheus Alves de Oliveira, aos 13 anos, já havia dito “eu quero competir depois. Onde falarem, eu vou. Quem sabe nas Olimpíadas… Sei fazer jaibe, sei cambar. Quando se sabe fazer, não é mais difícil”, contou.

Vanzetto também explicou que Brasília é o terceiro maior parque náutico do país e, por isso, a cidade possui uma demanda muito maior de mão de obra qualificada e profissional. Assim, além do lazer, o velejador ainda propõe oportunidade de trabalho, e é por isso que a palavra “cidadania” estampa a imagem do seu projeto: do lazer à profissão, as aulas são para uma vida inteira.

Por Naíza Ximenes, sob supervisão da jornalista Maristella Pereira.

Gostou desse artigo? Clique aqui para receber o nosso serviço de envio de notícias por WhatsApp e leia mais conteúdos.

Prime Share