Conheça uma inusitada travessia de 154 milhas por rios e canais na Flórida

0
1215
Fort Myers

Siga nosso TWITTER e veja a série Dicas Náuticas diariamente.

Não é novidade que a Flórida, nos Estados Unidos, abriga uma das maiores concentrações de barcos do mundo. De todos os tipos e tamanhos. E, quando todos pensam não haver mais surpresas para os donos de barcos americanos, eis que surge uma atração diferente: a travessia de uma costa à outra, por meio de rios e canais ao sul da Flórida.

Partindo de Fort Myers (veja mapa abaixo), na costa do Golfo do México, a viagem costuma durar, dependendo da empolgação e do tipo de barco, menos de um dia, e percorre muitos pontos turísticos até chegar do outro lado da costa, na cidade de Palm City, quase às margens do Atlântico.

Uma dúvida comum para quem escuta falar dessa travessia é sobre a profundidade do rio ao longo de todo o percurso. E, quanto a isso, quem já concluiu a viagem garante: há uma profundidade de, pelo menos, três metros em toda a sua extensão, principalmente por se tratar de um rio com trechos criados artificialmente pelo próprio homem.

Fort Myers: início da viagem

Poucos preparativos de segurança são necessários além da garantia de combustível suficiente para toda a viagem. A distância total da viagem é de 154 milhas náuticas (cerca de 250 km).

Na partida, no Golfo do México, o rio parece mar, com mais de um quilômetro de largura. Conforme a viagem segue curso acima, rapidamente a aparência assume uma estética mais parecida com um rio de verdade.

Logo de início, notam-se pontos muito interessantes. A Caloosahatchee Creeks Preserve, por exemplo, é uma reserva ambiental em que os visitantes podem fazer um passeio de caiaque e trilhas a pé sobre uma passarela de observação. Vale a parada. Logo em seguida, surge o The Boathouse Tiki Bar & Grill, um bar e restaurante com temática náutica. A parada também é irresistível.

The Boathouse Tiki Bar & Grill: bar e restaurante com temática náutica

Durante quase todo o percurso do rio há sempre casas com píeres particulares, ideais para eventuais emergências, o que garante segurança extra para marinheiros de primeira viagem.

No caminho, atrações não faltam. É o caso do Manatee Park, um parque em que é possível conhecer de perto peixes-boi, fazer aulas de canoagem, observar um jardim de borboletas e participar de vários outros programas educacionais. As famílias adoram. Os melhores meses do ano para observar os peixes-boi são dezembro, janeiro e fevereiro, quando a temperatura está abaixo de 20 graus. Os peixes-boi geralmente não estão presentes durante os meses quentes do verão norte-americano.

Ao longo do caminho, encontram-se alguns pontos igualmente belos, como o W.P. Franklin Campground, um lugar ideal para pausas tranquilas e, quem sabe, pescarias. Há, também, lugares como o Grace River Island Resort, um resort privado que costuma receber muito bem os viajantes náuticos.

Ao todo, são cinco eclusas dividindo o rio ao longo do trajeto. Não há taxa alguma de travessia para os donos de barcos de lazer. São eclusas grandes, projetadas para acomodarem embarcações comerciais. Recomenda-se que haja um aviso prévio aos operadores responsáveis pela liberação do cruzamento antes de qualquer proximidade com a eclusa, mas, ainda assim, é necessário chamá-los pelo radio vhf, no canal 13, no momento em que chegar.

Uma das muitas eclusas do Rio Caloosahatchee

O Rio Caloosahatchee oferece muitas paisagens verdes ao logo do caminho, como o LaBelle Nature Park, um parque para admirar os mais variados tipos de plantas e árvores, seguir trilhas e observar paisagens admiráveis por toda a sua extensão.

A navegação pelo Rio Caloosahatchee terminará em um canal, que contorna o Lago Okeechobee. O caminho segue ao sul, onde surgirá a Marina Roland Martin, considerada parada obrigatória antes de cruzar o Lago Okeechobee. Uma tradição para os cruzadores do lago.

Entrando em Okeechobee pelo sudoeste, há um longo canal, bem demarcado, que segue para o leste, e depois nordeste, até apontar no lago. No meio desse canal, inclusive, encontra-se o Slim’s Fish Camp: um acampamento voltado para a pesca, seja para estadia ou viagens passageiras.

O Lago Okeechobee, apesar de grande, é muito raso em toda sua extensão. A profundidade deve ser um dos cuidados prioritários da tripulação. A continuação da travessia é por meio de Port Mayaca, uma das últimas eclusa da travessia antes de entrar no Canal de St Lucie.

A eclusa de Port Mayaca

Após cruzar o Lago Okeechobee e a eclusa de Port Mayaca, a próxima parada costuma ser a cidade de Indiantown. Há alguns restaurantes na marina para pausas rápidas, e, por ser uma cidade histórica, a recomendação é conhecê-la.

Leia também

» Como funciona o sistema de eclusas no Rio Tietê, em São Paulo

» Dois britânicos e um cão: a ousada travessia em uma balsa salva-vidas

» De Piçarras a Angra: dicas valiosas para fazer a travessia

Viajando pelo Canal de St Lucie, no último trecho da viagem, encontram-se vários estabelecimentos náuticos, como a Sunset Bay Marina, que oferece serviços como chuveiros, amarrações, lavanderia, lojas náuticas e restaurante. Outros dois points são bastante frequentados por donos de barcos que realizam essa travessia: os restaurantes Stuart Boathouse e Tidehouse, ambos ostentam uma variedade de frutos de mar em seu cardápios.

Paisagem do restaurante Stuart Boathouse

Ao aproximar-se da cidade Stuart, será perceptível a mudança da paisagem ao redor. O número de marinas cresce, assim como as construções nas margens do canal. A dica, nesse momento, é estar com as pesquisas em dia, para aproveitar a diversidade de hotéis, marinas e restaurantes.

Como se vê, a travessia náutica interior de uma costa a outra da Flórida é uma viagem considerada simples e segura, que quase todos os velejadores são capazes de realizar, e que deixa a sensação de uma grande realização para quem a consegue concluir.

Por Naíza Ximenes, sob supervisão do jornalista Otto Aquino

Gostou desse artigo? Clique aqui para receber o nosso serviço de envio de notícias por WhatsApp e leia mais conteúdos.

FS Yachts