Conheça o maior trimarã particular a motor do mundo

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O fabuloso mundo dos superiates cresce de maneira tão acelerada, que mesmo novíssimos barcos não têm conseguido entrar para a seleta lista dos 100 maiores do planeta — objetivo secreto da maioria dos seus vaidosos donos. Antes mesmo de saírem dos estaleiros, já foram superados em tamanho por outros projetos.

Uma das mais recentes vítimas dessa disputa por um lugar no rol dos 100 mais foi este  esplendoroso superiate, o Galaxy of Happiness. Com 174 pés de comprimento e um show de amenidades a bordo, este trimarã, em outros tempos, teria, fácil, fácil, lugar garantido entre os 50 maiores iates do mundo — hoje, não está nem entre os 100. Para almejar um lugar na lista, ele teria que ser, no mínimo, 90 pés maior do que é. E, ainda assim, ficaria em último. Nem isso seus 53 m de comprimento conseguiram.

Sim, parece uma nave espacial recém-pousada na água que, à luz do sol, cintila o tom prateado que predomina em seu casco futurista. E até o nome parece fazer referência a uma espaçonave. Mas o Galaxy of Happiness, construído na Europa, dentro dos mais altos padrões que a tecnologia atual permite, é um luxuoso superiate — mais especificamente, o maior trimarã particular a motor do mundo e, ainda por cima, híbrido, que pode ser impulsionado tanto por motores a diesel quanto por eletricidade. E é muito mais do que parece. Por fora, por dentro e pelo que entrega. Uma maravilha da arquitetura naval que faz jus à palavra “felicidade” estampada em seu exótico casco.

Lançado no ano passado, o Galaxy of Happiness está avaliado em 23 milhões de euros, de acordo com a Fraser Yachts, uma das mais importantes empresas de vendas de superiates do mundo. Navegando na velocidade de cruzeiro (24 nós), a embarcação, impulsionada por dois motores MTU diesel de 2 600 hp cada, tem autonomia de 2,3 mil milhas — a velocidade máxima é de 30 nós. Segundo o fabricante, o estaleiro Latitude Yachts, com sede na Letônia, o multicasco usa 40% menos energia para atingir a mesma velocidade máxima que um monocasco convencional, porém oferecendo mais conforto e estabilidade. Já com os propulsores elétricos, capazes de gerar 120 kW, a velocidade é de 6 nós e a autonomia, superior a uma hora. E, o que é melhor, no maior silêncio possível. Apenas ouvindo o som da água batendo em seus três cascos.

Tanto nas áreas externas quanto no interior, o multicasco — que leva em sua estrutura compostos de materiais como plástico reforçado e fibra de vidro — ostenta uma qualidade excepcional. Foi construído a partir de uma mistura de fibra de vidro e fibra de carbono. Do convés de teca ao suntuoso camarote do proprietário, passando pelo amplo salão com bancadas de mármore e piso de mogno vermelho, o barco inspira solidez e, ao mesmo tempo, suavidade. A generosa praça de popa abriga muitos sofás e uma grande mesa para refeições. Dali saem duas escadas (uma em cada bordo) que conduzem ao flybridge, onde não há posto de comando, e sim uma jacuzzi conjugada a um minibar.

Depois de ser entregue ao dono, a embarcação fez um giro por alguns portos da Europa. E, como não poderia deixar de ser, atraiu muitos holofotes. Construído com base em um projeto francês, o Galaxy of Happiness foi concebido em sua maior parte numa peça única, a exemplo de seu irmão-gêmeo, batizado simplesmente de Galaxy (e que pertence ao mesmo dono, acredite…). “Esses dois superiates significam dois anos e meio de um trabalho intenso, complicado e muito interessante”, disse Valdis Irbe, um dos sócios da Latitude Yachts, à época do lançamento.

Segundo ele, foi um grande desafio tocar esse trabalho. E, sem economizar na modéstia, acrescentou: “Fui corajoso o suficiente para concordar em trazer este projeto à vida”. O executivo agradeceu também ao cliente, “pela confiança e oportunidade de realizar este projeto de imensa complexidade, aplicando os mais altos padrões do mundo dos iates exclusivos”. Para o criador desta obra, os supertrimarãs de luxo podem inaugurar um promissor nicho a ser explorado nos próximos anos, principalmente para quem gosta de navegar com velocidade e autonomia. O design interior é assinado pela própria Latitude Yachts, em parceria com Jean-Jacques Coste, conhecido por projetar catamarãs a vela que ganharam elogios mundo afora, como o Cartouche, de 95 pés. Apesar do tamanho, o Galaxy of Happiness abriga apenas três exclusivos camarotes, sendo um do proprietário (pelo que consta, trata-se de um reservado magnata russo), com capacidade para acomodar um total de seis pessoas em pernoite — seis também é o número de tripulantes a bordo.

Por outro lado, são muitas as áreas comuns (só o salão possui três ambientes de entretenimento). Um sistema especial acoplado às janelas controla a entrada de luz natural, funcionando como uma espécie de dimmer, ao passo que o teto tem uma grande claraboia, por onde a luz do sol pode entrar sem limitação. À noite, entra em cena o sistema de iluminação artificial, com (muitas) luzes de led.

As áreas externas foram recobertas de peças de teca natural fabricadas com uma inovadora tecnologia de vácuo. Não apenas pelo fato de ser um multicasco, mas a estabilidade do Galaxy of Happiness é garantida por conta do posicionamento dos estabilizadores, instalados na parte traseira, próximo das “asas” que se ligam ao casco. São essas asas, a propósito, que permitem à embarcação alcançar maior velocidade durante a navegação, diminuindo sensivelmente o arrasto e proporcionando economia de energia. Por sua vez, o tanque de combustível tem capacidade para 18 mil litros e o de água pode receber incríveis 5 mil litros — bem mais do que muitas mansões em terra firme.

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