Conheça a história do casal que decidiu abandonar tudo para viver a bordo de um catamarã de 48 pés

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Ryan e sua esposa Nicole iniciaram uma expedição à vela em tempo integral, buscando por vento constante, água lisa e ondas perfeitas. Desde 2014, o casal vem navegando incessantemente, com mais de 20 mil milhas percorridas através do Oceano Pacífico. Eles decidiram criar um blog onde retratam as viagens explorando águas desconhecidas, descobrindo lugares selvagens, praias intocadas, recifes de corais e vento tropical.

“Se você mora em um barco por tempo suficiente, você cruza um limiar em que a vida no mar se torna ‘normal’ e a vida terrestre é ‘diferente’. Velejar não é mais algo que você faz, é sua realidade diária. Não importa o quão cansado, molhado, salgado, frustrado, queimado de sol ou qualquer um dos inúmeros desafios que você enfrenta na vida no mar, a água é a sua base, os ventos e as ondas definem o seu fluxo. Você percebe que quando está no mar, você está em casa”.

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O casal, que é da Califórnia, decidiu embarcar nessa aventura depois de uma descoberta um tanto quanto desagradável – a Distrofia Muscular Facioscapulohumeral (FSHD) de Ryan. Essa doença causa o enfraquecimento contínuo dos músculos de todo o corpo. Ryan não consegue mais manter os braços acima do ombro, ficar na ponta dos pés ou fazer uma única flexão ou abdominais, mas encara todas essa adversidades.

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Ryan enquanto navegava para as Ilhas Marquesas

Antes mesmo de começar esse desafio, o californiano já possuía uma vasta experiência em assuntos náuticos. Já foi campeão nacional de vela, competindo como membro da US Sailing Team, já comandou um super iate de luxo, liderando a Equipe Médica de Emergência/Resgate do Big Wave Tour, já foi instrutor de kitesurf certificado pela PASA e IKO, além ensinar mergulho, windsurf, vela, surfe e caiaque de expedição.

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Ryan liderando a equipe de Emergência Médica / Resgate do Big Wave World Tour

Hoje, depois de trocar uma moradia em terra firme por um barco, o casal visita inúmeras ilhas por onde passa, e aproveita os melhores locais em mar aberto para praticar os esportes que amam. A última mudança foi de um monocasco antigo de 38 pés para um multicasco de 48 pés, sendo “um grande salto em conforto e desempenho” – e tudo estudado para facilitar tanto a navegação quanto a prática dos esportes pelos quais os dois são apaixonados. Entre eles, o kiteboarding.

“Quando fui diagnosticado, não havia nada disponível para ler, exceto coisas deprimentes, como descrições clínicas de sintomas, então sempre me esforcei para ser um exemplo público de uma abordagem possível para viver com a doença. O kiteboarding me capacita a me mover e me expressar com uma liberdade muito além de qualquer outra coisa possível, dados os efeitos da minha doença”.

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Ryan conta que, apesar de necessitar de cada vez mais ajustes para conseguir praticar o kiteboarding, a sensação é semelhante a de voar sobre as águas – como se, em alguns momentos, a mente desligasse e ele sentisse que a pipa e a prancha são extensões do próprio corpo. “É difícil explicar o quanto isso significa para alguém como eu, cuja vida sempre foi muito física e baseada em minha relação com o oceano. Conforme minha doença progredia, perdi a capacidade de remar uma prancha de surfe, mas com uma pipa, consigo surfar nas ondas”.

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Um dos locais favoritos do casal para a prática do esporte é o Taiti. Eles dizem que, além da possibilidade de navegar em um paraíso tropical, ainda podem contar com uma experiência mais tradicional e menos desenvolvida, por conta da menor quantidade de habitantes.

A ilha na Polinésia Francesa possui uma barreira de recifes ao seu redor, que cria uma lagoa protegida de água plana, com uma variedade de boas ancoragens e locais para kitesurf. Existem 118 ilhas na Polinésia Francesa que se estendem por mil milhas náuticas. Muitos dos lugares visitados pelos aventureiros são desabitados e desconhecidos, exemplificando o desafio que é viajar por essas áreas isoladas.

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Por Naíza Ximenes, sob supervisão da jornalista Maristella Pereira

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PUB Intermarine 13/07/2020