Canal aberto com o Planalto

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O presidente interino Michel Temer participou, nesta quarta-feira, dia 8, no Palácio do Planalto, de reunião com 200 empresários de diferentes setores produtivos, a fim de ouvir sugestões de solução para a crise econômica enfrentada pelo país. Recém-reeleito presidente da Associação Brasileira dos Construtores de Barcos e Seus Implementos (Acobar), Eduardo Colunna integrou uma comitiva liderada pelo presidente da Federação das Indústrias do Estado de São Paulo (Fiesp), Paulo Skaf, e aproveitou a oportunidade para não só estreitar laços com o governo federal como, também, levar aspirações do setor.

“Tive a oportunidade de falar para o presidente sobre o nosso setor, intensivo em mão de obra e com muitos entraves, e que precisamos do apoio do governo”, comentou Colunna, logo após o encontro, que teve como pauta principal a retomada do crescimento. “O presidente me disse que o canal com o Planalto está aberto, via Fiesp, em todas as esferas. Ele comentou também que o governo entende o setor e disse ‘precisamos e vamos investir nele’”, prosseguiu o dirigente da Acobar.

Na visão de Colunna, falta uma visão governamental estratégica para que ocorra um desenvolvimento sustentável do setor náutico, que, paradoxalmente, possui vasto potencial de crescimento. “Hoje, geramos cerca de 50 mil empregos diretos e indiretos. Podemos chegar a 100 mil ou até o dobro disso, a médio e longo prazo, dependendo do crescimento da economia”, projeta ele, esclarecendo que a cadeia produtiva é muito grande e beneficia áreas congêneres, como a do turismo náutico.

Os principais entraves com os quais a indústria náutica se defronta são dificuldades ligadas à área tributária, escassez de mão de obra especializada, falta de registro único (Renavan), ausência de linhas de crédito com taxas atrativas para a expansão, falta de infraestrutura de apoio à navegação costeira, diversidade da legislação ambiental para investimentos no setor e inexistência de marcos regulatórios específicos que viabilizem os investimentos privados. Por outro lado, há muitas vantagens a explorar, como condições geográficas e clima favoráveis, na comparação com outros países (“Temos as maiores bacias hidrográficas do mundo”, pontua Colunna), capacidade técnica e know how das empresas, além da atual taxa de câmbio do dólar, que favorece as exportações.

Eduardo Colunna avalia como boas as perspectivas. “Todos estão alinhados e imbuídos de ações rápidas e busca do equilíbrio de receitas versus despesas, reformas trabalhistas e previdenciária, controle da inflação e baixa das taxas de juros, entre outras medidas”, disse ele. O presidente Temer, por sua vez, destacou que a presença dos empresários mostra o interesse comum do governo e da iniciativa privada de que o país cresça. “Não se trata apenas de pretender que a sua empresa cresça, mas é a convicção mais absoluta de que, se os senhores crescerem, o Brasil vai crescer. E é esse o trabalho que os senhores vão fazer”, declarou Temer aos presentes.

Para Colunna, a aproximação com o governo federal tem, ainda, um outro significado, mais profundo e que pode demarcar uma nova fase para a indústria náutica: “Hoje, já não somos mais marginalizados como fabricantes de produtos para ricos, como no passado. Devagar, vamos introduzindo a realidade do nosso setor na contribuição do emprego, divisas e contribuições na economia do país”.

Foto: Divulgação

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