Canadá aprova primeiro barco movido a bateria para transporte de passageiros

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A Ambassatours Gray Line, em parceria com a Glas Ocean Electric, são responsáveis por uma aprovação de segurança inédita do Conselho de Revisão Técnica Marinha do Canadá: um barco comercial de passageiros movido a bateria. A embarcação pode levar até 25 convidados para pescar em alto mar e foi estilizada pelo artista indígena de renome mundial Alan Syliboy, das Primeiras Nações Mi’kmaq. O barco ganhou o nome de Alutasi, que significa “um barco que guia para a melhor pesca”, também nas tradições Mi’kmaq.

O Alutasi – um Cape Islander de pesca -, bem conhecido no leste do Canadá, ganhou um sistema elétrico híbrido paralelo que incorpora o motor a diesel, além de uma reforma na propulsão, e um mural representando vários animais marinhos em seu casco. O barco passou por uma reforma de 17 meses até atender aos parâmetros de energia marinha renovável desejados pela Glas Ocean Electric. Esta, por sua vez, contou com a assistência financeira e doações de uma variedade de fontes públicas e privadas, incluindo a Nova Scotia Power e o Conselho Nacional de Pesquisa do Canadá.

A intenção era instalar um sistema totalmente elétrico, mas o híbrido foi o escolhido, tanto por segurança, quanto por praticidade. Como a embarcação precisa navegar em dois tipos de águas diferentes a cada viagem – Porto de Halifax e as águas do Oceano Atlântico -, o diesel será usado para trânsito rápido no porto, e o motor elétrico no restante do trajeto.

As baterias de lítio são alternativas sustentáveis aos motores tradicionais, devido à sua versatilidade. São altamente energéticas quando se trata de recarga, já que o lítio é um elemento muito reativo, sendo esta uma das razões pelas quais pode produzir uma densidade de energia tão alta. O resultado é uma carga que é armazenada por mais tempo e se dissipa muito mais lentamente. Ainda existem as vantagens de não reagirem com água, serem relativamente pequenas e não haver a necessidade de requisitos especiais ou tempo de inatividade. Garante alta produção, mesmo em condições menos padronizadas, como temperaturas extremamente baixas (abaixo de zero).

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A Dra. Sue Molloy, CEO da Glas Ocean Electric há 4 anos, conta que um dos principais objetivos é mostrar às pessoas o potencial de barcos elétricos. A equipe, sob a sua liderança, é conhecida internacionalmente por seu trabalho no setor de energia renovável marinha. A Ambassatour Gray Lines, proprietária da embarcação, possui uma frota significativa, e Molloy explica estar confiante de que esta inovação náutica será o pontapé inicial para a influência em outros barcos turísticos. “Basta fazer um passeio pela manhã, carregar e fazer outro passeio à tarde”. Para isso, várias negociações com um dos financiadores – a Nova Scotia Power – estão em andamento. A proposta estudada é a de instalação de carregadores Nível 2 e Nível 3 nas docas da cidade, para carregar todos os barcos elétricos.

A CEO também é responsável por pesquisas sobre energia das marés na Universidade Dalhousie de Halifax, onde atua como Professora Adjunta. Ela conta que todo o processo de certificação de segurança para um barco de passageiros comercial foi muito complicado, porque o transporte canadense tem regulamentos muito rígidos em relação à segurança quando os passageiros estão envolvidos. “Poderíamos simplesmente ter optado por um barco de pesca e ter menos regras para lidar, mas como este é um barco de passageiros, há muito mais rigor”. Nessa mesma universidade, encontra-se uma equipe de pesquisa liderada por Jeff Dahn, voltada somente a baterias de lítio.

Os testes de garantia de sustentabilidade do Alutasi foram feitos com o intuito de mensurar as emissões de gases de efeito estufa e a emissão de ruído em três diferentes hélices – um novo, um em uso e um danificado, e em diferentes cargas. Os estudos apontam que o novo sistema reduzirá as emissões de gases de efeito estufa em 40%, e o ruído subaquático irradiado entre 40% e 60%.

O objetivo da Glas Ocean agora é produzir um barco de pesca totalmente convertido para a versão elétrica. As possibilidades correm pela Costa Rica e pelo Caribe, procurando sempre por barcos semelhantes ao Alutasi, que opera perto da costa. O tempo de retorno em termos sustentáveis é estimado em cinco a oito anos, mas, de acordo com Molly, caso haja operações que sejam usadas com frequência durante o ano todo, o retorno pode ser em dois anos.

Por Naíza Ximenes, sob supervisão da jornalista Maristella Pereira

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