Barcos elétricos podem ser solução de navegação em Veneza

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O rastro —  também conhecido como Moto Ondoso, em italiano —  de milhares de barcos a motor está lentamente desgastando os solos dos edifícios icônicos de Veneza. A solução? Um barco elétrico de projeto sueco que “voa” acima da água.

Veneza enfrenta uma escolha difícil entre usar lanchas rápidas nos canais e proteger o patrimônio cultural icônico da cidade. A cidade tem um sistema de tráfego único, onde o principal meio de transporte são os barcos.

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Isso, no entanto, não isenta o local da poluição sonora e do congestionamento relacionados ao tráfego. Na verdade, o único tráfego lá é o ”Moto Ondoso”, esteira da poluição, que já causou danos a 60% dos edifícios da cidade, segundo um estudo.

Os maiores culpados são os táxis aquáticos e os barcos turísticos. À medida que passam pelos canais estreitos, eles geram uma esteira que lava as paredes e fundações do canal com grande energia, acelerando a erosão e, eventualmente, levando ao colapso do edifício.

A maioria dos motores de barcos a motor não tem os conversores catalíticos sofisticados encontrados nos carros e, portanto, expelem óxidos de nitrogênio e partículas.

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Acredita-se que a natureza ácida da poluição esteja acelerando a erosão das construções medievais da cidade, que já estão afundando na lagoa — um processo acelerado pelas constantes correntes, causadas pelo grande número de embarcações que passam pelos canais.

É por isso, também, que durante o ano de 2020, as vias navegáveis ​​(geralmente escuras) de Veneza tornaram-se visivelmente mais claras devido à ausência de tráfego de barcos a motor, por conta da pandemia.

Com sorte, ainda há alternativas para esse comportamento e as águas venezianas ainda podem ficar claras — ou pelo menos essa é a visão apresentada pela Candela Boats, uma empresa de tecnologia sueca que fará uma demonstração de seus barcos elétricos voadores durante o Salone di Nautica em Veneza, que começou no de 29 de maio.

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Os barcos de Candela funcionam em hidrofólios (asas subaquáticas controladas por computador), que elevam o casco acima da água e diminuem o atrito com a água em 80%, em comparação com os barcos-táxi convencionais.

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Prometendo pouca energia e viagem silenciosa, o barco de lazer C-7 da Candela foi pensado para produzir uma esteira com menos de 5 cm de altura — ou aproximadamente do tamanho de uma esteira gerada pelos barcos a remo tradicionais de Veneza.

O Candela C-7 é o primeiro hidrofólio elétrico do mundo já construído, e estará disponível para testes em Veneza, de 29 de maio a 6 de junho.

Erik Eklund, o diretor de transporte público da Candela, ainda explica: “Hidrofólios são a tecnologia de última geração para barcos a motor. Eles permitem que você navegue rapidamente, com a energia da bateria e sem despertar ruído ou batendo”.

O C-7 promete navegar em alta velocidade por mais de 2 horas a uma velocidade de 20 nós. O barco ainda voa sobre ondas agitadas (em vez de passar por elas) resultando em conforto superior para seus passageiros.

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“Com o C-7, queríamos construir o primeiro barco elétrico sem concessões. Pode ir rápido e longe, como barcos com motor de combustão. Mas também é totalmente silencioso, muito mais suave e divertido de dirigir, não cria ondas e é muito econômico. E o melhor: é cerca de 99% mais barato operar do que um barco a gasolina do mesmo tamanho” completa Erik Eklund.

Assim como um avião moderno, os hidrofólios do C-7 são controlados por computadores que ajustam o ângulo de ataque continuamente.

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O diretor ainda deu um depoimento, falando que “em uma Veneza do futuro, o transporte marítimo não será apenas isento de emissões, silencioso e sem danificar os edifícios icônicos da cidade. Ele também será barato para operar e poderá fornecer uma experiência nova para turistas e moradores locais. É isso que esperamos alcançar com o P-30. Mostraremos que os barcos elétricos podem ser muito melhores do que os concorrentes de combustíveis fósseis e, ainda assim, ser gentis com a natureza”.

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Dentre as especificações técnicas do Candela C-7, estão: construção em fibra de carbono, peso de 1 300 kg, comprimento de 7,70 metros, velocidade máxima de 30 nós e velocidade de cruzeiro de 22 nós, que proporcionam alcance de 50 milhas náuticas. Além disso, a bateria ainda conta com 40 kWh e a capacidade de foiling de 800 kg.

Por Naíza Ximenes, sob supervisão da jornalista Maristella Pereira.

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