Réplica de barco histórico NAU Santa Maria chega a Salvador

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Após navegar 1 140 milhas pela costa brasileira, o equivalente a mais de dois mil quilômetros, a réplica da NAU Santa Maria – embarcação que trouxe Colombo às Américas em 1492 – aporta em Salvador (BA). A embarcação, que levou quase quatro anos para ficar pronta, está de passagem pela capital baiana nesta terça-feira (10). O barco foi inteiramente construído em Santa Catarina e seguirá para Curaçao/Antilhas Holandesas, onde será utilizado para passeios turísticos nas praias caribenhas.

A embarcação reproduz a caravela que trouxe o explorador Cristóvão Colombo às Américas, sendo a primeira a ser feita aqui no Brasil. Foi construída em Itajaí (SC) e finalizada no município vizinho de Navegantes (SC), ambos com tradição no segmento da construção naval. Assim como o barco original, vale destacar que a réplica também ostenta os brasões espanhóis e o sino que teria sido tocado por Colombo ao anunciar a descoberta do novo continente. Com 28 metros de comprimento e mais de oito metros de largura, a embarcação também possui três mastros de velas.

Responsável pelos trâmites de exportação e importação de materiais usados na construção do barco, assim como o processo que habilitou a viagem rumo ao seu destino, o diretor da empresa H.ace (Hosang – Assessoria em Comércio Exterior), Jorge Irineu Hosang, explica que o barco possui casco de aço, mas a pintura é idêntica a madeira que era utilizada nas antigas caravelas.

“É um pequeno navio que foi construído com o que existe de mais avançado em recursos de navegação. É movido por dois motores a diesel, sendo equipado com radar, cartas náuticas eletrônicas, sistema de comunicação via satélite, dessalinizador para transformar a água do mar em potável, assim como sistema de ar-condicionado e até uma cozinha industrial”, destaca.

Hosang conta que a réplica será utilizada para fins turísticos nas ilhas do Caribe. Durante o dia fará passeios pelas praias da região e a noite funcionará como restaurante flutuante. O investidor do projeto, o argentino Miguel Pedro Sheppard, explica que a construção da embarcação contou com um extenso trabalho de pesquisa histórica, combinado a uma engenharia moderna, para oferecer conforto e segurança aos tripulantes.

Segundo o empresário estrangeiro, incluindo todos os custos com estudos foram investidos em torno de três milhões de dólares (equivalente a quase 18 milhões de reais), na execução desta primeira réplica. “O processo de construção envolveu anos de pesquisa histórica que foram alinhados a uma engenharia contemporânea e de vanguarda”, disse Sheppard.

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A primeira viagem 

Desde que deixou o litoral catarinense, no dia primeiro de novembro, Salvador foi a primeira parada da NAU Santa Maria. A embarcação ficará ancorada no Centro Náutico da Bahia apenas para abastecimento de diesel e mantimentos. Ao deixar o litoral baiano, entre a noite de terça-feira e a madrugada de quarta (11), o barco deve seguir viagem e a tripulação estuda uma parada na cidade de Natal ou em Paramaribo, no Suriname.

De acordo com Cristhian Alejandro González Miranda, assessor de negócios da empresa investidora do projeto e um dos tripulantes da embarcação, o percurso entre Santa Catarina e Salvador aconteceu dentro do esperado, as condições climáticas foram favoráveis e a NAU apresentou excelente desempenho. Cristhian conta que a embarcação tem viajado na velocidade média entre  6 e 7 nós e explica que ainda faltam três mil milhas para o destino final. Com estas condições, a previsão é que a chegada em Curaçau ocorra na primeira semana de dezembro.

Projeto prevê a construção de outras réplicas

Este foi apenas o primeiro barco, de uma série de 10 embarcações idênticas, que devem ser construídas nos próximos anos no Litoral Norte catarinense. Todas elas devem ser utilizadas em turismo nas diversas ilhas caribenhas.

Além da reprodução da NAU Santa Maria, também estão previstas a construção de quatro réplicas da embarcação Pérola Negra, que estrelou a famosa série de filmes “Piratas do Caribe” e de dois La Venganza de La Reina Ana, o galeão mais moderno do século XVIII, roubado e transformado em navio pirata por Barba Negra.

Além da empresa H.ace, que foi responsável pela logística e importação de materiais usados na construção da NAU, também atuaram no projeto da primeira réplica da NAU Santa Maria o estaleiro Caçapava (construção do casco), o Estaleiro Felipe (pintura), a empresa Hélices Hoffman (sistema de propulsão. Além destas empresas, também contribuíram com a construção os profissionais Luiz Andres Pimentel (proa e desenho do barco), Thiago Sucolotti  (tubulação), Heliomar Grande (carpintería do barco),  Leonardo Torres (assessor técnico mecânico) e Maycol Rebelo (sistema elétrico).

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