Baleias jubarte são atração especial em Ilhabela durante a Semana de Vela

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A pergunta que não quer calar: o que as baleias jubarte estão fazendo em Ilhabela? São muitas. Apenas neste ano, foi registrada a presença de 84 desses gigantescos e dóceis animais em águas da capital brasileira da vela. Para decifrar esse enigma, a Secretaria de Desenvolvimento Econômico e do Turismo de Ilhabela escalou para uma palestra na Race Village os biólogos Júlio Cardoso e Marina Leite Marques. Ele, diretor de meio ambiente do Iate Clube de Ilhabela e coordenador do Projeto Baleia à Vista. Ela, do Projeto Viva, Baleias, Golfinhos e Cia., do Instituto Verde Azul.

Foto Julio Cardoso

Vindas de uma longa viagem das águas geladas da Antártica, as jubarte começaram a chegar em Ilhabela pouco a pouco, em números crescentes ano a ano. Em 2016, o primeiro ano da invasão, foram observadas 30 baleias dessa espécie. Em 2018, 42. Já em 2019, apenas entre os dias 4 de junho e 4 de julho, houve 53 registros de 84 (!) jubartes. “Surpreendentemente, elas estão passando bem próximo da costa”, conta Marina, que, ao lado da equipe do Viva, observa o fenômeno de um lugar privilegiado: Borrifos, no sul da ilha, onde foi instalado um ponto fixo de observação. “Não tem um horário certo para elas aparecerem. A gente monitora da hora que o dia nasce até a hora em que o sol se põe”, explica a bióloga. Uma dúzia dessas gigantes foram vistas até no Canal de São Sebastião.

Mas, afinal, que que elas estão fazendo em Ilhabela? Buscando comida, simplesmente descansando ou conquistando novos territórios? “Como a maioria das baleias que temos observado são jovens, ainda não em idade de reprodução, que se inicia aos 5 anos, é possível que estejam investigando novos territórios”, avalia Júlio Cardoso. Nada mais natural em se tratando de uma espécie que passou a se reproduzir em proporção geométrica. Estima-se que a população de jubartes na Antártica seja de 25 mil baleias.

Foto Julio Cardoso

“Aqui em Ilhabela, nunca se viu tantas baleias dessa espécie juntas, exceto há 300 anos, quando veio a caça e acabou com elas”, afirma o biólogo do Projeto Baleia à Vista. Que revela aos navegantes: o maior número de registros se deu entre a Ponta da Sela e a Ponta do Boi. Então, fica a dica: quem quiser apreciar o espetáculo das jubartes é só navegar nessa região.

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