Atibainha, a represa surpresa de São Paulo, em Nazaré Paulista

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Água pura, muito verde, fartura de peixes e, ainda por cima, ao lado de São Paulo. Por essas e outras é que Atibainha é conhecida como a “Represa Surpresa”.

São Paulo tem muitas e bonitas represas, mas poucas delas são tão graciosas quanto esta aqui, que é simpática até no nome, um diminutivo: Atibainha. Trata-se de uma fina e comprida extensão de água puríssima, encravada em um dos sopés da Serra da Mantiqueira e com estreitos braços que penetram nas ramificações das margens, formando bucólicas paisagens que são refletidas numa superfície tão lisa e tranquila que mais parece uma lâmina de vidro.

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E mais surpreendente ainda é que ela fica no município de Nazaré Paulista, cidade que é praticamente vizinha à capital paulista. Mas poucos paulistanos sabem disso. Menos de uma hora de carro (ou metade disso, a partir de certas áreas da parte leste de São Paulo) separa o formigueiro humano da maior metrópole do país, repleta de automóveis e concreto, de paisagens tranquilas assim.

Até quem vive em São Paulo praticamente desconhece essa represa ou, pelo menos, não imagina que, debaixo da grande ponte da moderna rodovia que a atravessa, a Dom Pedro II, que liga o interior paulista aos caminhos do litoral (e quase sempre o único instante em que a represa é percebida, no caminho da praia), existam cenários como o que você verá nas páginas seguintes. A represa de Atibainha é um oásis de tranquilidade nos arredores da caótica capital paulista.

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Além de render belas paisagens, boas pescarias e deliciosos passeios de barcos, a represa de Atibainha, mais conhecida como represa de Nazaré Paulista, cidadezinha de pouco mais de dez mil habitantes a apenas 50 quilômetros em linha reta de São Paulo e a única que ela banha, é também responsável por mais da metade da água potável que a cidade de São Paulo consome — e isso também quase nenhum paulistano sabe.

Suas águas são tão puras que o órgão que cuida do abastecimento de água da capital paulista se orgulha de gastar quatro vezes menos com os tratamentos de potabilidade da água que sai de lá do que nas demais represas da região. E ninguém precisa ser técnico sanitário para chegar à mesma conclusão. Basta pegar um punhado dela nas mãos e constatar a transparência da água.

Boa parte disso veio do cuidado que se teve no passado em retirar toda a vegetação que cobria a região antes de a água inundar tudo e criar a represa, décadas atrás — justamente para ajudar a abastecer de água a cidade de São Paulo. Com isso, não houve decomposição da mata na água nem formação de muitos resíduos no fundo.

Além disso, como sua água vem de nascentes espalhadas na cadeia de montanhas da Serra da Mantiqueira que a cercam, ela chega naturalmente pura até a represa, sem nenhuma contaminação. E permanece assim ao longo de todo o seu caminho, até às torneiras da capital paulista. É um presente da natureza também para os amantes das pescarias e dos esportes náuticos.

Mas a represa de Atibainha não é grande. Ao contrário, é bem modesta em área e ocupa apenas 25 km². No formato, não passa de uma fina e comprida extensão de água, encravada em um dos sopés da Serra da Mantiqueira e com estreitos braços que penetram nas ramificações das margens, formando bucólicas paisagens, onde o verde da mata das suaves colinas ao seu redor encontra a água e cria a sensação de ter sido refletido num espelho.

Nos meses de inverno, uma densa bruma costuma dominar as primeiras horas da manhã na represa e dá ares quase europeus às reentrâncias das margens, feito certos lagos suíços. À tardinha, pássaros passam em revoadas, enquanto um ou outro barco navega, com absoluta tranquilidade, em um cenário que mais parece de filme — ou aquelas imagens poéticas de calendários de parede. Nem de longe lembra a agitação de São Paulo.

Num dos seus extremos, próximo à barragem que controla o nível das suas águas, há até uma formosa cachoeira, que escorre pelas pedras antes de desaguar na represa. Não por acaso, navegar até ela de lancha ou jet ski (Atibainha tem, proporcionalmente à quantidade de barcos, uma das maiores frotas de jets do estado) é o principal passeio da região e garantia certa de distração, porque o caminho até lá atravessa quase toda a represa e rende lindas paisagens — a começar pela da própria cachoeira.

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Mesmo quem não tem barco pode visitá-la, de duas maneiras: alugando um, nas várias marinas da represa, ou embarcando nos passeios de “chalana” (nome que os locais dão às pequenas embarcações que levam os turistas para passear nas águas de Nazaré Paulista).

É um passeio muito tranquilo e relaxante, que faz todo mundo navegar pensando na vida, enquanto admira uma paisagem rara para um lugar tão perto assim de São Paulo. Quem já descobriu isso, como os donos de jets, de pequenas lanchas e pescadores de fim de semana não quer saber de outro lugar.

Pescadores em particular adoram essa represa, que é farta em traíras, carás, tabaranas, tilápias, tucunarés e black bass — os três últimos ali implantados justamente para atrair os amantes do anzol.

Os tucunarés, tanto os amarelos quanto os azuis (estes, um pouco mais raros), fazem a festa dos pescadores que, com seus barquinhos de alumínio, são presença constante nas águas de Atibainha, em especial (também) nas imediações da cachoeira.

Já os donos de barcos preferem sair para esquiar ou parar para almoçar num dos restaurantes das marinas, o que gera um gostoso vaivém de pequenas lanchas nos fins de semana.

Mas poucos vão até a própria cidade de Nazaré Paulista (embora ela tenha até uma prainha), porque o apelo da beleza da natureza é maior do que a vontade de passear pelas ruas da cidade, cujo maior atrativo é a igreja dedicada à santa que batiza o município — e cuja curiosa história da sua imagem é a mais gostosa de ser ouvida.

Reza a lenda que havia apenas uma imagem de Nossa Senhora de Nazareth para duas igrejas dedicadas a ela na região, o que teria gerado o (falso) milagre da mudança da santa de uma capela para outra, sem interferência humana. Na verdade, ela era sistematicamente roubada pelo responsável pela capela secundária, que, para justificar o surgimento da imagem, alegava o tal “milagre”. Se é verdade ou não, ninguém sabe. Mas todo mundo adora contar essa história na cidade.

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Milagre mesmo é que, com tamanha beleza e proximidade da maior cidade do país, a represa de Nazaré Paulista ainda seja tão pouco conhecida. “Isso aqui é um achado em São Paulo”, vibra um dos seus habituais frequentadores. É verdade. Tanto que já há um projeto do governo paulista para transformar boa parte do entorno da represa em um parque ecológico.

Se isso acontecer, com as restrições de uso que virão a seguir, é bem possível que Atibainha se torne ainda mais rara e pouco explorada, como uma espécie de tesouro náutico dos privilegiados que já a descobriram. E que, por enquanto, são bem poucos. Apesar de ficar praticamente colada a São Paulo, o que, sem dúvida, é o mais surpreendente de tudo.

A represa Atibainha tem muitas marinas que também são pousadas e até alugam barcos, tudo num só lugar. Proporcionalmente ao tamanho da represa, Atibainha é muito bem servida de marinas. Há quase uma dúzia delas espalhadas pelos diversos braços d’ água e algumas de ótimo nível.

Além disso, a grande maioria funciona, também, como pousada ou até mesmo pequenos condomínios, com quartos e chalés completos para alugar por mês ou fim de semana — nada mais prático para quem tem um barco mas não uma casa na região ou nem tem barco algum, já que algumas marinas também alugam embarcações, embora quase sempre sejam pequenos cascos de alumínio, para pescarias. Mas também é possível conseguir uma ou outra lanchinha. O bom é que fica tudo num só lugar.

Quase todas as marinas também oferecem restaurantes já que sair de uma para almoçar na outra — e vice-versa — é um dos programas mais populares entre os donos de barcos, depois da visita à cachoeira. Por essa razão, quase todas têm píer de atracação para visitantes e recebem muito bem todos que chegam pela água.

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