Corais sofrem branqueamento com elevação da temperatura do mar e gera alerta no Nordeste

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Os corais do parque estadual marinho da Pedra da Risca do Meio, em Fortaleza, estão sofrendo branqueamento por causa do aumento da temperatura do mar. De acordo com o professor Marcelo Soares, do Instituto de Ciências do Mar (Labomar) na Universidade Federal do Ceará (UFC), já faz mais de dois meses que a temperatura do mar está entre 29°C e 30°C. Normalmente, ficam entre 26°C e 29°C.

Para os humanos, esse aumento pode parecer mínimo, mas ele é drasticamente recebido pelos corais, seres vivos imprescindíveis para a manutenção dos ecossistemas marinhos. “Nos últimos 34 anos, a temperatura do mar do Ceará subiu quase um grau. Aí você me dizer assim, ‘isso é pouco’, mas não é. Porque se você pensar que aqui no Ceará a temperatura é bem estável, com quatro graus de diferença, a gente tem um aumento de quase 20% de temperatura”, explica Marcelo.

Sendo assim, o principal fator relacionado ao branqueamento dos corais é o aquecimento global, pois imagina a quantidade de calor necessária para elevar a temperatura do mar e faz com que ele absorva todo esse calor.

A última vez que esse fenômeno foi observado no Ceará com a mesma intensidade foi em 2010. Segundo o pesquisador, Alagoas e Pernambuco também estão registrando casos de branqueamento. O branqueamento de corais que deveria ser um fenômeno raro, tem sido observado com mais frequência ao redor do mundo.

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Os corais são animais que vivem em simbiose (parceria entre dois organismos de espécies diferentes) com microalgas, conhecidas como zooxantelas. Durante o dia, as microalgas alimentam os corais por meio da fotossíntese, enquanto à noite eles sacam pequenos tentáculos para capturar zooplânctons e fitoplânctons – minúsculos animais e plantas.

Quando a temperatura dos mares está mais alta que o normal, as microalgas ficam impossibilitadas de fazer a fotossíntese e o coral as expulsa para tentar sobreviver. Esse processo provoca o branqueamento dos corais, já que as zooxantelas são as responsáveis por colori-los.

Sem a presença de corais saudáveis, a rotina de muitos outros seres vivos é impactada. Os peixes, por exemplo, perdem o local de alimentação, reprodução e desova. Além de impactar diretamente no ecossistema marinho, o branqueamento dos corais tem consequências socioeconômicas perceptível na área do turismo

Principalmente no litoral nordestino, os recifes de corais coloridos e habitados por várias espécies marinhas são chamariz para a visitação turística. Mesmo que exista a possibilidade de os corais sobreviverem ao período de branqueamento, também há chances de que muitos morram, transformando os belos recifes em uma espécie de cemitério. É estimado que até o ano de 2050, que 80% dos corais vão morrer.

Outro fator importante é que os corais também funcionam como uma barreira natural, absorvendo a energias de ondas muito fortes e evitando a erosão costeira.

Por Amanda Ligorio, sob supervisão da jornalista Maristella Pereira

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