Você sabe quais são os seis riscos elétricos mais comuns no barco? Veja

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*Com colaboração de Pedro Rodrigues, da ABYC Certified Electrical Advisor

Incêndios — e não naufrágios — são a causa mais frequente da perda de barcos. E eles quase sempre têm origem num só ponto: a parte elétrica. Portanto, fique ligado nas dicas que NÁUTICA traz para você sobre os riscos elétricos mais comuns no barco:

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1. Terminais e conexões em mau estado
O “coração” das instalações elétricas são os terminais e as conexões, especialmente das baterias. Se eles estiverem frouxos, podem superaquecer e derreter os cabos. Para evitar isso, faça um check-up completo, tanto na fiação quanto nos seus complementos, pelo menos uma vez por ano. Além de verificar se estão soltos, verificar pontos de corrosão. Essa resistência à passagem de corrente causa o superaquecimento dos cabos que causam incêndios.

É importante tomar mais cuidado com a Corrente Alternada e recomenada a utilização de IDR (Interruptor Diferencial Residual), que são dispositivos que interrompem a passagem de corrente quando há uma diferença entre o que entra e o que sai de energia. Ou seja, em geral quando há uma fuga de corrente ou quando alguém leva um choque. Esse dispositivo salva vidas.

2. Voltagem diferente nas tomadas da marina
Como a maioria das marinas não segue um padrão na voltagem, há sempre a possibilidade de a tomada do cais não ser compatível com a do seu barco. Assim, curtos-circuitos podem ocorrer, afetando até mesmo a parte eletrônica dos motores.

3. Instalar equipamentos diferentes
Certifique-se de que o automático das bombas é compatível com a corrente elétrica. Instalar um modelo errado pode fazer com que a bomba não funcione na hora que você mais precise dela. Da mesma forma, tome cuidado com certos acessórios, como micro-ondas e secador de cabelos, que puxam bastante energia e podem superaquecer a fiação caso estejam mal dimensionados, sua proteção (disjuntor ou fusível) estiver mal dimensionada ou se tiver terminais e conexões em mau estado (como citado no item 1).

4. Equipamentos que não desligam
Se o seu barco tiver guincho elétrico ou bow thruster, verifique periodicamente o sensor de acionamento desses equipamentos. Como eles consomem altas correntes, a quebra do sensor pode fazer com que eles funcionem ininterruptamente, sem você perceber. E isso pode gerar superaquecimento na fiação.

5. Equipamentos em contato com a água
O inversor deve ficar sempre o mais próximo possível das baterias, para evitar quedas de tensão. Mas é importante instalá-lo sempre o mais alto possível na casa de máquinas, para evitar contato com água eventualmente empoçada, o mesmo valendo para qualquer equipamento elétrico. Energia e água não combinam! Todos os equipamentos instalados na casa de máquinas de um motor a gasolina devem ser à prova de ignição (Ignition Protected), ou seja, não devem produzir faíscas. O vapor que a gasolina produz é altamente inflamável, então, na casa de máquinas, caixa do motor ou no paiol onde se armazena gasolina para o motor do botinho inflável, não devem ter equipamentos que produzam faísca. Isso inclusive é uma norma da ABYC.

Obs.: Alguns inversores como os da Xantrex, possuem dispositivos ELCI ou GFCI (similares ao IDR tupiniquim) que podem produzir faísca na sua atuação, causando uma explosão. Equipamentos importados a prova de ignição, que estejam de acordo com as normas ABYC para fabricantes, sempre estão marcados na carcaça como “Ignition Protected”.

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6. Infiltração de água no painel
Barcos com comando aberto não estão livres de respingos d’água — seja na navegação, na chuva ou na lavagem. E esse contato com a água pode gerar pontos de ferrugem nas conexões das fiações, além de comprometer a durabilidade dos cabos. A única maneira de evitar isso é checar periodicamente as vedações do painel e, no caso de vazamento crônico, não molhá-lo ao lavar o barco até que seja resolvido.

Gambiarras? Nem pensar!

Sobrecargas e mau contato são sempre prenúncios de tragédias. Fios, conectores e baterias mal instaladas são os principais gatilhos nos incêndios de origem elétrica a bordo de qualquer barco. “Se eles não forem dimensionados para a energia que recebem, ou se não estiverem bem conectados, acabarão liberando calor ou derretendo, o que, em ambos os casos, é perigosíssimo”, afirma o especialista em instalações elétricas náuticas Roberto Brener. Outros itens importantes que causam incêndios são proteções (fusíveis e disjuntores) mal dimensionadas ou “bypassadas” e equipamentos que causam faísca em locais que possam ter vapor de gasolina (com explicado no item 5). Portanto, tire da cabeça qualquer ideia de “dar um jeitinho” na parte elétrica do barco.

E anote aí alguns lembretes essenciais:

  • Cabos de cobre, mesmo que certificados, podem ter corrosão se os terminais e conexões não estiverem bem feitos. O cabo elétrico que protege contra isso é o estanhado. Fios rígidos não devem ser usados na elétrica de embarcações;

  • Ao invés de vedar os terminais e as pontas dos fios com silicone, para vedar a entrada de ar entre o cobre e o plástico que reveste os cabos, podem ser usados conectores com isolação termo retrátil, que já protegem contra a corrosão. Inclusive, é importante usar um alicate apropriado para crimpar terminais, e não tentar fazer gambiarra com alicate universal;

  • Os terminais dos cabos da bateria devem ser prensados e não soldados. A solda enrijece os cabos, tornando-os sujeitos a quebras;

  • Use disjuntores termomagnéticos, que protegem contra sobrecargas e curtos.  No geral, Disjuntores AC funcionam em corrente contínua, mas podem se deteriorar mais depressa por ter uma câmara de extinção de arco voltaico diferente e menos potente;

  • Os fusíveis devem ser usados mesmo em alta corrente. Em motores de partida, por usarem uma corrente muito alta por pouco tempo, fica difícil dimensionar esses disjuntores de maneira a proteger o cabo sem queimar o fusível, por isso esse é o único lugar onde a ABYC dispensa o uso de disjuntores. Porém, outros equipamentos que demandam grande energia com o bow thruster e guincho devem ser protegidos por fusível ou disjuntor.

  • Cabos de arranque do motor e do gerador não precisam ter fusíveis próprios. Bastam cabos superdimensionados;

  • Para não tombar com o balanço do barco, a bateria deve ser bem presa, mas com cintas ou cabos que não contenham partes de metal. Além disso, elas devem estar numa “bacia” que contenha vazamentos de eletrólito, que é composto de ácido sulfúrico diluído e pode corroer outros componentes da embarcação se não for contido, inclusive cabos elétricos;

  • Em hipótese nenhuma, qualquer fiação deve passar perto de alguma mangueira de combustível;

  • A fiação deve ser fixada a cada 25 centímetros ao longo do barco. Mas não muito esticada, para não romper com os trancos, o que é mais frequente do que parece.

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Ilhabela