NÁUTICA Live: Acobar e estaleiros nacionais revelam ações durante a pandemia

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A 3ª NÁUTICA Live reuniu nesta quinta-feira, 21 de maio, o presidente da Acobar — Associação Brasileira dos Construtores de Barcos e Seus Implementos —, Eduardo Colunna, que representa a indústria náutica no país, e os comandantes de alguns dos mais importantes estaleiros brasileiros: Roberta Ramalho, da Intermarine Yachts; Marcio Schaefer, da Schaefer Yachts; André Motta, da Ventura Marine; e José Galizio Neto, da Intech Boating/Sessa Marine.

Objetivo: discutir os efeitos da crise da pandemia do Covid-19 no setor náutico e revelar as medidas que vêm sendo tomadas para proteger seus negócios e seus funcionários nesse período de crise.

A boa notícia é que, apesar da inevitável desaceleração da produção, a indústria náutica vem superando bem as dificuldades, com a retomada da produção de forma gradual; a redução do fluxo de pessoas nas fábricas; e o aproveitamento do tempo livre para o desenvolvimento de novos projetos — sim, teremos lançamentos de barcos ainda este ano. A apresentação e intermediação da live foi, mais uma vez, da jornalista Millena Machado.

Potencial do mercado

O presidente da Acobar, Eduardo Colunna, discorreu sobre o potencial de mercado náutico brasileiro e disse que o país pode ir muito mais longe no setor, que já vem crescendo gradualmente. “A gente ainda está engatinhando para o que podemos atingir. Todo mundo fala da costa, nós temos 8 500 km de costa, mas nós temos 60 mil km de águas interiores, represas, rios, lagos”.

Colunna falou sobre como o momento é difícil para todos os setores e não apenas no Brasil, mas vê como chance de buscar este crescimento para a náutica, que é uma indústria que emprega cerca de 80 mil colaboradores em toda a cadeia. “Não tem como robotizar a indústria náutica. E são produtos com alta tecnologia, com muito projeto e desenvolvimento. Os produtos brasileiros não devem nada para nenhum lugar do mundo. Muitos dos nossos associados já exportam e a gente vê um ambiente positivo neste momento, na retomada, para buscar mais exportações”.

De acordo com a Acobar, a frota nacional é por volta de 670 mil barcos e o Brasil tem, aproximadamente, 1 milhão de habilitações ativas. “Hoje, fala-se em um barco para cada 400 pessoas, na Europa, é um para 60 e, nos Estados Unidos, um para 20/23 pessoas. A gente tem o fator climático favorável, geográfico, temos as maiores e melhores bacias hidrográficas do mundo, então, a gente conseguiu ao longo do tempo levar para as esferas governamentais o que tem por trás desse setor”.

Sobre as medidas contra a disseminação do coronavírus, Colunna citou que os estaleiros já vêm realizando a prevenção dentro das fábricas, com medidas para conter o contágio e capacidade de produção reduzida para a proteção de todos.

“A gente vem monitorando o que tem sido feito mundialmente. Somos associados da ICOMIA, que é a associação das associações, e ela está alimentando os associados com as medidas que cada país, que cada região está tomando, então, isso é muito bom porque a gente antecipa certas coisas”. Ele relatou, ainda, que percebe a união do setor e disse que a associação está buscando até mesmo linha de crédito especial para o setor, para o futuro que todos vamos enfrentar.

Importância do setor

Ernani Paciornik, presidente do Grupo Náutica, destacou a importância da indústria náutica na cadeia produtiva no país, que o foco ainda está no processo artesanal, e que por isso gera riqueza e muitos empregos. Lembrou também que o dólar alto, na casa dos R$ 6, pode ser positivo para a nossa indústria, porque os barcos produzidos no Brasil cada vez mais chegam ao exterior, especialmente aos Estados Unidos, onde, segundo informação de Reinaldo Maykot, diretor do estaleiro Boston Whaler, que faz parte do grupo Brunswick, toda produção até setembro já está vendida.

Sobre os salões náuticos — Rio Boat Show e São Paulo Boat Show —, Ernani disse que tem esperança de realizar pelo menos um deles neste ano, dependendo das regras de abertura da economia. Porém, revelou que, se for preciso, realizará pequenos boats shows, ou “boutiques”, nas cidades em que houver abertura para a circulação das pessoas. “Nossos salões náuticos e a indústria náutica andam juntinhos”, destacou o presidente do Grupo Náutico.

Além disso, chamou atenção para o sucesso do jornalismo digital: “Recentemente, em um único post publicado pelo portal de Náutica, foi cravada a marca de 2 milhões de pessoas alcançadas”, disse, ressaltando a importância do formato online, assim como o impresso.

Junto com a distribuição de conteúdo pelo canal digital, a revista NÁUTICA volta a circular a partir do mês de junho. Com isso, podemos ajudar os estaleiros a dar maior visibilidade a seus produtos, com o consequente crescimento da venda de barcos. “Juntos, somos mais fortes”, resumiu.

Retomada do trabalho

Roberta Ramalho, presidente da Intermarine Yachts, disse que depois de 15 dias de interrupção, as atividades do estaleiro foram retomadas. “Por conta do traço artesanal de nossa produção, o home office não existe. Por isso, a Intermarine não parou”, afirmou ela. Porém, garantiu, a empresa tomou todas as medidas recomendas pela OMS necessárias para proteger sua nossa equipe. “A gente trabalha para as pessoas. Então, tivemos uma preocupação um pouco maior. Fizemos uma ação de distribuição de cestas básicas, que está ativa até hoje, que é para os nossos colaboradores poderem estender a mão para quem estiver passando por dificuldades. Além disso, liberamos álcool gel e a nossa tapeçaria parou a produção para fazer máscaras para doação”.

No tocante à construção de seus modelos, a presidente da Intermarine Yachts disse que a cadeia produtiva foi parcialmente comprometida, porque o estaleiro tem fornecedores na Itália. Porém, lembrou que a Intermarine sempre teve a produção verticalizada, o que lhe permitiu suprir a sua própria cadeia produtiva. Roberta anunciou ainda o estaleiro lançará dois novos barcos ainda este ano. Para finalizar, disse acreditar que o mercado sairá mais forte, mais unido dessa crise.

Redução de operação

Por sua vez, Marcio Schaefer, presidente da Schaefer Yachts, disse que após a interrupção por 15 dias, o governo catarinense permitiu a retomada da produção e o estaleiro voltou a operar com 50% dos funcionários presentes, depois de a fábrica ser toda higienizada. Os demais, foram para o home office ou saíram de férias. “Na parte de projetos, eu e minha equipe trabalhamos bastante. Tivemos tempo de produzir bastante e criamos dois barcos novos, além da Schaefer 660 e da Schaefer 770, lançamos recentemente”, revelou.

Sobre as vendas do estaleiro, lembrou que a Schaefer Yachts já navega em diversos países do mundo, entre eles o exigente e competitivo mercado dos Estados Unidos, e que — com o dólar alto — está repensando sua estratégia.

“Reuni a nossa diretoria, criamos um comitê de crise, readequamos preços, criamos promoções, e estamos de olhos no mercado americano, que começou a voltar à ativa. Nossos produtos estão tendo uma resposta muito boa nos Estados Unidos. Isso está ajudando a preencher os nossos pedidos”.

Em resumo, seu estaleiro está passando bem pela crise. “Quando vamos lá pra fora, vamos com tranquilidade e com orgulho dos nossos produtos. A concorrência com os importados sempre nos obrigou a ser competitivos. Com isso, crescemos muito, melhoramos nossos processos, nos reinventamos, e estamos atingindo a maturidade”.

Pensando no futuro

José Galizio Neto, presidente da Intech Boating/Sessa Marine, corroborou com a fala de seus colegas sobre como a indústria náutica atua na economia, empregando, gerando e distribuindo renda e, por isso, é de tamanha importância para o país. Ele também ficou com a fábrica de Palhoça fechada por 15 dias como uma das medidas de prevenção da Covid-19. “Colocamos os funcionários em casa, chamamos o nosso comitê de crise e começamos a pensar no que fazer. Nós tomamos uma decisão que, para nós, foi a mais importante de todas! Nos fechamos no nosso mundo e prevemos que isso vai passar. Vamos acreditar que o país vai dar um jeito, o povo vai dar um jeito, a gente vai sobreviver, e passamos a pensar no futuro”.

Diferentemente do início do período de incertezas, Neto relatou que está vendo um futuro muito interessante, mais promissor para o setor. “Fiquei sabendo por um cliente que mora nos Estados Unidos que o mercado lá está se aquecendo. Por isso, as pessoas vão viajar menos, o distanciamento social vai ser o nosso novo normal por algum tempo e o barco é uma grande oportunidade de você ter um ambiente saudável, se reunir com seus familiares e com seus amigos e estar isolado socialmente”.

Ele disse que em Santa Catarina, bem no início, houve um movimento de algumas prefeituras, das associações das marinas e rapidamente conseguiram uma abertura interessante e bem coordenada, mas fecharam novamente porque os usuários não cumpriram as medidas. Agora, está havendo uma nova reestruturação das boas práticas.

Fabricando lanchas de uma marca italiana no Brasil, Neto também discorreu sobre como tem acontecido essa relação entre os países. “O que nós temos de vínculo com a Itália hoje é o centro de desenvolvimento de design e engenharia, que está desenvolvendo o nosso novo projeto. A máquina que está desenvolvendo este nosso projeto ficou 60 dias parada, houve uma alteração de cronograma e estamos seguindo”.

Novos projetos

Situada na cidade mineira de Capitólio, a Ventura Marine, liderada por André Motta, está aproveitando o momento para se adequar à nova realidade e, até mesmo, reinventar-se. “Quando começou essa pandemia, foi um susto para todos nós e ficamos cerca de 20 dias parados. Criamos um comitê de crise e focamos 100% nos colaboradores, depois nos fornecedores e, por último, nos lojistas em todo o Brasil, que é quem sente essa dor um pouco maior. Por exemplo, em São Paulo, nós temos vários lojistas que estão fechados sem poder trabalhar”.

Atualmente, o estaleiro está funcionando com 50% de seus funcionários. “Como o estado de Minas foi também um dos que conseguiram resolver e se organizar mais rápido, voltamos a trabalhar com as medidas protetivas e toda a responsabilidade, orientados pela Secretaria do Estado de Minas”. Ele relata uma mudança de comportamento do início da pandemia para agora. “A gente começa a sentir que as pessoas começam a pensar em pegar o barco, aproveitar um tempo junto com a família, nesta região maravilhosa que a gente está”.

Para André, uma palavra essencial é otimismo! E ele tem colocado isso na prática. Mesmo em meio ao cenário que estamos vivendo, o estaleiro lançará dois produtos neste ano – um 100% digital e outro em parceria com as concessionárias. “A forma de chegar ao público mudou, é digital agora. É uma mudança que a gente está tendo que se adaptar, então, vamos tentar tirar esse aprendizado do digital para o lado bom e fazer com que a gente consiga bons negócios usando esse mecanismo que é tão novo para nós todos”. Ele destacou, ainda, a união que tem visto, tanto na sua equipe quanto no mercado de forma geral.

NÁUTICA Live tem o apoio de Assim Saúde, maior grupo empresarial de saúde verticalizado do Rio de Janeiro, excelência no atendimento médico. E Vaio, empresa que preza pela inovação e alta performance de notebooks com processadores de última geração. Acesse: vaio.com.br/nautica.

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