Vitória Carioca

Por: Redação -
22/07/2014

Na Regata Alcatrazes por Boreste, os barcos da classe S40 confirmaram a condição de mais velozes da Ilhabela Sailing Week, sendo os primeiros a cruzar a linha de chegada. A tripulação do Carioca, com André Mirsky no leme, demonstrou mais eficiência para superar as dificuldades proporcionadas pela calmaria que tomou conta do Canal de São Sebastião no domingo (20) de abertura da principal competição de oceano da América Latina.

O veleiro do Iate Clube do Rio de Janeiro cumpriu as 46 milhas náuticas (85 km) em 7h15m05, com apenas 3m32 de vantagem sobre o segundo colocado, Pajero Mitsubushi, do timoneiro André Fonseca, o Bochecha, e 53m13 à frente do Crioula, do tático Samuel Albrecht, o Samuca, campeão da S40 em 2013. Consciente das dificuldades impostas pelos ventos fracos, a Comissão de Regatas optou por encurtar o percurso, tradicionalmente com 60 milhas (110 km), antecipando a linha de chegada para a Ponta da Sela (extremo sul de Ilhabela).

Após uma largada complicada, o Carioca utilizou as previsões meteorológicas que estavam ‘na manga’ para recuperar o tempo perdido. “O começo foi determinante. Tínhamos a informação de que o lado do continente estaria com melhores condições. Mesmo com direito de passagem, houve uma colisão com barcos de outras classes logo na largada e ficamos em último”, relatou Mirsky antes de falar sobre a estratégia adotada.

“A flotilha optou por seguir um rumo próximo à Ilhabela enquanto nós fomos para o lado oposto, rente a São Sebastião. Foi por isso que conseguimos alcançar os adversários e depois abrir. Na chegada perdemos o vento por alguns instantes e permitimos a aproximação do segundo colocado, mesmo assim, nossa tática foi 100%”, comentou o timoneiro do Carioca, elogiando o trabalho da tripulação.

“O Pajero Mitsubishi, com Bochecha no leme, tem uma equipe fortíssima. Ele tem muita agilidade, trazida da classe olímpica em que veleja, a 49er”, opinou Mirsky, ao lado do amigo e rival Bochecha que emendou. “Nossa tripulação está sendo considerada como um ‘dream team’, é praticamente a mesma vice-campeã mundial da classe TP52, há um mês na Itália, mas é a primeira vez que velejamos em um S40, que além do Carioca, tem barcos muito fortes como o Magia Energisa, do Torben Grael e o atual campeão Crioula”. Ambos consideram que as regatas barla-sota (boia a boia) a partir desta terça-feira (22) serão mais disputadas e decisivas para o campeonato.

A classe ORC, que também contornou Alcatrazes, teve vitória do Lexus Chroma, com 8h8m51, à frente do Seu Tatá e do Angela VI. O veleiro de Santos, vencedor do Warm Up da Ilhabela Sailing Week, na Copa Suzuki Jimny, foi preparado especificamente para correr em Ilhabela. “Investimos em velas, cabos e eletrônicos, mas não fizemos reforma para não alterar o certificado”, justificou o comandante Gustavo de Crescenzo.

“Tivemos logo depois da largada, ventos de um ou dois nós. Aproveitamos a correnteza junto à Ponta da Sela (extremo sul de Ilhabela) para podermos andar um pouco. Também foi muito difícil contornar Alcatrazes, quase sem vento e com o mar agitado”, descreve o comandante que espera por ventos entre oito e dez nós na raia das regatas que começam nesta terça. “Nosso barco não permite erros. Precisamos colocar 14 minutos em cima do segundo colocado da classe para vencermos no tempo corrigido. O barco está regulado para vento médio”.

Enquanto os velejadores dos barcos mais velozes repousavam em suas casas ou hotéis recuperando as energias empregadas no trajeto até Alcatrazes, algumas tripulações demonstravam perseverança e valentia rompendo a madrugada de segunda-feira para completar a regata. O Boccalupo fechou a raia às 9h17m45 desta segunda, após heroicas 21h07m45 de navegação, cinco minutos a mais do que o Fandango, também de Ilhabela.

“Chegamos a conversar a bordo se deveríamos continuar, mas meu filho Nícolas, de 13 anos, nosso tripulante-mirim, convenceu-nos a permanecer em regata. Ele nunca havia ido a Alcatrazes e demonstrava um entusiasmo contagiante”, alegou orgulhoso o pai e comandante Cláudio Melaragno. “Ficamos três horas literalmente boiando, sem qualquer vento. Contornamos o arquipélago apenas na madrugada, mas no próximo ano o Nícolas já avisou que quer ver Alcatrazes durante o dia. Estaremos aqui novamente”.

A única classe que ainda não competiu na Ilhabela Sailing Week é a Star, que correrá a primeira regata pelo Campeonato Sul-Americano nesta terça. Reunindo os principais velejadores do Brasil e quatro duplas argentinas, a disputa entre os 18 barcos promete equilíbrio. A Star estreou na competição em 2013, com vitória da dupla tricampeã mundial Robert Scheidt e Bruno Prada. Neste ano, a classe ganha nível internacional.

Os argentinos reconhecem o favoritismo dos rivais brasileiros. Torkel Borgstrom, que já foi campeão em Ilhabela competindo em barco de oceano, aponta seus principais favoritos ao título. “Acho que o Lars Grael, o Bruno Prada e o Dino Pascolato têm provado que são excelentes velejadores. Estão em nível superior. Se eu e o Juan Pablo terminarmos entre os cinco primeiros já estaremos muito contentes”.

Lars, terceiro em 2013, estará novamente com seu proeiro Samuel Gonçalves e também é indicado como um dos mais cotados ao pódio pelo atual campeão Bruno Prada. “Com certeza é uma dupla que tem potencial para vencer qualquer competição. De qualquer forma, será muito bom correr com 18 barcos na raia em uma classe que exige muita técnica”, afirmou Bruno que estará ao lado de Guilherme de Almeida, com quem já velejou no final da década de 1990.

“O Guilherme está muito bem treinado, velejou no último mundial com o Torben. É questão de fazermos alguns ajustes no barco e utilizarmos nosso conhecimento da raia de Ilhabela”, considerou Bruno, terceiro colocado no Mundial da Itália junto com o norueguês Eivind Melleby. Logo após a Ilhabela Sailing Week, Bruno disputa o Evento Teste do Rio de Janeiro na classe Finn, para os Jogos Olímpicos de 2016. “Estou torcendo para que o vento aumente de intensidade nesta semana aqui em Ilhabela. Com vento forte, se não der para andar bem com jeito, vai na força”.

Confira os vencedores de cada classe da regata disputada neste domingo (20), que abriu a 41a. edição da Ilhabela Sailing Week:

S40 – Carioca (Roberto Martins)
C30 – Mais Realizado (José Luís Apud)
HPE – Ginga (Breno Chvaicer)
ORC A – Lexus/Chroma (Luís Gustavo de Crescenzo)
ORC B – Santa Fé V (Nélson Avila Thomé Jr.)
ORC C – Bravissimo 4 (Ian Muniz)
IRC – Rudá (Guilherme Hernandes)
RGS A – Fram (Felipe Aidar)
RGS B – Total Balance (Sérgio Klepacz)
RGS C- Azulão (Marcelo Polonio)
RGS Cruiser – BL3 (Pedro Rodrigues)

Fotos: Marcos Méndez/SailStation e Edu Grigaitis/Balaio

 

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