Hidrofólio: para baixar a proa na fase da aceleração

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O hidrofólio nada mais é que uma peça de plástico reforçado em forma de asa, fixada à placa antiventilação do motor de popa ou de centro-rabeta. Dependendo da lancha, porém, pode ser de grande utilidade, melhorando o desempenho em velocidades intermediárias. Em alguns barcos, este recurso possibilita, ainda, chegar mais rapidamente ao regime de planeio, além de diminuir o caturro (”cavalgada”). Como ele funciona? O hidrofólio faz descer a proa do barco em velocidades baixas e médias, próximas às obtidas no regime de planeio. Saber quando um barco a motor precisa de hidrofólio é fácil: basta acelerar o motor ao máximo e observar se a embarcação demora muito para baixar a proa e chegar no regime de planeio. Esse comportamento, chato e indesejável, é particularmente notório em lanchas menores que 20 pés e infláveis abaixo dos 5 m. Nesses barcos, geralmente, há uma grande concentração de peso na popa (composto pelo motor, piloto, bateria e, às vezes, pelo tanque de combustível), o que dificulta ganhar velocidade e, em casos extremos, compromete a segurança, pois o piloto perde a visibilidade da proa durante segundos preciosos, o que pode provocar um acidente. Um barco equilibrado, em termos de distribuição de peso, não precisa de hidrofólio, mas nem todos são assim. E vale observar que, em alta velocidade, a proa da lancha ou do bote inflável pequeno abaixa naturalmente, tornando inócua a ação do hidrofólio.

O hidrofólio não é o único recurso disponível para manter a posição ideal de navegação. Observe que algumas lanchas já vêm do estaleiro com um par de flapes fixos, sem regulagem, presos no espelho de popa. Esse acessório tem a mesma função do hidrofólio, que é levantar a popa para melhorar a navegabilidade. Lanchas maiores, de 24 pés para cima, podem ter uma concentração de peso na popa. Porém, nesse caso, vale instalar um par de flapes ajustáveis (hidráulicos ou elétricos), pois o custo do equipamento não é tão desproporcional em relação ao preço da lancha. Flapes ajustáveis, além de melhorar a condição de navegação em velocidades intermediárias, como o hidrofólio, têm a vantagem de ajustar a inclinação lateral do barco (banda, na linguagem marinheira), o que não ocorre com o hidrofólio. Mas é preciso dizer que flapes ajustáveis custam caro — cerca de seis vezes ou mais o preço de um hidrofólio, considerando-se modelos para lanchas pequenas. Daí, se seu barco demorar para baixar a proa na aceleração, a instalação de um hidrofólio é a solução mais em conta e rápida. É bom dizer também que ele não prejudica em nada a velocidade máxima do barco, pois fica totalmente fora d’água quando a lancha navega em alta velocidade.

O hidrofólio que testamos é da marca americana StingRay. O produto está disponível, normalmente, em dois tamanhos, para ser instalado em embarcações impulsionadas por motores de popa de até 40 hp ou com potência superior a essa — como é o caso da versão escolhida para este teste. Para avaliar tecnicamente a eficiência do hidrofólio, usamos uma pequena lancha de console central de 18,5 pés, com um motor de popa Mercury Optimax de 90 hp. Instalamos a peça no próprio dia do teste. É um trabalho fácil de ser executado, que exige poucas ferramentas e de uma furadeira. Em relação à potência, o conjunto casco e motor da embarcação usada apresentava-se bem equilibrado. Porém, como o posto de comando fica próximo à popa, a proa levanta bastante na fase de aceleração, tirando um pouco do prazer da pilotagem, além de aumentar o consumo de combustível e reduzir a velocidade em médias rotações.

Texto publicado na edição de agosto de 2015.

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