Casa ou barco? Conheça o houseboat VCat 650 HB

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Imagine um barco com formato e tamanho de uma casa, com, inclusive, um quarto dentro, além de sofá, grandes janelas, cozinha, varanda, banheiro de verdade e ar-condicionado. E mais: como se trata de um barco, ele, obviamente, navega. Ainda que lentamente. Ou seja, o seu “quarto” vai mudando de paisagem, tornando o fim de semana ainda mais gostoso. Eis uma novidade em nossas águas: o houseboat VCat 650 HB, construído em São Paulo pelo estaleiro VCat Boats (www.vcat.com.br), especialista em pontoon boats.

Invenção americana, os houseboats, como o próprio nome diz, são barcos com jeito de casa, paredes altas, cômodos de verdade, muito espaço e conforto de sobra. Bem diferente de uma lancha convencional, um houseboat tem como ponto forte a cabine, que ocupa quase a área total do convés. Mesmo quem já tem uma lancha costuma se encantar com uma casa-barco (ou vice-versa).

Criado a partir de um casco trimarã (formado por três tubulões de alumínio soldados), o VCat 650 HB foi projetado para navegar em águas abrigadas, como rios e represas, com até seis pessoas durante o dia ou três em pernoite. Para entrar a bordo, há duas opções. Pela proa, onde há uma porta de alumínio de padrão residencial, atrás do posto de comando e um sofá em L, ou pela pequena plataforma de popa, onde há outra porta idêntica. A cabine é muito bem distribuída e completa: tem cozinha, banheiro fechado e um quarto-sala. Ao todo, são 6,5 m de comprimento, 2,5 m de boca e nada menos que 16 m² de área útil. A sensação a bordo é a de uma pequena casa. Há amplas janelas nos dois bordos, ambas com tela mosquiteiro, além de janelas na frente e atrás. A visão panorâmica dos arredores é outro ponto alto.

O banheiro é maior do que em muita lancha de 30 pés. É fechado, tem pia, sanitário, chuveiro fixo e pode até ter boxe para banho. A eficiência no uso da água a bordo como proposta ambiental é outro tema interessante deste barco-casa. O esgoto do vaso, que usa apenas 2 litros de água na descarga, não vai para a água! Ele é drenado diretamente para um tanque no casco de bombordo, devendo ser sugado depois na marina — ao contrário da maioria dos barcos nacionais, que despeja dejetos diretamente na água.

A cozinha tem bancada, pia, espaço para um fogão e um bom armário, que abriga duas baterias. Ao lado da cozinha, o proprietário optou por instalar outro armário com uma pequena mesa dobrável, para refeições rápidas. Em uma espécie de saleta, há um sofá com 2 m de comprimento, ótimo para ser usado como cama extra. Outras duas camas de solteiro sobrepostas completam as acomodações.

Projetado para ter um gerador (opcional) a bordo, o VCat 650 HB vem de fábrica com uma rede elétrica interna de 127 VCA (tensão corrente alternada), assim como em uma residência, além do tradicional circuito 12 VCC (tensão corrente contínua), que alimenta luminárias, luzes de navegação e os instrumentos do motor e de navegação, incluindo o vhf. Para garantir o conforto térmico nos passeios e, em especial, durante as noites a bordo, o núcleo do teto e das paredes é recheado com 5 cm de isopor, o que torna a temperatura no interior sempre bem agradável. E se, mesmo assim, o interior esquentar, basta ligar o ar-condicionado, oferecido como opcional pelo estaleiro.

O 650 HB pode ser equipado com um motor de popa de 75 a 115 hp. No modelo que avaliamos, o primeiro da série, a propulsão escolhida pelo proprietário foi um Mercury Optimax, de 90 hp. Durante a navegação, com três pessoas a bordo e tanque de combustível de 130 litros pela metade, a velocidade chegou a 14,3 nós, com um consumo de 26,6 litros por hora e autonomia de 63 milhas. Já um pouco mais lento, navegando a 12,9 nós, o consumo foi um pouco menor: 19,8 litros por hora, com autonomia de 76 milhas. Para haver economia plena, deve-se navegar a 5,4 nós. Nesta velocidade, o que é ideal para a proposta desta casa-barco, o consumo foi de apenas 5 litros/hora, com uma autonomia de 126 milhas. Por ser um barco para se navegar lentamente, as manobras costumam ser tranquilas. Atracar ou fazer curvas não envolvem segredos. Apenas ventos de través fazem o piloto redobrar a atenção, já que a altura das paredes do barco pode influenciar nas manobras.

Para ficar ainda mais completo, o estaleiro pretende instalar, ainda nesta unidade, espelhos retrovisores, o que vai aumentar a segurança e melhorar a visibilidade lateral durante a navegação. Além disso, modificações no sistema de direção, na especificação da potência da motorização (já que o regime deste barco é mais de deslocamento, como nos veleiros e nas traineiras, do que planante, como nas lanchas) e a redução do pé-direito de 2,70 m para cerca de 2 m estão nos planos do estaleiro para as próximas unidades.

Com a montagem básica para navegar, o VCat 650 HB custa cerca de R$ 134 mil, com carreta de encalhe e um motor de popa de 90 hp. Já o barco (ou a casa, como preferir) apenas custa por volta de R$ 90 mil — bem menos que um apartamento na praia e, ainda, com a vantagem de você escolher a margem que mais gostar.

Confira o vídeo do VCat 650 HB navegando: